Tema: Futebol (óbvio)
Já que eu estava um tanto inspirada, o resultado foi esse. Tá meio sem graça, eu sei, mas é o que foi permitido para uma leiga como eu escrever sobre futebol. Mas mesmo assim espero que não esteja ruim de tudo, provável que o próximo capítulo esteja melhor. (orando pra isso)
Boa leitura para todos.
Helena POVs
Provavelmente já era dia. Tentei abrir os olhos, mas a claridade me impediu, já que a cortina do meu quarto estava aberta, permitindo que os raios de sol alcançassem meu rosto. Resmunguei qualquer coisa sem sentido e ergui a cabeça. Hm... Ainda eram nove horas da manhã. Certo, eu precisava dormir mais para recuperar as horas gastas na noite passada.
Levantei e fechei a cortina. Tinha grandes esperanças de que assim que caísse na cama, só acordasse novamente às duas da tarde, mas Liam resolveu atrapalhar meus planos daquela manhã abrindo a porta igual a um louco falando sem parar.
Tive que piscar várias vezes até minha cabeça começar a assimilar o que ele falava.
- ... meia hora pra se arrumar e estar lá. - Ele terminou puxando a maçaneta da porta, mas eu o impedi atirando uma almofada em sua direção.
- Espera, desgraça! - falei com a voz grogue.
- Mas caramba! De repente todos querem me acertar com uma almofada. - Meu primo reclamou e eu bufei revirando os olhos.
- Talvez seja por que você mereça. - Comentei.
- Dane-se! Você tem meia hora. - Novamente atirei uma almofada. - Mas que droga, Lena!
- Meia hora pra que, Liam?
- Pro jogo de futebol, o que mais seria? - Ele saiu e bateu a porta do quarto me deixando transtornada. que droga de jogo era aquele?
Levantei me arrastando, tentando prolongar o tempo que podia na cama, tapete e chuveiro. Mas no fim das contas, não tive muita escolha a não ser colocar meu roupão de oncinha felpudo, macio e gostoso. Talvez eu fosse com ele ao jogo.
- Helena, seu uniforme tá aqui. - Liam fez uma invasão relâmpago jogando minha blusa e minha saia na cama desarrumada.
- Pra que eu vou querer esse troço? - Gritei ainda no mesmo lugar.
- Se eu vou jogar, obviamente você vai ter que se apresentar. Esqueceu seu cérebro ontem na festa? - Menino retardado.
Vesti aquilo contra a minha vontade. Ver a cara de Ingrid era tudo o que eu não queria. Estava muito bem sonhando com Paris, compras e sapatos.
Eu geralmente deixava um lembrete no meu celular toda vez que tivesse apresentação. Ou meu celular estava quebrado, ou eu precisava comer mais peixe.
Indo para o banheiro, me deparei com um reflexo horrível da minha pessoa. Agradeci mentalmente a pessoa que inventou o corretivo, a base, o pó e todo tipo de maquiagem. Isso seria minha salvação hoje, amanhã e pra sempre.Não que eu fosse feia. Claro que não, eu sou bonita, mas sempre tem aquela leve olheira, aquela porcaria de espinha, ou aquele lugar legal que você tem que estar mais arrumada. Agora, por exemplo, era a primeira e terceira opção.
Passei rímel, lápis, batom avermelhado (não tipo palhaço) e amarrei o cabelo em um rabo de cavalo firme bem alto. Eu estava... Normal. Ainda bem, não queria estar no estilo exagerado de Ingrid e suas baratas.
Calcei o tênis, peguei o celular e desci as escadas. Olhei para os lados. Nada do meu primo apressado estar por perto. Dei de ombros e peguei uma banana na fruteira.
Enquanto a descascava meu celular vibrou. Ahá! Eu sabia que tinha deixado um lembrete para hoje...
- Vamos, preguiçosa! Estamos atrasados. - Nunca vi Liam correr tanto e tão rápido. Talvez estivesse se aquecendo. Pelo menos era o que parecia...
