Recado das autoras

Primeiramente, queríamos agradecer a todos que acompanham a nossa fanfic. Isso realmente é muito importante para nós. O nosso principal objetivo aqui no blog é deixar vocês interessados no que escrevemos. Por isso estamos dispostas a melhorar em tudo que vocês acharem necessário. Por isso pedimos para que vocês deixem o cometário em baixo das postagens, ou então entre em contato comigo pelo twitter @gabi_ptl. nós ficaria feliz se nos dissessem o que estão achando. Por isso queremos agradecer mais uma vez para todos os visitantes do site. Obrigada mesmo.

Ass: Gabriela e Leticia

(in English)

First, we wanted to thank everyone that came to our fanfiction. This is really important to us. Our main goal in this blog is to let you interested in what we write. So we are willing to improve in all that you think necessary. That's why we ask that you leave the cometary below the posts, or contact me at twitter @gabi_ptl. We would be happy if you told us what they're thinking.
So we want to thank you once again for all site visitors. Very, very, very thanks guys! we love u.

with love: Gabriela and Leticia


sábado, 7 de março de 2015

2ª Temporada 52º Capítulo



Louis POVs

A sala de cinema estava demasiadamente cheia para um dia de semana comum. Não sei se estava daquela maneira por estarmos vendo um filme que acabara de entrar em cartaz, ou se todos os adolescentes do mundo não tinham nada pra fazer e resolveram vagabundear pelo shopping. Eu ainda estava decidindo.
Mas mais intrigante do que isso, era assistir um filme de terror de quatro estrelas e meia com uma garota que parecia ter um escudo contra o medo. Enquanto todas as outras soltavam gritos estridentes, pulavam da cadeira, ou jogavam pipoca na cabeça dos seus acompanhantes inocentes, Marie estava lá. Encarando a tela como se aquilo não tivesse absolutamente nada demais. 
Qual é? O cara tinha matado geral com um machado e ela nem ao menos tinha apertado o braço da cadeira. Será que ela não sente medo?
- Marie? - chamei por seu nome.
- Que foi? - Respondeu num sussurro quase inaudível.
- Tá prestando atenção no filme? - Perguntei achando a única explicação plausível para ela estar tão natural.
- Claro que estou.- Respondeu animada. - É um dos melhores que já vi na categoria terror!
- Mas você não tá gritando! Não tá nem ao menos colocando a mão na frente do rosto quando o cara levanta o machado! - Incrédulo, arregalei os olhos mostrando o quão intrigado eu estava.
- Louis, meu querido. - Pigarreou ela, se divertindo com minha confusão. - Eu convivi com meu bisavô andando pelado pela minha casa. Não tenho medo de mais nada. 
Pisquei quatro vezes até entender do que ela estava falando. Nojento.
O filme de terror chegou ao fim e deixamos a sala escura de cinema apena para entrar em outra minutos depois. Em outras palavras, a Química e seus cálculos idiotas que se ferrem. Existem coisas mais legais para se fazer na vida, como ver filmes.
Dessa vez, Mary optou por um filme de comédia romântica e eu rezei silenciosamente para que ela mostrasse um pouco mais de sentimento dessa vez, caso contrário, eu iria ficar com medo dela e a faria procurar um psicólogo o mais rápido possível.
Minutos mais tarde ela estava se dobrando de rir ao meu lado. Aliviado por ela estar agindo como uma pessoa normal, respirei fundo, apenas para começa a rir como se fosse o fim do mundo. E assim todo o cinema fazia.
Porém em uma das partes dramáticas do longa, o silêncio tomou conta do espaço, deixando a voz dos atores principais ecoarem pelas paredes dali, tomando a atenção de cada pessoa.
"- Eu só queria que você entendesse que em todas as situações, era em você que eu pensava! Não existi mais 'ela e eu'. Mas eu quero que exista um 'nós'. - O ator disse com um quase desespero evidente.
- Você é um mentiroso, insuportável, metido e...
- Fica quieta e me escuta por alguns segundos, droga! Eu quero você! Sempre foi você e sempre vai ser! A garota que eu sempre quis está bem aqui na minha na minha frente, mas ela é uma orgulhosa incapaz de perceber isso por causa da teimosia. Mas quer saber? Eu não ligo porque eu amo cada imperfeição que ela tem, porque pra mim isso tudo a faz perfeita. E quer saber de mais uma coisa? Eu não consigo olhar nos olhos dela e saber que eu fui um fraco e idiota por não ter dado o primeiro passo quando você claramente esperava por isso.
- Sai daqui agora! Não percebe que ninguém te quer aqui?
- Não adianta mentir pra mim, Nora. Eu tive tempo o suficiente para aprender a saber quando está mentindo. Seu olhos são mais honestos que você.
- Eu te odeio! - A atriz o empurrou, o que causou risos vindo do ator, Roger.
- Você é louca, Nora. - Ela o olhou incrédula. - Mas eu também estou fora de controle.
- Por que raios você tem que ser assim, tão... tão você!? Eu não tenho controle do que faço ou digo quando estou com você, Roger! 
- É que as vezes são necessárias algumas provas para te forçar a acreditar que eu sou o cara pra você, Nora."
Alterei meu olhar entre a tela do filme e Mary, que tinha os olhos vidrados na imensa tela e a boca entreaberta, esperando para o desenrolar da história que já estava no final.
Senti uma súbita vontade de dizer a Marie que assim como no filme, agora eu não estava mais com Zaynne. Agora nós dois podíamos ficar juntos.
Que agora nada mais precisava ser escondido.
Não sei exatamente o que se passou por minha cabeça naquele momento, mas quando me dei conta, já estava falando com Marie algo que não era planejado para aquele momento.
- Eu terminei com a Zaynne.

Gaby POVs
       
A parte em que passaríamos a próxima hora discutindo sobre o filme que assistiríamos não foi exatamente necessária graças a proposta de Niall um tempo atrás. Por fim decidimos ver um filme aleatório de Harry Potter, qual eu conseguia ser quase uma louca viciada. Em momentos me deixava levar e acabava por repetir algumas falas em minha mente, ou em voz baixa, atraindo o olhar de Niall que no fundo estaria me chamando de estranha ou rindo de mim discretamente.
Quando o filme acabou, tentei me sentar e me comportar como uma pessoa civilizada, coisa que não chegou a dar certo em momento nenhum.
Deitada no sofá com um pote de pipoca com poucos grãos dentro sobre a minha barriga, minhas pernas esticadas sobre Niall e meu bichinho de estimação que estava dormindo na poltrona desde o café da manhã. Essa era a visão que alguém teria da sala caso entrasse pela porta da frente.
Suspirei pesadamente pronta para colocar outro filme no aparelho de DVD quando meu amigo que parecia não estar ligando pra nada, se levantou e puxou o controle da minha mão, o levando para o outro lado do cômodo. 
Bufei um tanto indignada. Eu estava crente que Nialler pudesse ter esquecido aquela maldita "conversa" que eu prometi ter com ele. A verdade era que eu não estava com a mínima vontade de produzir qualquer som com a minha boca, mas com ele me fitando sem piscar os olhos, me deixava desconsertada, e isso definitivamente não era nem um pouco bom pra mim naquele momento.
- Eu tenho o dia todo, Gabriela. - suas palavras me atingiram de uma forma que eu sabia ser verdade. Ele provavelmente permaneceria ali igual a uma estátua de cera até que eu contasse por que não tinha ido a escola hoje, coisas e tal. Revirei os olhos me sentando com a coluna ereta.
- Eu não fui a escola hoje porque não estava com a mínima vontade de encarar aquelas pessoas que não fazem nada além de tomar conta da vida alheia. - as palavras saíram sem que eu o olhasse.
- Se elas falam da sua vida, significa que você é importante. Nunca parou pra pensar nisso? - Niall colocou aquela questão na minha cabeça, fazendo-me ficar quieta e encara-lo por alguns momentos. Sacudi a cabeça, confusa.
- Isso foi realmente ridículo, por que eu sou definitivamente a pessoa com menos importância nesse mundo! - coloquei o pote de pipoca no chão, cruzando as perna em seguida. - E aliás, a única coisa que provavelmente estariam achando relevante no momento, seria o fato de "nossa! Ela é a Gabriela! A ex-namorada do garoto que foi preso por porte de drogas".
- Aí você poderia olhar pra todo mundo e dizer a seguinte frase: foda-se. - levantei meu olhar, surpresa.
- Desde quando você fala esse tipo de coisa? - Perguntei.
- Desde o momento em que eu sei que é exatamente isso que você quer fazer. - Abri a boca para me justificar daquela calúnia, mas não me foi permitido. - Não, não me venha com desculpas. Vai dizer que não é exatamente isso que você quer fazer nesse exato momento? - Ok. Talvez aquilo não fosse uma calúnia. - Te conheço bem o suficiente para saber que você adoraria poder jogar todas as coisas pro alto e sumir.
Fechei os olhos e respirei fundo.
- Você está certo. - O encarei sabendo que tinha um sorriso presunçoso nos lábios. - Agora que já esclarecemos isso, podemos voltar para o próximo filme, ou apenas assistir uma série? Sei que assistir Ian Somerhalder em Lost é uma oportunidade e tanto. - Estava tentando ao máximo me esquivar das conversas com Niall, mas ele estava determinado a fazer tudo bem contrário ao que eu queria.
Segurando meu antebraço, me puxou de volta para o sofá, fazendo-me bufar impaciente e bater as costas nada delicadamente no encosto do mesmo.
- Para de fugir, Gaby! - Começou ele antes de realmente soltar meu braço. - Não quero ser um amigo chato, grudento e insistente que não tem nada melhor pra fazer do mesmo jeito como estou sendo agora. Só quero que você converse comigo. Sei que você não está bem, acabou de admitir isso quando falou o motivo de não querer ter ido pra escola hoje.
Eu odiava o fato dele conseguir ser tão convincente a ponto de me fazer ficar sem resposta. 
Por um minuto ponderei suas palavras e joguei a cabeça pra trás. Mas que droga!
- Desculpa, Duende, mas eu realmente não sei o que dizer sobre tudo isso. - Balancei a cabeça para os lados sem encara-lo mais uma vez. As coisas não conseguiam fazer sentido na minha cabeça. - Minha vida virou de ponta cabeça em poucos meses e eu me sinto como uma maluca! Descobri que meu ex-namorado stalker que não me deixava em paz usava drogas, e segundo ele, era por minha causa! Vou para o estúdio de ballet pensando em esquecer tudo que aconteceu anteriormente, quando, claro, eu tenho que dar um jeito de fazer tudo errado e ferrar com as minhas sapatilhas de ponta. A professora quase fez o favor de terminar de despedaça-las na minha cabeça, tudo por que não consigo fazer nem um salto do jeito certo. Aí eu venho pra casa e descubro que meus pais estão prestes a assinar os papéis do divórcio sem eu nem ao menos me dar conta. Ah, e meu pai ainda não faz questão de olhar na minha cara, não que eu me importe. Foi ele quem quis assim. E claro que a mãe do Erick tinha que me ligar chorando, perguntando se eu tinha ideia do porquê ele ter começado com isso. Senti pena dela, mas acredite, fiquei tão surpresa quanto qualquer um. - tentei voltar a expressão normal, mesmo sabendo que fazer diversos tipos de careta naquele momento era algo inevitável.
- É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e eu já não sei mais o que fazer. É como se alguém estivesse fazendo as coisas sempre pensando na maneira em que eu vou me ferrar no final.
"Já basta que vou ter que conviver com o peso da separação dos meus pais, sendo que Drake deixou bem claro que tudo era culpa minha, e eu não consigo simplesmente ignorar o fato de que eu realmente fiz parte daquilo. E depois tem a porcaria de dois dias atrás. Dizer que 'aquilo' piorou assim que eu o deixei, foi a mesma coisa de dizer que 'você fodeu tudo', e eu não consigo suportar isso, Niall! Eu me vejo no meio dessa história como a garota problema, que estraga tudo! É como se meu maior medo estivesse virando realidade ao poucos, e eu sinto que estou na beira do precipício, prestes a saltar e que ninguém vai estar ali pra tentar me impedir, porque no fim eu vou estar sozinha."
"Eu tenho fantasmas que ficam me rondando, dizendo sempre a mesma coisa, e eu não posso mudar o fato de que aquilo fez parte do meu passado e me fez ser essa pessoa ridícula que eu sou hoje."
"Você não imagina como é horrível a pressão de ser a bonequinha da família, a bailarina perfeita, a namorada dos sonhos, a melhor amiga. Eu não consigo fazer isso! Nunca consegui, e não vai ser assim que as coisas vão funcionar. Eu sei que meus problemas não são maiores do que de qualquer outra pessoa, mas eu to acabada por dentro, Nialler. Todos que eu amo estão me deixando. Eu não consigo suportar isso."
Eu não sei de onde, muito menos como eu tive tanto fôlego e de onde tirei tanta coragem pra dizer o que tinha falado instantes atrás.
Eu sempre tive problemas em falar como eu estava me sentindo, e perceber que eu havia acabado de colocar todas as cartas na mesa era algo que me assustava.
Perceber que seu olhar tinha tanta intensidade, me assombrava.
- Bibi, eu...
- Agora eu comecei, me deixa continuar, Nialler, por favor. - Ele assentiu sem tirar os olhos atentos de cima da minha pessoa. Resolvi seguir o ditado que meu irmão costumava dizer. Algo parecido com "já está no inferno, então abraça o capeta". 
- Eu me lembro de muitas coisas do meu passado das quais eu não me orgulho, mas também não me arrependo. E uma dessas foram os cortes. - com uma pausa seus olhares caíram para meus pulsos que agora não tinham nada além de cicatrizes. - Quando comecei com tudo isso, eu estava pouco me ferrando pra onde isso ia me levar, só queria me sentir aliviada, por que no fundo, era essa a sensação que vinha. Alívio. Mas no fim, depois de tudo, eu era apenas um corpo vazio. - um suspiro deixou minha boca sem um real motivo para isso. - Dizem que todos estão atrás de alguma coisa, mas eu não sabia qual era ela ainda. Sempre foram tantas, que eu me sentia desnorteada. Eu acreditava que não se pode machucar alguém que já está machucado. E essa frase fez com que seguisse em frente com minhas decisões por muito tempo. Eu já não me importava mais com aquilo, só a sensação que trazia.
"Mas um dia, quando eu já achava ser tarde pra mudar tudo, percebi que eu estava perdida, eu tinha perdido quem eu era, Niall. Eu já tinha ido longe demais. As pessoas tinham tirado tudo que era bom de mim, e eu tinha deixado e ajudado nessa tarefa. Mas aí você apareceu e me disse coisas que não fui capaz de esquecer. Eu soube naquele momento que talvez você fosse a única pessoa que eu pudesse contar em qualquer momento. Não por que você é o único que se importa, mas porque era o único que sempre esteve a disposição enquanto Louis resolvia seus própria dilemas, ou quando kemelly estava ocupada com discussões com sua mãe. Você foi o único que ficou realmente comigo, e eu não consigo explicar o que eu sinto em relação a isso além de gratidão."
Dessa vez, fui eu quem o deixei sem palavras. Mas não havia sido algo proposital, eu só queria deixar claro para Niall que ele era importante demais pra mim de uma forma inexplicável. O motivo que coloquei para ele entender isso foi apenas um entre muitos que eu preferi deixar guardado apenas pra mim. Ele era perfeito demais, e talvez se eu o deixasse saber disso, escaparia de mim tão rápido que eu não conseguiria nem raciocinar direito.
- O que eu estou querendo dizer, Niall, é que muitas coisas do meu passado só começaram a se encaixar agora. O passado pode machucar, sempre machuca. Mas no meu ponto de vista, ou você pode fugir dele, ou aprender com ele. E eu espero definitivamente ter aplicado a segunda opção na minha vida hoje.
Outra vez deixei que ele me analisasse da forma que quisesse. Eu precisei desses dois dias longe pra colocar meus pensamentos em ordem. Pra finalmente perceber que não adiantaria seguir e fingir que nada aconteceu, como eu costumava tentar fazer, por que tudo está preso em uma parte de mim, e infelizmente eu ainda sou fraca demais pra somente ignorar. Aquilo vai estar comigo pra sempre. Tudo o que aconteceu, seja aquilo bom ou ruim.
- E o que você aprendeu com seu passado? - Sua pergunta saiu quase como um sussurro, como se ele estivesse com medo de que a mesma soasse errada, ou apenas receio de minha reação.
Quando fixei meu olhar no seu, me senti presa nele. Me perdi naquela imensidão por poucos segundos, mas o suficiente para me sentir como se fosse feita totalmente de vidro, transparente. Niall podia enxergar qualquer coisa que eu não lhe contasse, por que ele me conhecia. Me conhecia de verdade. E não só por isso, mas por muitas outras ele merecia minha sinceridade.
- Aprendi com meu passado que a confiança é algo frágil. De cristal ou porcelana, fácil de cair e quebrar. Aprendi também que você não pode dá-la a alguém sem entregar uma parte de si mesmo junto. - Niall me fitava sem piscar. Prestava atenção como se eu falasse a coisa mais importante do mundo. Como se eu fosse importante. - E no fim, entendi por que as pessoas mudam tanto. Roubam partes delas frequentemente, e por isso é necessário preencher essas partes vazias com coisas não necessariamente boas. - fiz uma pausa insinuando minhas próprias decisões como exemplo antes de respirar fundo e continuar. - Não sei se eu conseguiria mudar tanto se você levasse uma parte de mim, por que acredito que essa parte seria grande demais pra que eu ou qualquer outra pessoa pudesse preenche-la ou concerta-la. 