Sem muita escolha, segui Liam até o carro.
- Vamos lá. Temos um jogo para ganhar.
Marie POVs
Eu costumava me achar um ser humano preguiçoso, mas mesmo dando uma festa noite passada que só acabou as quatro da manhã, ter chegado em casa quase uma hora depois, não ter dormido mais que três horas, levantar com a cara de um Resident Evil, e ainda estar nesse vento desgraçado, sentada sozinha em uma arquibancada com um monte de desconhecidos que não conseguem calar a boca, me senti uma vitoriosa por arrumar animação para mexer um músculo.
Sem sinal daquelas preguiçosas e o jogo estava prestes a começar.
Enquanto ficava ali resfriando a minha temperatura corporal em um dia nublado, típico, prestei atenção no treino que o time adversário estava fazendo. Nunca vi garotos com ombros tão largos como esses, nem tão musculosos assim. Só na academia e olhe lá! Estava começando a ficar com pena das possíveis coisas que eles poderiam fazer com o time da nossa escola... Pior seria se fosse futebol americano. Não consigo imaginar a sorte de terem por ser futebol normal.
Me encolhi ainda mais no meu lugar, puxando as mangas para cobrir as mãos e a touca para cobrir mais minhas orelhas. Inverno... Apenas bom para ficar embaixo das cobertas e tomar chocolate quente.
- E aí, festeira? - Fui atingida na lateral direita por um ser humano alegre demais para àquela hora da manhã.
- Dormiu bem essa noite? - Outro ser me atingiu pela esquerda.
- Pensei que estivessem em coma há uma hora dessas. - Comentei rindo.
- Não! A única coisa que ainda não me deixou em paz foi a dor de cabeça, mas relaxa, já tomei café bem forte, remédio para dor de cabeça, e trouxe um Energy Juice que Louis fez. - Kemelly comentou abrindo a bolsa e me mostrando.
- Ah, você tá de brincadeira que passou antes na casa da Gabriela me fazendo esperar aqui sozinha! - Me fiz de reclamona, mas era verdade. Não gostei de ter ficado lá sozinha por tanto tempo, tipo, vinte minutos.
- Na verdade - Começou Gaby. -, a história é ainda melhor. Essa criatura aqui invadiu minha casa ontem de madrugada e se recusou a sair.
Intercalei meus olhares entre Gabriela e Kemelly, que apenas concordava com a cabeça e com os lábios reprimindo um sorriso.
- Entendi o porquê dessas roupas, kemy. - A careta que recebi com esse comentário me fez gargalhar.
- Não se atreva a falar mal do meu cropped! - Gabriela disse e as duas riram em seguida.
- Que tipo de pessoa é você pra ir de madrugada na casa dos outros, kemelly?
- É bom visitar as colegas. - ela falou.
- Não de madrugada. - Completou Gaby e eu revirei os olhos.
- Vieram com o Zayn ou com o Louis? - Perguntei olhando par ao campo.
- Viemos com o Louis. Ele acordou bem cedo hoje. - Gabriela comentou mexendo no celular. - Aliás, acho que ele nem dormiu. Estava com uma cara péssima, mas não quis me contar o porquê. To meio preocupada com isso.
Antes que eu pudesse me sentir curiosa o suficiente para fazer mais perguntas, Leticia apareceu e se juntou a nós. Eu a olhei dos pés a cabeça, da mesma forma que as outras garotas também fizeram e torci o nariz.
- Bom dia, girls. - Ela sorriu e suspirou.
- Por que você veio tão arrumada pra assistir um jogo amador? - Confusa, Lelê abaixou o olhar até as roupas que usava e deu de ombros logo em seguida.
- Eu acordei bem e feliz. Por isso quis me arrumar. Se vocês garotas não tivessem bebido ontem a noite e hoje de madrugada, garanto que estariam se vestindo como se estivessem em Roma.