Marie POVs

Tirando completamente minha atenção do filme, virei o olhar para Louis e limpei rapidamente o canto dos meus olhos que teimavam em derramar lágrimas, que antes estavam estáticos assistindo ao clichê do cinema.
- O que disse? - Funguei tentando assimilar suas palavras.
- Disse que terminei com Zaynne. - Deixei que o choque se expressasse pelo meu rosto e minha falta de palavras. 
- E por que você fez isso? - Pisquei, esquecendo completamente do tal filme e me concentrando em Louis.
- Achei que fosse o certo - Me respondeu com os olhos fixos nos meus.
- Como assim achou que fosse o certo? Em que planeta você pode pensar uma coisa tão ridícula como essa? E ainda por cima sem uma explicação descente! "Achei que fosse certo". Que tipo de motivo é esse?  Será possível que você não era feliz com ela? - Num momento de silêncio, vi sua expressão ficar surpreendida com a minha bronca momentânea e sem motivo.
Eu deveria estar feliz que eles não estavam mais juntos, mas por alguma razão senti uma pontada de tristeza no fundo da minha mente, querendo que ele só estivesse brincando comigo.
- Claro que eu era feliz com ela. - Respondeu me encarando ainda sem mudar a expressão.
- E por que fez isso, idiota? Se era feliz com ela antes, não deveria acabar com tudo assim sem motivos! - Juro de pés juntos que se não estivéssemos dentro daquela sala, teria estapiado seu braço até que ele arrumasse uma explicação descente. 
Percebi que eu estava me pondo no lugar de Zaynne. E por isso estava agindo daquela forma.
Me olhando incrédulo e com um pouco de raiva, vi os olhos de Louis se estreitarem antes dele começar a falar baixo, tentando não chamar a atenção, mas sem esconder a ofensa que sentiu com o que eu disse.
- O problema, Marie, é que a felicidade que eu realmente quero é aquela que eu sinto quando estou com você! - Já no fim de sua primeira fala me senti desarmada e desconcertada, acabando por aliviar os músculos do meu rosto. - Não consigo te olhar por muito tempo sem que uma vontade louca de te beijar apareça! 
Uma pausa foi feita entre nós quando algum sujeito das cadeiras de trás gritou um "shhhiuu" bem exagerado para nós dois, que foi completamente ignorado por eu e ele.
- E aquilo era errado antes, mas agora as coisas podem ser diferentes. Ela são diferentes. - Sua expressão facial amenizou. - Se você ao menos visse o que eu vejo, entenderia porque eu te quero tão desesperadamente. 
A facilidade com a qual ele havia dito tudo aquilo, me deixou sem palavras. Estasiada com uma cara de idiota do tamanho do mundo, porque eu não sabia nem ao menos se me mexer seria certo naquele instante. Eu estava perplexa e literalmente de queixo caído.
- Eu sou louco por você, Mary! E simplesmente não sei mais qual peça mexer nesse jogo para que sua fixa caia.
E olhando nos olhos dele, agora implorando para que eu respondesse, fiz a única coisa ao meu alcance no momento. Não tive outra reação, senão ser beijá-lo. Era exatamente a coisa certa a se fazer. Por que tudo que ele dizia sentir, era o que eu mais queria lhe falar, e ao mesmo tempo, tinha o maior medo de dizer. Mas agora, dane-se a droga da minha consciência.
Minha chance de ser feliz estava bem ali, na minha frente, e eu a seguraria firme com as duas mãos. Não a deixaria ir,


Niall POVs

- E qual é o seu maior medo? - num murmuro voltei a lhe fazer uma pergunta.
- Todas as pessoas me abandonarem. Todos que me amarem saírem da minha vida. - Com a voz falha, foi assim que ela disse a ultima parte.
Eu nunca a imaginei falando tudo assim de uma única vez. E também não consegui desviar meus olhos do dela, por que eu a via do jeito que realmente era. Uma garota de vidro. Minha garota de vidro. Ela sempre esteve a ponto de se partir em mil e um pedaços diferentes, formando um quebra cabeça quase impossível de se solucionar, por que ela era sim uma confusão. Mas era a minha confusão particular. E eu gostava de tentar entendê-la, principalmente quando eu percebia que estava fazendo isso certo. Eu gostava da sensação de desvenda-la. 
E eu entendia perfeitamente o que ela quis dizer sobre a confiança, por que eu concordava perfeitamente com a última parte que ela falou. 
Eu sem ela, seria vazio. Da mesma forma que ela era tempos atrás. 
Gabriela era muito mais do que apenas minha melhor amiga, só que eu não podia simplesmente contar isso pra ela. 
Ela agora, parada em minha frente, com os olhos vermelhos, intensos e quase totalmente verdes, sua voz gaguejando enquanto falava, como se precisasse de um imenso esforço pra isso, balançando as mãos na tentativa de completar o que ela não conseguia falar. Essa era a Gabriela que eu cuidava. Minha Gaby frágil e incerta, que eu estava acostumado a ajudar.
Uma vez disse que eu estava aqui por ela. E essa era a verdade. Talvez se fosse qualquer outra pessoa, eu não estivesse aqui dessa mesma forma. Mas estava aqui por ela. Por que simplesmente Gaby era Gaby. Somente ela.
Ela era linda mesmo quase entrando em prantos. Ficava linda quando estava prestes a chorar, mesmo que partisse um pouco meu coração sempre que isso acontecia. Ninguém se comparava a ela. Gabriela não se amava da forma certa. Não da forma que eu a amava. E por mais que eu tivesse tentado negar isso por semanas, eu sabia que estava verdadeiramente, loucamente, profundamente apaixonado por Gabriela Tomlinson. 
- Bibi... - Eu não sabia porque tinha começado a falar se eu não tinha nada a dizer. Pelo menos algo que eu realmente devesse dizer. 
- Você não tem que dizer nada se não quiser... - me interrompeu ela passando as mãos na bagunça que estava seu cabelo.
- Mas eu quero dizer alguma coisa, Gaby. Quero dizer que não importa o que tenha acontecido, você é uma garota incrível! Você pode negar isso, mas a questão é que você é incrível pra mim. E se tudo isso aconteceu, te fez amadurecer de alguma forma. E agora que você sabe tudo isso sobre a confiança, espero que saiba que não vou deixar a nossa cair aos pedaços. To aqui do seu lado agora pra passar por tudo isso com você, entendeu? - me sentei mais próximo dela. - Eu não vou te abandonar. Nem que eu vá parar do outro lado do mundo. Vou continuar aqui com você.
E finalmente ela se desmanchou em lágrimas. Começou a chorar e soluçar como se estivesse sozinha, pois ela sabia que eu não a julgaria por isso.
- Gaby, Bibi, olha pra mim. - segurei seu rosto com as duas mãos, fazendo-a olhar para mim e fungar vezes seguidas, mesmo que isso não a impedisse de tremer os ombros a cada soluço que dava. - Não chora, ok? Eu to aqui com você agora e não vou deixar que nada te machuque... 
- Eu amo você Niall. – sua voz entrecortada pelo choro me atingiu com surpresa. Eu me senti atônito por um instante enquanto ela me abraçava e passava os braços ao meu redor, apoiando sua cabeça em meu peito, derramando lágrimas atrás de lágrimas.
Eu a puxei para mais perto e deixei que derramasse todas suas angústias. Passei a mão em sua cabeça e brinquei com seus cabelos lisos e macios. Deixei que por pelo menos uma vez ela percebesse que eu nunca a abandonaria. Que na verdade, era eu quem a amava. E não me importava se o que ela sentia não era da mesma forma. Talvez eu gostasse de sofrer, de ser torturado.  Mas qualquer coisa valeria a pena se ela continuasse do meu lado.
- Eu amo você também, minha Bibi.  – as palavra deixaram minha boca num murmúrio desolado.
Eu só esperava que um dia, não importa quando, ela entendesse o real significado daquelas palavras.

Nota da Autora: Desculpem os erros. Xx


segunda-feira, 14 de julho de 2014

2ª Temporada 51º Capítulo

Especial de Dia dos Namorados (Só um mês atrasado) Parte 1 


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Niall POVs

Assim que pisei em seu gramado, mandei uma mensagem para Gabriela pedindo para que ela abrisse a porta. Esperei pacientemente que ela me respondesse. A garota foi bem delicada ao dizer "a porta tá destrancada, se vira", me fazendo arquear as sobrancelhas e rir. 
Porém, ao contrário do que ela escreveu, a porta não estava destrancada. O que me rendeu vários minutos procurando a chave reserva, que no fim da história estava embaixo do capacho da frente. Clichê demais. 
Assim que passei pela entrada, o gato de Gaby já estava miando e trançando as minhas pernas enquanto eu tentava ir até a cozinha.
Infelizmente, ou talvez felizmente, eu não tinha nada que o bicho fosse gostar.
Deixei as coisas que tinha comprado ali e segui escada acima até o quarto de minha amiga, qual podia se escutar o barulho da televisão bem baixo, como se fosse um ruído.
- Toc-Toc? - Empurrei sua porta entreaberta, a encontrando amontoada debaixo do edredom estampado azul escuro. - Posso entrar? 
- Você entraria mesmo que eu dissesse que não. Já fez isso invadindo minha casa. - Sua voz estava grogue, seu cabelo todo bagunçado e ela ainda de pijama com o controle remoto na mão olhando para a TV com tédio evidente. 
- Foi bem fácil, na verdade - Comecei a me dirigir até ela. - Principalmente pelo fato da sua falta de criatividade por colocar a chave embaixo do tapete.
- Reclame com Louis. Foi ideia dele. - O único movimento que ela fez foi apertar o botão do controle. 
Comecei a ficar um pouco sem graça por ela não estar prestando a mínima atenção em mim. E suas frases diretas me fizeram pensar por um milésimo de segundo, que talvez ela não quisesse ninguém por perto.
- Bibi, você não vai levantar da cama? - Dei mais dois passos pra frente.
- Não. Sou casada com ela agora. - Então ela desligou a TV e jogou o controle remoto em algum lugar do seu lado.
- Certo, foi você quem pediu. - E antes que ela ao menos pudesse fazer sua cara de confusão, me atirei sobre ela.
- Niall, seu gordo! Sai de cima de mim! - Gaby provavelmente estava tentando me bater, mas a única coisa que eu escutava era o som abafado de suas mãos batendo do edredom. 
- Você que começou sendo chata e antipática. - Me justifiquei sem mudar minha posição. - Esse é o seu castigo. - Abri um sorriso sem mostrar os dentes.
Gaby então começou a falar um milhão de coisas ao mesmo tempo se balançando igual a uma louca, me fazendo gargalhar por suas ações. A garota era tão fraca que as vezes chegava a ser cômico.
- Você tá me esmagando, droga! - Disse por fim, jogando os braços no colchão. - Nialler, eu tô sem ar!
Percebi que ela não estava mentindo e me apressei em tirar meu peso dali. Ela respirou fundo assim que fiz isso, parecendo querer pegar todo o ar do quarto só para ela de uma única vez.
- Se queria me matar sem oxigênio, podia ter usado o travesseiro, talvez fosse mais rápido. 
- Nossa, que bicho te mordeu hoje? - A olhei incrédulo.
- Um bicho chamado "vida". - Gaby revirou os olhos, cruzou os braços e me olhou pela primeira vez desde que cheguei.
- Seguinte - Comecei a falar tomando impulso para me levantar. -, vamos sair dessa cama. 
A olhei firme e impassivel. Gabriela permaneceu no mesmo lugar sem se mexer. Ponderei a ideia dela ter virado uma estátua de cera em trinta segundos, mas no fim das contas, ela era apenas uma pessoa muito teimosa, que estava fazendo birra.
- Já disse que estou casada com ela, Nialler! - ela remexeu os braços impaciente.
- Deixa de ser sedentária, garota! - puxei o edredom de cima dela, que fez um grande bico olhando para o meu rosto.
- Me dê um bom motivo pra isso. - Me desafiou e eu lancei um sorriso malicioso.
- O prazer da minha companhia! - Estendi a mão para ela pegar, qual ela recusou com um olhar que praticamente dizia "não seja idiota".
- Um motivo de verdade! - Enfatizou a ultima palavra e eu me permiti revirar os olhos da mesma forma que ela.
- Eu deixo você escolher o filme. - Disparei em sua direção. 
Gaby se contentou em bocejar e se aconchegar de novo, encolhida na cama.
- Não estou convencida. 
- Eu trouxe o café da manhã. - Dei de ombros.
- Vamos descer.
Mais rápida que seus próprios pés estavam acostumados, ela se prontificou a descer de dois e dois degraus, saltando como se a gravidade não fosse nada até a cozinha, onde ela provavelmente pensou em encontrar a provável comida que eu havia trazido. E ela estava certa de onde procurar.
Se eu tivesse imaginado que apenas dizer sobre as compras na Starbucks já a teria feito levantar como se a casa estivesse pegando fogo, teria feito isso assim que pulei encima dela.
- Que bom que você trouxe cappuccino, é o meu preferido! - sua voz invadiu meus ouvidos mesmo antes de adentrar o ambiente da cozinha.
A encontrei sentada encima da bancada, segurando o copo térmico com as duas mãos perto do rosto. Não entendi exatamente o motivo para ela se sentar ali se na cozinha tinha pelo menos quatro bancos de frente para o balcão. Mas depois de anos de convivência, você aprende a ignorar certas manias.
- Eu sei, por isso comprei – Não seguindo seu exemplo, puxei o banco que estava em sua frente e me sentei ali, pegando um dos muffins e o café em seguida.
- Obrigada. - Foi sua resposta, seguida pelo primeiro sorriso que ela me dirigiu naquele dia. Nos contentamos então de comer o que seria nosso café da manhã. Segundo meu, na verdade.
Comemos em silêncio por algum tempo. Eu evitando de olhá-la por muitos segundos seguidos, e ela balançando a perna, batendo o calcanhar no azulejo contínuas vezes até terminar o muffin e permanecer apenas com a bebida em mãos, ainda com um pouco de vapor, saindo de dentro do copo.
- Sem querer ser mal educada, mas o que você veio fazer aqui? – Indagou insegura. Percebi pela forma que movimentou os ombros e balançou a cabeça. 
- Ah, você sabe. A escola tá muito, muito chata. - tente manter minha expressão séria, passar desinteresse, mas como sempre, o olhar dela apenas mostrava o que ela não dizia.
- Fala sério, Niall! 
- Tô falando! - Me justifiquei.
- Isso é realmente muito patético. - Bufou, cruzando as pernas ainda sem sair do lugar.
- Legal você hoje, hein? - Tomei um gole da minha bebida e não a olhei, mas senti seu olhar sobre mim, e soube que revirou os olhos, se sentindo culpada.
- Desculpe, Duende... - De novo mudou o modo que estava sentada, passando a sacudir a perna direita e sentar sobre a esquerda. - Só estou um pouco mal humorada.
- Um pouco? - Arqueei a sobrancelha usando o sarcasmo em minha voz, numa tentativa de melhorar o humor dela.
- Cala a boca... - Sorriu abertamente me chutando de leve. 
- Nossa! Pensei que fosse demorar o dia todo pra conseguir ver esse seu sorriso.
- Ah, me poupe, Niall! Não conheço ninguém que consiga acordar de bom humor, e eu não tenho que ser exatamente essa exceção. - Protestou com os olhos semicerrados, levando o copo em frente a sua boca, esperando minha resposta. 
- Ok, você está certa. Não está mais aqui quem falou. - Levantei minhas mãos na altura dos ombros, em modo de rendição.
Ri com minha própria atitude.
- De verdade, Nialler, o que veio fazer aqui? Sei que não é por causa da escola. - Suas palavras saíram tão baixas, quase que murmuradas.
Respirei fundo, soltando o ar fazendo mais barulho do que realmente era necessário, e esse gesto fez com que ela me olhasse atentamente. 
- Queria saber como você estava. - Aproveitei o intervalo entre o que eu falava para pegar outro muffin grande. - Não falava com você desde... você sabe, do que aconteceu na escola outro dia.
- Ah, que fofo! - Ela levou a mão livre para o coração, fazendo cara de comoção. - Você ficou preocupado comigo!
Senti minhas bochechas corarem. Qual é? Desde quando eu ficava com vergonha do que alguém tinha dito?
- Não se sinta muito importante, Tomlinson, eu não falei nada disso! - Me defendi automaticamente.
Gabriela mais uma vez riu mostrando todos os dentes e jogando a cabeça levemente para trás.
- Hã-hã, Horan. Vou me fingir de desentendida. 
Mais vários minutos se passaram em silêncio até terminarmos nosso segundo muffin, que eu poderia dizer estar simplesmente divino, mas mantive a boca cheia deles, porque falar isso iria soar muito gay.
Finalmente a comida tinha acabado. Pelo menos aquela que eu havia comprado antes de visitá-la. 
Eu estava me sentindo estranho. Não era usual Gabriela se manter em silêncio durante tanto tempo. Na maior parte do tempo nós simplesmente falávamos. Ponto final. Não tinha assunto específico, as coisas simplesmente saiam e nós não parávamos quietos. Mas desde Erick sendo preso, ela havia se fechado. Não falou comigo desde então. Nossas conversas haviam se tornado tipos de monólogos, e eu sabia que eu não era o único. 
Kemelly a havia visitado ontem junto de Marie, mas as garotas apenas ficaram no quarto dela e assistiram a um filme cujo nome é irrelevante. Ela estava quase vivendo a frase “Enjoy the silence”.
Louis estava com seus próprios problemas, e eu tive certeza de que ele não teria notado nada de diferente. Era patético o fato de eu achar que tinha algo errado por ela estar menos falante, mas era a verdade.
Ela talvez conseguisse esconder de muitos, mas eu a conhecia bem demais para simplesmente aceitar suas atitudes de agora. Gabriela sabia que eu estava ali para entender o que estava acontecendo, e mesmo assim se mantinha calada.
Bufei irritado, levando as mãos até minha cabeça para passá-las sobre meu cabelo.
- Pode começar a falar. - Fui direto e reto olhando para ela.
- Er... Falar o quê? - Me olhou como se não tivesse entendido do que se tratava.
- Gaby, eu vou ser bem claro. - Pigarreei fazendo com que ela baixasse os olhos e apoiasse suas mãos na lateral da bancada. - Você fala igual a uma matraca, mas parece ter perdido essa habilidade  desde anteontem, então, você não me engana! 
Como se qualquer coisa idiota que eu falasse a fizesse rir, o som da sua risada tomou conta da cozinha e ela pareceu ficar mais alegre. 
- Niall eu já disse que tô bem!
- Então por que não foi pra escola hoje? - As palavras saíram antes que fosse possível ela dar mais uma de suas gargalhadas.
Quando ela bufou, eu soube a resposta.
- Louis não te disse? Eu não estava bem. - desceu de onde estava sentada, ficando praticamente da minha altura. - Será que agora podemos assistir um filme? 
- Claro, se você puder parar de fingir e me contar tudo depois... - fiz a proposta e esperei que Gaby respondesse.
Com os olhos passando por cada traço de mim, ela manteve a boca em uma linha reta e o corpo imóvel. Assentiu com a cabeça ainda sem fazer qualquer som. Ela estava com medo de falar o que não devia.
Me olhou uma última vez e seguiu para a sala, decidida a ver o tal filme.
Me sentei ao seu lado assim que Gabriela colocou o play, ainda em silêncio. A olhei por completo, vendo seus dedos inquietos sobre sua perna e suspirei quase aliviado.
Não precisei pedir nenhuma confirmação de que ela iria realmente falar comigo depois. Sabia disso apenas pelo modo que ela me olhou, eu sabia qual seria seu próximo passo.