- Hum... Se eu soubesse que estava tão cheia de argumentos nem tinha falado nada. - Falei baixo para que só eu escutasse, mas esse objetivo falhou assim que ela sorriu pra mim e as outras duas amigas começaram a rir.
Como se lessem meu pensamento de interromper aquele momento, uma voz soou no campo dizendo as escolas que iriam jogar e no nome de cada jogador. Nos remexemos no banco e focamos o olhar no campo. As líderes de torcida começaram a entrar e fazer suas apresentações com aquelas minissaias e blusinhas curtas enquanto algumas pessoas gritavam.
Será que pessoas como elas não sentem frio? Por que olha... Eu já estava congelando cheia de roupa, elas então que estavam necessitadas, já deveriam ter atingido o zero absoluto.
Depois de toda a parte adversária tomar seu lugar no campo, chegou a hora daquilo que realmente interessava. Uniformes vermelhos e brancos tomaram conta do gramado, fazendo contraste com os outros pretos e amarelos.
Ao contrário das líderes de torcida da outra escola, as nossas garotas pareciam ter bom senso. Quer dizer, pelo menos na parte da blusa que era manga longa com decote redondo. Mil vezes esse do que aquela falta de dinheiro pra comprar um uniforme de outono/inverno da outra escola.
Por poucos minutos que Helena se apresentava, gritamos e berramos como idiotas. Ah, e claro que tentamos fazer isso um pouco mais alto quando nossos amigos começaram a entrar. E assim o jogo começou, fazendo com que ficássemos tão concentradas na bola que nem piscássemos. Quer dizer, elas olhavam para a bola. Meu ponto principal ali era o Louis.
Louis POVs
Cansaço. Essa era a melhor palavra para descrever o momento. Eu já havia corrido tanto que meus pulmões ardiam, mas a adrenalina não fazia com que isso me impedisse de continuar. Os caras da escola adversária eram bons, mas eram tão desorganizados que faziam as coisas ficarem mais fáceis. O meu azar em toda essa situação era a marcação. O garoto que eu tinha que marcar era tão bombado que eu achava que se eu encostasse nele, acabaria sendo jogado na arquibancada.
O capitão do nosso time, que infelizmente não era eu, não estava mandando em nada. Corria de um lado para o outro igual a uma barata tonta. Sem contar que parecia que ia tossir as traqueias para fora toda vez que fazia uma pausa. Perto do banco dos reservas eu escutava o treinador gritar e xingar cada um de nós cinco vezes seguidas. Podia ver também de relance as líderes de torcida fazendo sua coreografia e cantando para nos "animar". Mas a única coisa que eu não conseguia ver era a bola.
Trinta minutos de jogo e ela ainda nem chegou aos meus pés. Estava começando a achar que eu tava pior que o capitão mané. Talvez fosse pelo sono que eu estava sentindo. Sinceramente eu poderia ter ficado em casa dormindo por horas, invernando, se não fosse esse jogo idiota.
- Tá tudo bem, dude? - Harry passou ao meu lado batendo no meu ombro.
- Ha-hã, cara. Tudo certo. - respondi, mas pela careta que ele deu, sabia que não tinha feito nada muito interessante, assim como eu.
Os minutos iam passando e o desespero começava a tomar conta. Não só por causa da pontuação dois a zero que de repente assumiu o placar, como também por causa do tempo que cada vez ficava mais encoberto. Por aqui tudo já era acinzentado, hoje então parecia que o céu era feito de carvão.
Enquanto corria em direção ao campo adversário, vi liam levar um belo de um tombo no meio do caminho. Um garoto ruivo havia feito um carrinho em cima da bola que estava no pé direito de Liam, mas como já era de se esperar, acertou seu tornozelo. eu quase podia imaginar sua dor apenas vendo as caretas que meu amigo fazia. O arbitro apitou e mandou que se afastassem. Liam estava bem, mas de qualquer forma, isso nos rendeu algo de bom. Ele marcaria a falta, se fosse bom o suficiente, poderíamos fazer algum gol.