Liam POVs

- Sabe, acho que eu poderia me acostumar com esses chocolates... - Foi o comentário de Kemelly ao meu lado que se entupia de bombons enquanto assistíamos a um filme na sala de minha casa.
- Eu também podia me acostumar com todo o chocolate que você me deu, mas preciso de outras coisas além disso pra sobreviver. - disse enquanto arrumava a almofada que eu estava encostado. 
Eu não fazia o tipo de cara que apoia as pessoas que matam aula, e principalmente, sabia que Kemy também não. Mas por algum motivo, ainda desconhecido por nós dois, nos fez passar a manha inteira, variando entre sentar no tapete ou no sofá, nos enchendo de chocolate, ou como diria Kemelly, bombas calóricas que não trariam bons resultados no final.
Mas a academia tá aí pra isso. Sempre ajudando quem precisa.
Percebi que kemelly me encarava, dessa vez mordendo a ponta de um kit kat.

- Quais outros tipos de coisas você precisa pra "sobreviver"? - Ela enfatizou a ultima palavra, com cenho franzido e balançou a cabeça levemente para os lados. Disfarçadamente ri de sua atitude, antes de virar minha cabeça para que pudesse vê-la direito. - Provavelmente uma das mais importantes é o seu beijo. - Fiz um grande bico enquanto me aproximava dela, mas ao contrário do que eu esperava, kemelly começou a gargalhar.
Certo, qual a parte engraçada que eu deixei passar?
- Que foi? – Perguntei deixando a confusão tomar conta do meu rosto.
- Primeiro: como você é interesseiro, Liam! Segundo: Que cantada ruinzinha, pegou ela com o Harry?
A acompanhei rindo dessa vez, afinal, Harry provavelmente um dia já usou aquela frase, se não, ainda vai usar.
- Eu não sou interesseiro. – Resolvi optar por defender a mim mesmo.
- Hã-hã. – Minha namorada me olhou com uma sobrancelha arqueada, e virou o rosto para frente, me ignorando por completo.
Pensei pelo que pareceu dois segundos e me dei por vencido.
- É, talvez eu seja mesmo um pouco. - Dei de ombros, puxando-a para perto para beijar sua bochecha. Coisa que ela nem contestou. O barulho da fechadura da porta sendo aberta nos alertou que alguém havia chegado. Esse alguém, muito provavelmente, era uma garota chamada Helena, que além e ser a única moradora da casa além de eu, hoje parecia ter tomado dois litros de café logo depois de pegar a correspondência. Situação atípica, já que o sol da manhã, ao contrário do que deveria fazer com que ela sorrisse e agradecesse pela vida, só fazia com que seu mau-humor se propagasse por cada canto de seu corpo. 
- Olha se não são aqueles que faltaram na escola hoje! - Lena falou alto o suficiente para que pudéssemos escuta-la mesmo separados por um grande cômodo. - Trouxe o Zayn comigo!
- E aí? - Ele falou apenas para dar um sinal de vida.Imaginei que seu aviso nada mais tinha sido do que uma forma de me impedir de fazer qualquer comentário desnecessário. 
- Podem continuar fazendo o que estavam fazendo! - Helena voltou a falar um pouco mais alto, começando o trajeto para o segundo andar. Eu sabia disso, pois era possível escutar muito claramente os seus passos apressados e duros contra o assoalho dos degraus. - Mas não se empolguem muito! Ainda sou muito nova pra ser titia!! Juntei as sobrancelhas um tanto quanto indignado e pausei o filme. 
- E vocês tentem não ser muito barulhentos, nós aqui embaixo temos a audição muito, muito boa! - Arregalei os olhos, ainda perplexo e virei meu rosto pra Kemelly. Escutei risadas controladas vindo do andar de cima. 
- Você é doida. - Disse por fim.
- Oras, quem começou foi ela! Só dei o troco. - Deu de ombros, tomando o controle da minha mão e tirando o filme da pausa enquanto mordia mais um Kit Kat. Já estava nos créditos finais quando escutamos a porta da frente bater. Ninguém falou nada, mas a resposta óbvia era que Zayn e Helena tivessem saído para sabe-se lá onde, fazer sabe-se lá o quê.Vendo que não tinha outro filme no mínimo decente passando na TV, ou qualquer série que gostássemos um pouquinho, me virei completamente para minha namorada. - E agora você quer fazer o quê? Ela também se virou, assim podendo me olhar por inteiro. - Você quem decide, meu anjo. – Foram as palavras que ela disse antes de deitar a cabeça no meu peito. - Por que não vamos dar uma volta em algum lugar? - Propus a ela, quase animado.
- Não. Gosto de ficar de bobeira com  você. – Negou, mexendo os lábios em uma careta. 
- E acho que você poderia cantar pra mim. É mais legal. - Sua risada saiu abafada contra a minha camisa. 
- Qual música você quer que eu cante? - Suspirei contra o topo de sua cabeça, começando a passar a mão pelo seu cabelo.Kemelly pensou por alguns poucos segundos, sem deixar claro o que se passava em sua mente, mas quando mexeu a cabeça, soube que ela já tinha decidido. 
- Aquela que você anda murmurando pelos cantos. Pensei e pensei tentando descobrir de qual música ela falava, mas eu simplesmente não fazia ideia de qual era. Por que na verdade, eu murmurava muitas músicas para onde quer que eu fosse, mas não significava que eu tinha uma lista sobre elas.
- Hm, Kemy? Não sei do que você está falando. – Fui sincero, tentando manter longe a minha expressão de confusão que tinha por todo meu rosto. Ela levantou a cabeça até poder me olhar parcialmente. 
- Eu sei que é aquela que você pediu opinião para o Zayn um dia desses. Naquele dia que você não parava de escrever no fim do seu caderno. Ah, aquela música. 
- Não sei se é uma boa ideia, anjo. A música não está pronta ainda. - Tentei justificar. 
- Deixe de ser chato, Liam! - Começou ela se afastando por completo. - Escutei a melodia, por que não posso saber da letra? 
- Era pra ser uma surpresa minha e dos outros. - Mais uma vez tentei argumentar. Só que eu estava saindo muito ruim nessa categoria.  - Não fiz mais que um verso, Kemy...
- Não me importo se tenha sido só uma frase, quero escutar mesmo assim. - Disse convencida, me deixando sem saída. Levantei preguiçosamente, reclamando um pouco pelo pescoço dolorido e me dirigi em direção à escada para pegar o violão no meu quarto. Não demorei mais que cinco minutos, mesmo que minha real vontade fosse demorar horas. Mas eu sabia que se eu não fosse até Kemy, ela viria até eu. Ou seja, era quase que o ditado popular “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.
 Assim que me sentei no sofá, kemelly se mostrava totalmente interessada no momento que eu fosse começar a tocar.
- Primeiro de tudo - Comecei a dizer. -, tocar violão não é comigo. É por isso que a parte da melodia foi coisa do Niall. Mas como não é ele aqui, a chances de eu ferrar com tudo são bem grandes. Então não ria, ok? 
Kemy sorriu abertamente e negou com a cabeça, talvez ignorando o que eu tinha acabado de falar pra ela.
Decidi que ia tocar e cantar apenas a parte que eu havia feito. A parte que eu tinha me inspirado nela. A dos outros garotos, se é que eles tinham escrito alguma coisa, eu deixaria para eles cantarem, tocarem, enfim. Eu faria só a minha parte. Egoísta, eu sei.
- Começa logo, Liam! – Ela me pediu mais uma vez impaciente. No segundo seguinte eu já estava procurando as notas certas no violão. 


I know you've never loved
(Eu sei que você nunca amou)
The crinkles by your eyes
(As rugas nos seus olhos)
When you smile,
(Quando você sorri)
You've never loved
(Você nunca amou)
Your stomach or your thighs
(Seu estômago ou suas coxas) 
The dimples in your back
(As covinhas em suas costas)
At the bottom of your spine
(Até o fim da sua coluna)
But I'll love them endlessly
(Mas eu as amarei para sempre)

Parei a música na metade, terminando os versos que eu tinha escrito. Levantei os olhos para Kemelly e a encontrei com a boca entreaberta, o que em minha opinião, informava que ela estava, talvez, extasiada. 
- Foi você quem escreveu? - O timbre de sua voz estava tão baixo que fazia parecer que ela estivesse contando algum segredo. Afirmei, balançando a cabeça para cima e para baixo, esperando quais seriam as próximas palavras que ela usaria.
Enquanto pacientemente eu esperava que ela opinasse meus dons artísticos, ela estava ali, pulando em cima de mim, fazendo com que o violão fosse parar num ponto um pouco distante de nós, para que ela pudesse me abraçar forte, da maneira que eu estava fazendo. 
- Você e incrível Liam! Eu amei! - Sua voz saiu abafada contra minha bochecha, quase como um sopro. Eu a apertei contra mim da mesma forma que ela estava fazendo, até que nós dois acabamos nos desequilibrando e caindo no chão, eu embaixo e ela encima. Essa situação acabou nos rendendo boas gargalhadas. 
- Fico feliz por você ter gostado, mas tenho que lhe avisar que você estragou a surpresa que íamos fazer. - Comentei enquanto ela ainda estava encima de mim. Parecia, aliás, que não ia sair assim tão cedo. 
- Eu posso treinar algumas caretas e fingir que não sabia nada sobre a música. - Ofereceu ela ainda sorrindo. - Mas só se você quiser! Se não vou esfregar na cara das minhas amigas que fui a primeira a escutar! – Kemy ameaçou, arqueando uma sobrancelha e tirando os fios de cabelo que caiam na frente de seu rosto e consequentemente no meu também.
- Não! Não faça isso. – Me prontifiquei a falar. Os garotos iam me dar uma bela de uma bronca se ela aparecesse falando sobre isso.
- Tô só brincando, seu bobo. – Tentou acalmar minha expressão de desespero, até que por fim ela encaixou a cabeça na curva do meu pescoço. 
- Obrigada de verdade. 
- Eu que deveria agradecer por me dar a inspiração. – Retruquei, ainda a abraçando. Eu gostava do jeito que estávamos. 
- Você tá me deixando sem graça. – Murmurou sem mostrar o rosto. 
- Deixa eu ver duas bochechas coradas? 
- Você é um chato!! - kemy falou começando a rir. 
- Sou apaixonado por você, isso é diferente. - Tentei me explicar no momento em que ela me olhou. 
- Então eu tenho uma boa notícia pra você. - Arqueei uma sobrancelha. - Eu também sou apaixonada por você. 
E foi a ultima coisa que ela disse antes de encostar seus lábios nos meus.




Mary POVs

Tudo muito estranho. Tudo muito suspeito.Lá estava eu, no shopping com Tomlinson impaciente ao meu lado no banco no meio do corredor. Apesar do silêncio, que não me incomodava, Louis parecia estar hiperativo por causa disso! Não parava de balançar o pé freneticamente por dois minutos, e às vezes, além da aparência de seu calçado estar tomando um choque elétrico constante, seus dedos pareciam ter vida própria. Eu não estava conseguindo lidar com isso.Eu contava os minutos para que finalmente o amigo de Lou chegasse e pudéssemos logo fazer alguma coisa, por que ficar parada não era algo que eu realmente gostava, principalmente quando eu havia tomado três xícaras de café e comido vários bombons de chocolate há pouco tempo antes. Ah, e tinha também o energético que tomei quando passei em casa. Certamente eu conseguiria passar o dia todo dançando até ter um colapso.
Olhar o movimento das pessoas indo e vindo, rindo, falando, gargalhando, compartilhando sacolas e mais sacolas me trazia boas lembranças. Coisas agradáveis que não tanto tempo atrás eu fazia com meus amigos. Por que era exatamente isso que um bando de adolescentes ia fazer num shopping. Comprar coisas e rir de tudo.Suspirei com meus pensamentos. Tentador demais. Podia ouvir meu cartão de crédito chamar pelo meu nome e produzir uma luz que atravessava a carteira e a bolsa, chamando minha atenção e... NÃO! Hoje eu tinha que estudar e por meus neurônios para trabalhar, tirar boa nota naquela maldita prova e ser alguém na vida. Cadê aquele garoto desgraçado pra encher meu cérebro de coisas inúteis? Quer dizer, úteis!
- Lou? - chamei-o virando meu rosto em sua direção.
- Hm?
- Essa uma hora de atraso da parte dele, era pra acontecer? - Meu amigo cruzou os braços e bufou em desinteresse, Fazendo meus lábios ficarem em linha reta.
- Na verdade não. - Foi sua resposta nada esclarecedora. 
Assenti com a cabeça, cruzando os braços da mesma forma que ele. E ficamos os dois assim até o telefone de Louis tocar.
- Fala, cara. Cadê você? - Talvez tenha sido pela pergunta óbvia e direta, todavia, percebi que Lou falava com seu amigo só alguns minutos atrasados. 
Ok, minha ironia estava tão hiperativa quantos os pés de Louis, qual agora o faziam andar de um lado para o outro na minha frente.Quando ele desligou o celular, tive quase certeza que vi a sombra de um sorriso passar por seus lábios, mas quando bufou em seguida e parou  em minha frente, me encarando sem expressão definida, achei que toda a cafeína no meu corpo estava me fazendo ter alucinações.
- E então... - O incentivei a falar.
- Ele não vem. Teve um problema. - Dessa vez fui eu quem bufei, rolei os olhos e levantei com raiva.
- Qual é? E agora, o que eu faço? - Bati as mãos na lateral do meu corpo fazendo um bico gigante.
- Sem estresse, por favor, Mary. - Louis se sentou no mesmo lugar que estava antes e passou a não nos cabelos, os deixando um tanto bagunçados.
Enquanto ele estava ali, com os cotovelos apoiados nos joelhos, me olhando como se tentasse arrumar um jeito de me ajudar, me fez  perceber como ele estava totalmente beijável, lindo. Balancei a cabeça com a tentativa de me livrar desses pensamentos. Hoje eu tinha que estudar! Porque será que meu cérebro conseguia pensar em tudo menos na porcaria da matéria de Química? Isso já tava ficando osso.
- Olha, por que não fazemos o seguinte... - Foquei minha visão em seu rosto. - Eu te ajudo, se você quiser.
Desde quando Louis Tomlinson é assim tão solidário com os demais seres humanos? Pisquei várias vezes antes de concordar levemente com a cabeça, ainda com dúvida no olhar.
- Ótimo. - Ele se levantou e agarrou minha mão, arrastando-me para só Deus sabe onde dentro daquele shopping.
Empaquei no meio do caminho, fazendo-o me olhar estranhamente. Continuava lindo do mesmo jeito.
- Sério que tem que ser agora? - Perguntei com a voz embargada pelo tédio e contragosto.Louis abriu um sorriso divertido, o que fez consequentemente com que eu sorriso também.
- Você não tá nem um pouco a fim de abrir um livro, né?
- Não desde que eu olhei a vitrine de sapatos. - Dei de ombros, já que aquela vontade de estudar Química já tinha se esvaído do meu corpo desde que eu pisei na escola no primeiro dia de aula desse ano.
Decidi que se meu cérebro não conseguia se concentrar nesses números que eu precisava, então ele ia se focar nos números das etiquetas que eu iria olhar. Claro, se Louis ainda quisesse me acompanhar, porque ficava meio difícil fazer isso com ele rindo, descontraído, sem olhar para um lugar preciso.Até que tudo perdeu a graça e seus olhos se prenderam em mim.Ficamos um tempo nos encarando. Mordi o lábio inferior, sem ter nada a dizer. Louis deixou sua boca em uma linha reta assentindo levemente com a cabeça.
- Quer ir ao cinema? - Perguntou.
Não precisei pensar no que responder.
- Claro - Disse eu já virando os calcanhares em direção ao cinema, junto de Louis, que vinha logo ao meu lado rumo ao filme que ainda íamos escolher.