Alguns dos jogadores começaram a correr e se organizar para onde o treinador gritava que achava melhor. A estratégia talvez desse certo.
Quando o apito soou novamente, foi como se as coisas passassem em câmera lenta. Liam chutou a bola. Outro jogador do nosso time fez a recepção e correu para a grande área. Era óbvio que ele não conseguiria, estava sendo muito bem marcado. Vi a oportunidade e a peguei. Corri com toda a minha velocidade até seu lado direito e assobiei. Quando ele me viu, não perdeu tempo ao tocar a bola para mim, que usei toda a minha energia para correr do marombado de dois metros que vinha atrás de mim. Já na pequena área, encarei o goleiro que tinha um olhar fixo na bola e então chutei.
No segundo seguinte a bola estava no canto esquerdo da rede e eu conseguia ouvir os gritos vindos da quadra.
-AAAAÊÊÊÊÊÊ LOUIS!!!! GOLAÇO! - Niall gritou ao meu lado espancando meu ombro com sua mão. Zayn passou a mão pelo meu cabelo e deu umas palmadas nas minhas costas. A comemoração não durou mais que dez segundos, mas eu sabia que tinha feito a minha parte, pelo menos na metade daquele jogo.
***
- QUE PALHAÇADA TODA FOI AQUELA, BANDO DE INCOMPETENTES? - O técnico berrava com o time dentro do vestiário. Não ficaria surpreso se todo o campo estivesse escutando ele berrar dali debaixo. - SERÁ POSSÍVEL QUE NÃO CONSEGUEM FAZER NADA DIREITO? VOCÊS TREINAM PRA QUÊ? FICAREM CORRENDO DE UM LADO PRO OUTRO IGUAL A UM BANDO DE MARIQUINHAS?
Ele fez uma pausa dramática nos olhando enquanto seu rosto atingia um tom de vermelho que eu nunca tinha visto na vida, seus olhos quase pulavam fora do seu rosto, tinha uma veia na testa que estava tão saltada que eu achava que ela poderia explodir a qualquer momento.
- VOCÊS SÃO UNS BABACAS! O OUTRO TIME NÃO É MELHOR QUE VOCÊS PRA FICAREM NESSA LENGA LENGA QUE NÃO LEVA A LUGAR NENHUM! A ÚNICA COISA QUE FIZERAM DE DECENTE HOJE FOI O GOL QUE JÁ VEIO TARDE! É MELHOR DAREM TUDO DE VOCÊS NESSES PRÓXIMOS QUARENTA E CINCO MINUTOS DE JOGO, POR QUE NINGUÉM VEIO AQUI PRA FICAR DE BRINCADEIRA.
- Mas treinador... - alguém atrás dos outros se atreveu a falar. Muito corajoso, aliás.
- NADA DE "MAS". Espero que estejamos todos entendidos. Façam a estratégia de número 13, e é bom que ela funcione.
Nos entreolhamos sem dizer nada. Brincar com os nervos do cara não ia ser muito bom. Ele estava pronto pra ir para a fight sem motivo aparente.
Tínhamos dez minutos para trocar os uniformes e tomar uma ducha rápida. E foi isso que eu fiz.
Zayn POVs
Futebol não era lá a melhor coisa que eu fazia, mas a gente se vira. O treinador estava muito puto com o baixo desempenho que nosso time estava tendo. Mas levando em conta que metade dos caras que estavam jogando ontem estavam na festa da Marie, é de se esperar que estejam com uma bela de uma ressaca e muita dor muscular, sem levar em contra o frio desgraçado que estava fazendo e chuva que estava vindo, pra fechar com chave de ouro.
Eu estava me esforçando pra correr bem e pelo menos tentar chegar na bola, tocar pra alguém, dar um chute fora, qualquer coisa pra não ficar escutando gritos de merda do treinador estressado que parece como uma bomba relógio.