Zayn POVs


A partir do momento em que a aula chegou ao fim, Helena me arrastou para a casa dela sem deixar que eu me despedisse dos meus amigos, o que me renderia uma bela de uma explicação para eles mais tarde.Não que todos eles se importassem com meu desaparecimento repentino, mas esse desaparecimento repentino com Helena era uma história totalmente diferente. Pelo menos para eles. 
Afundei em sua casa, cumprimentando Liam e Kemy antes, seguindo para o quarto dela logo depois. Helena fez com que eu opinasse todos os dezessete conjuntos de roupa que ela experimentou, e não pararia até que achasse a roupa perfeita. E apesar de todas serem legais, eu achava que ainda ia demorar um certo tempo até que minha opinião realmente importasse ou que ela se sentisse satisfeita com alguma das mil roupas dentro do seu armário. 
- O que acha desse? - Sentado, com as mãos na cabeça, a olhei com uma roupa diferente pelo que parecia a centésima vez. 
- Ah, sei lá. - Observei sua blusa decotada e fiz uma careta. - Não acha que seus... Amiguinhos ficam muito protuberantes nessa roupa?
Helena abaixou o olhar para seu próprio corpo, obviamente confusa e depois me olhou um tanto incrédula. 
- Tá falando dos meus peitos? - Não acho que ela tenha ficado feliz com meu comentário. 
- É... Na verdade tô sim, Lena. - Comecei a procurar palavras que pudessem me justificar. - Não que a roupa não seja bonita, na verdade é sim, como todas as outras, mas seus... er... Melões? Não sei. Ficam muito chamativos. 
Esperei que ela respondesse, mas ela apenas me olhava com as sobrancelhas juntas, incrédula e com a boca entreaberta. Piscou várias vezes antes de finalmente voltar a falar comigo: 
- Qual seu problema com a palavra "peitos"? - Começou a gesticular e eu não sabia o que responder. - Não fique dando apelido para os meus peitos!
- Fiquei sem graça de falar diretamente! - tentei me defender, outra vez, mas definitivamente não foi algo que pareceu funcionar, de novo. 
- Então da próxima vez diga simplesmente que você não gostou da blusa! - Falou no intervalo de tempo em que ia pro armário e pegava outra roupa. 
- Ótimo, então eu não gostei da blusa! 
- Perfeito, vou me trocar outra vez. - E se enfiou no banheiro logo em seguida. 
Esperei pelos próximos dois minutos ali, estático. E também esperei do fundo do meu coração para que dessa vez a roupa fosse definitiva! Nem eu tinha tantas roupas assim. Será possível que o armário dela era tão grande? Ou era algo no estilo de Nárnia, com fundo falso que virava outra sala que ela estava escondendo? Antes de poder repreender-me por pensar algo tão idiota, Lena já estava ali na minha frente.
- O que achou? - A olhei dos pés a cabeça. 
- Perfeita. – Felizmente, não havia dito isso só para que pudéssemos sair logo dali. Era exatamente assim que Lena estava. 
- Como você é puxa saco, vou entender isso como um "bonita". - Revirei os olhos. Eu não estava bajulando-a. 
- Vamos? 
E com ela calçando seu sapato em seguida, fomos do seu quarto, direto para o carro, seguindo para aquela mesma agência que tempos atrás já havíamos ido.

***

- Helena Payne? - Uma mulher de meia idade, bem vestida e com aparência de rica, a chamou detrás de um grande balcão de mármore, com placa de vidro no topo, cheio de computadores e outros um milhão de objetos para a mesma e outras várias mulheres posicionadas lado a lado, trabalhassem.
- Sou eu. - Lena se levantou com pressa até parar de frente com a tal mulher, que de um segundo para o outro havia colocado um óculos Ray Ben preto.
Nos medindo dos pés a cabeça, tomou fôlego para falar:
- Seu primeiro trabalho vai ser para a propaganda de alguns óculos escuros, ok? Sala sete, pode seguir. Vão te explicar melhor as coisas por lá. - Direta e reta a mulher explicou enquanto digitava qualquer coisa insignificante no laptop que tinha sobre seu balcão.
Perdidos dentro daquele lugar, saímos à procura da tal sala sete, que quando achamos, não devia ser de jeito nenhum chamada de sala. Aquele lugar era enorme! Metade da minha casa cabia dentro daquele lugar! Um estúdio, talvez?
Precisei piscar várias vezes pra conseguir acreditar o que uma portinha tão pequena como aquela podia esconder por dentro. Mas percebi que aquele tamanho exagerado não era para apenas uma coisa. Tinham câmeras para todos os lados, pessoas se movimentando sem parar. Algumas com cabides, outras com caixas, sem contar os fotógrafos, que pareciam brotar das paredes.
Helena, quem segurava minha mão, tinhas os olhos brilhando, faiscando de tanta felicidade, entusiasmo e emoção.
- Você é a senhorita Payne? – Fomos surpreendidos por uma mulher alta, com um rabo de cavalo bem preso no topo de sua cabeça, e cinto mil e uma utilidades preso em sua cintura, que tinha todo o tipo de pincéis que um ser humano normal pode conhecer.
Talvez sem conseguir formular uma frase concreta, Lena assentiu com a cabeça.
- Certo, só faltava você. – Com um puxão desnecessário, tiraram Lena de perto de mim e a arrastaram para a maquiagem. Dali em diante, eu me senti um intruso.
E de repente uma correria, muitas pessoas, flashs pra todo lado começaram. Fiquei tonto apenas olhando, tentando me acostumar com tudo aquilo durante as próximas duas horas e meia.
Helena vestiu roupa, tirou roupa, experimentou dezenas de óculos diferentes, de marcas e designers diferentes, além de provar alguns que seriam tecnicamente de grau. Passaram tanta base nela, que chegou a cobrir as pequenas sardas que ela tinha debaixo dos olhos, completamente.
Em um desses momentos em que eu a observava, pensei que tivesse sido exatamente pra isso que ela havia nascido, era o seu trabalho ideal. O sonho de vida dela. E eu sabia que provavelmente ela estava pensando a mesma coisa, porque seu sorriso era constante! Não era falso, por pura educação ou de atuação como o de algumas outras garotas ali. Era totalmente natural, e isso fazia com que ela se destacasse e ficasse ainda mais linda! Totalmente diferente das outras.
Quando dei por mim, lá vinha ela em minha direção, com aquele mesmo sorriso que eu não conseguia tirar do meu pensamento momentos atrás.
- Zayn, isso aqui é incrível!!! Eu tô no paraíso! Num sonho em vida real!
Senti que ela queria dizer muitas outras coisas, mas não conseguia encontrar as palavras certas para descrever e isso estava bem explícito em seu rosto.
Eu tentava, da mesma forma que ela, achar um jeito de falar como eu estava feliz por simplesmente vê-la feliz. E enquanto meu cérebro me dizia pra se mais homem, e eu o mandava calar a boca, porque eu queria abraça-la e dizer que ela se encaixava ali, fomos interrompidos por um homem (seria ele homem mesmo?), que com apenas um "hey" havia parado todas aquelas dezenas de pessoas.
- Preciso de uma substituta, agora! – Falou com a voz fina e expressão de desespero.
Esse simples gesto fez muitas pessoas, e eu digo muitas mesmo, se amontoaram ao redor dele falando todas sem parar, andando com pressa evidente assim que o mesmo abanou a mão.
Em outras palavras, eu não estava entendendo nada.
Mais rápido do que um dia eu fosse me acostumar, puxaram Lena por um braço, pegando-a de surpresa, e me deixando surpreso. Outras duas garotas também foram devidamente arrastadas para fora da sala.
E sem outra escolha, eu a segui para só Deus sabe onde.


Harry POVs

Decidi que hoje eu iria me encontrar com Leticia, esperando que ela me contasse o que estava acontecendo de tão preocupante para ela se afastar tão rápido de todos os seus amigos, inclusive de mim.
Segui para a sua casa, cantarolando uma das músicas que eu e os outros caras estávamos compondo. Sim, estávamos levando bem a sério esse negócio de banda. Principalmente quando temos mais uma etapa para se passar daqui a poucos disas.
Toquei a campainha, esperando a governanta abrir a porta, mas ao contrario do que eu achava, lá estava Lucca, com a mesma cara de tédio que tinha toda vez que me olhava.
- Ah, é você... - Foi o que disse antes de tentar fechar a porta na minha cara. Coloquei meu pé no vão entre ela e o batente.
- Qual é? Eu só vim aqui falar com sua irmã! - Cansado de discutir com aquele garoto, bufei irritado.
- É exatamente por isso que eu não quero deixar você entrar. - Se justificou, me fazendo revirar os olhos.
- Não entendi o que uma coisa tem a ver com a outra.
- Só vai embora daqui, ok? - Me empurrou, não sendo eficaz na tentativa, e me olhou como se quisesse que eu desaparecesse.
- Caralho! Será que você pode sair da minha casa?
- Não até eu falar com a Leticia. - Fiz força, empurrando a porta contra ele. - O que é isso? Algum tipo de complô para eu não vê-la?
- Nossa! Finalmente você entendeu. - Me encarou com os olhos arregalados. - Só não é mais burro por falta de espaço!
- Falou o cara que repetiu de ano na matéria de Artes!
- Hey, o que tá acontecendo aqui, caramba? - Uma voz conhecida nos tomou de surpresa. Infelizmente essa voz não era de Leticia.
- Esse cara idiota com ninho de pássaro na cabeça tá tentando invadir nossa casa. - Lucca destorceu a história toda, sem ligar a mínima se eu estava ali pra me defender.
- Eu já disse que só vim aqui ver a Leticía! Puta que Pariu, o que eu fiz de errado com essa família? - Balancei os braços em confusão, tentando encontrar a parte da história que eu tinha perdido.
- Olívia, faça algo que presta e manda esse... projeto de homem embora!
- Lucca, cala a boca! - A garota gritou em tom de cansaço, não parecendo nem um pouco com a garota vingativa e maléfica que eu via em tempo integral.
- De que lado você tá, garota esquisita? - O irmão dela a olhou incrédulo, pedindo por uma explicação que não viria.
- Ignora ele. - Se dirigiu a mim. - A Lelê tá no quarto dela. - Puxou o garoto pela camiseta, abrindo espaço para que eu entrasse. - Você sabe o caminho.
- Será? Talvez ele precise de um mapa pra subir as escadas. - Lucca resmungou mais uma vez. Me limitei a contar mentalmente até dez e não agredir o irmão da minha namorada. Isso provavelmente não pegaria bem, mesmo que ele merecesse alguns socos.
- Valeu, Olívia. - A Agradeci, pelo que parecia ser a primeira vez na vida, e a passos largos segui para a escada.
- Sabe que a Leticia vai querer te matar, não sabe? - O cara que eu queria bater se dirigiu a irmã, que permanecia de costas para onde eu estava indo. Não era a intenção deles que eu escutasse.
- Como se ela já não estivesse louca pra isso...
Virei o corredor e encontrei sua porta entreaberta. Uma música consideravelmente alta invadiu meus ouvidos, e pensei que talvez ela estivesse procurando por algo nov para tocar na guitarra. Pensando bem, hoje não seria dia de aula dela?
Pensei em bater, mas mesmo se fizesse, seria ignorado, pois ela provavelmente não escutaria. Resolvi então apenas entrar e a receber com um "surpresa!".
Sem outra opção melhor para o momento, foi isso mesmo que e fiz. Mas sem aparte do surpresa. Quero dizer, pra parte dela, por que quem ficou surpreso fui eu quando encontrei tantas caixas espalhadas pelo cômodo.
A encontrei me olhando assustada, surpresa e confusa. Provavelmente tinha mais alguma coisa que ela estava sentindo no momento, mas eu não pude identificar, por que a sua recepção foi tão boa quanto a do seu irmão há alguns minutos atrás.
- Harold? O que você tá fazendo aqui? - Passou por mim sem dar muita confiança e fechou a porta.
- Vim te visitar, o que mais viria fazer? - Indaguei um pouco confuso por sua reação.
Ela respirou de forma nervosa e digitou qualquer coisa bem rápida no seu computador, antes de desligá-lo.
- Por que você tá tão nervosa?
- Eu? Não to nervosa não, Harry. Impressão sua! - Me olhou mordendo o lábio inferior, e lançando um sorriso nada convincente para mim.
- Você tá nervosa sim, o que tá acontecendo com você? - Eu já começava a ficar preocupado com o que estava acontecendo. - É por causa da reforma que você tá fazendo? - Perguntei olhando ao redor, começando a fuçar dentro das caixas.
- Eu não tô nervosa, Harry. Já disse!
Ignorei suas desculpas esfarrapadas enquanto via muitas roupas dentro das caixas, sem contar uma mala meio aberta embaixo da cama. Pra ela estar guardando até as roupas deve ser uma baita de uma reforma.
- Você vai mudar todos os móveis ou só os principais? - Perguntei distraidamente, enquanto ela continuava me rodeando não gostando nem um pouco da minha presença ali. Eu realmente estava me sentindo um rejeitado.
- Quê? - Ela perguntou me encarando sem piscar os olhos.
- A reforma que você vai fazer. - Expliquei. - Quais são suas ideias?
Leticia balançou sua cabeça negativamente, ainda prendendo seu olhar no meu.
- E não vou reformar nada, Harold... - Respondeu de contragosto, e eu fiz a melhor cara de confusão que pude.
- Quê? Mas tá quase tudo arrumado em caixas? - Apontei para uma, como se tentasse fazê-la lembrar de algo óbvio.
Leticia levou as mãos ao cabelo, nervosamente, bufando e murmurando algo que eu não entendi muito bem. Tive uma sensação ruim do que estava por vir, mas mandei meu sexto sentido ir catar avião na curva.
- Isso não é pra uma reforma... - Começou me olhando com uma espécie de pena no olhar.
- Então pra que é? Tá querendo fazer uma espécie de bazar na garagem ou levar pra um brechó e... - Soltei a lista de opções, tentando achar algo que se encaixasse na situação, mas quando Lelê me interrompeu, não foi só a minha fala que ela cortou, foi como se tivesse feito isso comigo completamente.
- Eu to me mudando, Harry.

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Nota da Autora: Hey Everyone! Como estão? Como foi a copa? Como estão de férias?
Então... Antes de qualquer coisa, desculpe pelo um mês e dois dias de atraso que eu tive pra postar o capítulo especial de dia dos namorados, e por isso mesmo que ele não é mais um especial dia dos namorados. Mas enfim... Essa é a parte um - como eu já disse - de um grande (imenso) capítulo, com mais ou menos 16 páginas escritas, que ainda não foram terminadas.
Mas eu tenho duas boas desculpas para isso.
Primeira: A copa do Mundo. --> Sério, eu pensei que tivesse virado sócia dos canais de esportes, de tão vidrada que eu tinha ficado nos jogos! De repente eu sabia tudo sobre futebol. (ilusão minha, aliás) .. Mesmo com o Brasil perdendo de 7 x 1, eu continuei firme torcendo com todos que jogassem contra a Argentina! Brincadeira, eu não fiz isso. De verdade, eu queria que a Holanda tivesse ganhado, mas não foi dessa vez...
Segunda: Eu vou viajar. Aí vocês se perguntam E o que isso tem a ver? e eu respondo TUDO! Essa viagem vai ser tipo, extremamente importante na minha vida, então não dá pra ignorar! Eu ganhei ela como presente de quinze anos, mesmo que agora eu tenha dezesseis, e ela vaia acontecer em 19 dias, por isso eu to correndo igual a uma louca atrás de tudo o que eu preciso.  Eu vou pra Londres! Tenho que estar a altura!
Infelizmente meu sonho de encontrar os boys na rua não vai acontecer, porque eles vão estar do outro lado do oceano. Ou seja, nos States.
Enfim. Mal feio, feito, tá aí o capítulo, espero que tenham gostado, e eu não sei porque continuo escrevendo se ninguém comenta! Me sinto como se fizesse isso para o gasparzinho, mas no fim das contas eu sei que tem gente lendo isso, porque eu vejo na audiência do blog! (muahahaha).
De qualquer forma, obrigada a quem leu até aqui! Volto em breve com mais um capítulo! xoxox

ps: Quem viu isso?

estou in love com eles!! ><

Ass: Gabriela Pingituro : )