Mais rápido do que eu pude contar, saí do vestiário indo para o campo junto com alguns jogadores espalhados. Provavelmente estavam tentando focar a mente no jogo, ou então só falando mal de algum cara.
- Hey, psiu. - Em algum lugar, dentro do campo, ouvi me chamarem.
- Hein? - Virei o corpo nos calcanhares em cento e oitenta graus.
- Aqui, Zayn. - Dessa vez me virei para o lado certo, encontrando Helena com os pompons na mão e as pernas tremendo de frio.
Me aproximei dela e trocamos um beijo rápido enquanto o apito não era ouvido e as líderes de torcida não se preparavam pra mais uma apresentação.
- Você não parece animada. - Comentei assim que nos distanciamos. Não muito, mas o suficiente.
- Acredite, eu estaria se estivesse tomando um chocolate quente embaixo de vários edredons. - Ela falou fazendo bico. Gargalhei logo em seguida.
- Acho que podemos resolver esse problema mais tarde. - Ainda rindo disse olhando-a nos olhos. Helena abriu um sorriso e mordeu os lábios em seguida. Balançou a cabeça afirmando.
- Mas você quem vai fazer o chocolate quente!
- Isso é do menos, contanto que eu esteja com você, já está ótimo. - Quando dei por mim as palavras já tinham saído e Helena ficava com as bochechas levemente coradas. Era engraçado porque ela nunca ficava envergonhada, mas não vou mentir que não gostei de saber que eu poderia fazê-la ficar dessa forma.
Levantei o olhar para longe dela apenas para ver se não estava perdendo nada de importante dentro do campo. Como uma briga, ou algo do tipo.
Enquanto Helena ainda permanecia quieta, passei os olhos ao redor, me deparando com uma figura feminina parada estática a alguns metros de nós dois. Ela tinha os braços cruzados, um pé que parecia inquieto, a boca formando um "O" perfeito e os olhos semicerrados. Eu podia sentir o ódio sendo irradiado àquela distância, sem contar o olhar assassino que me desconcertou por um momento. Franzi o cenho.
- O que está olhando? - Quis saber Lena. Ela não se mexeu nem olhou pra trás. Apenas me encarou tentando entender os motivos para minha confusão.
- Parece que estamos sendo observados. - Meu tom de voz foi baixo. Só audível o suficiente para que eu ele escutássemos.
Sem entender, minha namorada virou com curiosidade para onde meu olhar estava dirigido pouco tempo atrás.
- Ah, mas só pode ser brincadeira. E aquela vadia ainda fica com essa cara de idiota pra cima da gente? - Ela soltou os pompons e fechou os punhos. Tinha certeza de que tinha estreitado os olhos e que agora estava encarando Ingrid com o mesmo olhar ameaçador que a outra estava fazendo. - Qual o problema dessa garota?
- Eu me faço essa mesma pergunta todos os dias. - murmurei, porém fui totalmente ignorado por minha namorada que bateu o pé no chão com força, cruzou os braços, respirou fundo e fechou os olhos.
Eu nunca entendi o real motivo das duas se odiarem dessa forma. Todo esse ódio era antigo, só piorou quando o inteligentíssimo ex-namorado da Helena, vulgo Gabriel, resolveu ficar com essa aí que o nome não deve ser mencionado.
- Hey, honey - Peguei nos dois braços de Lena fazendo com que abrisse os olhos e me encarasse. -, é só ignorar. - Ela respirou fundo mais uma vez e depois relaxou os ombros e os braços.
- Hã-hã. Só ignorar o bicho papão, aí ele vai embora. - A encarei com o olhar confuso. - Oops, quis dizer ela. - Helena própria riu de seu comentário. Eu tentei permanecer sério, mas o riso dela era contagiante. Vê-la sorrir me fazia sorrir também. Não consegui ignorar o fato de que tudo que ela fazia tinha uma diferente reação sobre mim.
O apito soou, fazendo com que ficássemos quietos e apenas prestássemos atenção um no outro.
- Acho que você tem um jogo pra terminar, querido. - Ela indicou o resto do time atrás de mim.
Passei meus dois braços por sua cintura e a abracei apertado, levantando-a do chão por alguns segundos. Senti sua risada próxima ao meu ouvido e ri com isso.
- E você uma torcida inteira pra animar. Só não se empolga muito, tem uns caras aí que não param de te encarar. - Falei me distanciando um pouco.
- Não se preocupe com isso, o único cara que eu quero impressionar está bem na minha frente. - Helena mordeu o lábio inferior e eu automaticamente fiz o mesmo.
- Se for assim, já conseguiu bem mais do que só atenção. - Com uma piscada cúmplice, dei as costas para me juntar na roda junto com os outros garotos. Ouvi a gargalhada dela de longe.
Poucos passos depois lá estava eu no meio dos outros, mas infelizmente, ou talvez muito felizmente, minha mente continuava em outro lugar. Ainda ali no campo, mas em outra parte.
- [...] aí passe para o Michael, ele vai tentar arrastar a bola o máximo que conseguir até passar para o Zayn que vai estar na frente do gol. - Levantei as sobrancelhas e encarei o capitão do time com muita dúvida explícita no meu rosto. O que eu teria de fazer mesmo?
Percebendo isso, ele revirou os olhos e bufou.
- Jogada 13, Malik, lembra? Ela envolve você! Vê se presta atenção no jogo ao invés de ficar encarando as líderes de torcida. - O time deu algumas risadas baixas. Sorri de lado. Eles não sabia de nada, bando de inocentes.
Niall POVs
Ótimo, Zayn teve de ser substituído. Logo depois que marcou o gol, não conseguiu mais aguentar e teve de sair de campo. Uma pausa bem rápida foi feita no jogo, assim a substituição poderia ser feita, e os paramédicos poderiam tirar Zayn do meio do campo.
Enquanto discutia qualquer coisa com Harry, a chuva resolveu dar uma trégua. Por um breve momento fiquei feliz, mas toda essa felicidade acabou assim que a placa de números da substituição foi feita. Fechei os olhos e contei até dez.
- E aí, gazela loira? - Erick estava na minha frente com aquela cara de convencido idiota. - Espero que não se importe de eu ficar no lugar do seu amigo gay, beleza? Vou tentar não roubar todos os olhares pra cima de mim.
- Não se empolga muito não, cara. Ninguém ficou animado em ver você por aqui. - Respondi sem o menor interesse de ficar olhando pra ele.
- Ah, eu não diria isso. Aposto que tem uma certa garota que vai adorar me ver jogando aqui. - Logo no fim da frase, vi ele se virando para a arquibancada apontando para a tal garota que eu não precisei olhar duas vezes pra ver que era a Gabriela. Sem entender nada, ela ficou o encarando com a dúvida tomando conta do seu rosto.
- Você realmente não cansa, né? - Me dirigi a ele como se ele fosse uma criança. Na verdade era exatamente isso que ele era.
- Não fique com inveja, Horan. Ciúmes não faz bem a saúde. - Erick falava debochado, como se a qualquer minuto eu fosse perder o controle e partir pra cima dele. Era exatamente isso que ele queria. Arrumar confusão comigo.
- Dá o fora daqui, Erick. - Disse simplesmente começando a me virar e ir para qualquer lugar bem longe dali.
- Claro, claro. - Disse ele tão desinteressado quanto eu. Continuei andando o deixando pra trás. Harry estava ao meu encalço. - E aliás, vi você e a Gabriela ontem à noite. Vê se aproveita enquanto você pode, por que no final, sempre vou ser eu, colega.
Parei e virei levemente a cabeça, podendo vê-lo por cima do ombro. O sorriso sarcástico era o mesmo de sempre. Sua postura mostrava que esperava que eu revidasse com palavras, ou então ações. Hazza me olhava confuso, como se tivesse perdido metade da história. Sim, realmente foi isso que aconteceu. Ele não sabia de absolutamente nada.
- Do que ele tá falando, Nialler? - Mordi meu lábio inferior e respirei fundo. Andei em direção a ele ficando cara a cara.
- E você, vê se volta pra sua merda de posição, cala a boca e joga. Você veio aqui pra isso, não pra ficar falando do que não sabe. - Ele era mais alto. Não tanto, mas era. Só que isso pouco me importava, eu só sabia que a minha mão estava coçando pra encher a cara dele de socos.
- Então é ela o seu ponto fraco, bichinha? Obrigado por ter deixado isso tão claro pra mim. - Empurrou meus ombros se afastando sem desviar o olhar. - Você não perde por esperar, idiota. - Outro empurrão, dessa vez mais forte, fez com que desse dois passos para trás.
Não me importei quando fui em sua direção louco pra meter meu punho no seu olho. Ele queria confusão? Tinha acabado de conseguir. Tomei impulso com o braço direito, sem muita sorte, Harry continuava ali, preparado pra segurar um ou outro.
- Oh, Oh! Deixa quieto, Niall! - Ele falou em tom alarmado, colocando o seu braço na frente, me puxando pra trás. Isso chamou a atenção de algumas pessoas ao redor, que pareceram interessadas no que estava acontecendo. Inclusive o treinador, que resolveu sair do banco dos reservas e vir diretamente para onde estávamos.
- Que palhaçada é essa aqui, Horan? - O treinador passou o olhar de mim para Erick. O sorriso presunçoso que aquele ridículo tinha, dizia que quem estava encrencado era eu. Se não fosse por Harry, eu teria quebrado a cara dele e levado uma bela advertência, ou até ter sido expulso do jogo. Quem sabe até do time.
Ainda com os olhos pregados em mim, apontou para a outra extremidade do lugar.
- Volte pra sua posição, Erick! Você tá atrasando cada vez mais essa competição. - Erick concordou e saiu calmamente, o outro veio em minha direção.
- Que isso não se repita, Niall. Se não a consequência vai ser grande! - Era óbvio que o treinador estava fazendo de tudo para não gritar. O olhar cheio de raiva deixava isso bem claro.
Assenti com a cabeça e corri para onde deveria estar já há um tempo. Mais uma vez Harry estava ao meu encalço.
- O que foi aquilo, Niall? - Perguntou assim que parou a minha frente. Respirei fundo.
- Fui eu de saco cheio daquele cara.
- Tá, essa parte eu entendi. Mas você não é de sair batendo nas pessoas, dude! - O tom da voz de Harry era de reprovação. Fiquei imaginando que se fosse ele no meu lugar, provavelmente teria feito o mesmo.
- É, ele quase quebrou meu bom histórico de vida por nunca ter entrado em uma confusão, mas pra tudo se tem um limite, Hazza. E o meu já tá esgotado. - Disse gesticulando mais que o necessário. Mas quem se importa? Não era um dos meus melhores momentos.
- Se você tivesse batido nele, coisa boa não ia ter dado. Ele provavelmente ia achar um jeito de te deixar mil vezes pior!
- Como se ele fosse tão forte assim. - Debochei. - Não tenho medo dele.
- Dele talvez você não tenha, mas dos amigos traficantes dele talvez você devesse ter.
Minha expressão suavizou assim que Harry parou de falar e me olhou com as sobrancelhas juntas. Tive certeza de que tinha entendido o que Harry falado totalmente errado.
- Do que você tá falando, cara? - Me apressei em dizer, percebendo a movimentação ao redor de que o jogo ia continuar.
- Vai dizer que você nunca percebeu, Niall? Pensa um pouco! Toda a mudança de comportamento que ele tem, esse jeito dele. Não são só o remédios que ele toma. É a junção dele e das drogas, cara. Por isso ele se acha tão machão! - Meu amigo falava tão baixo que eu mal o escutava. - Ninguém mexe com ele porque ninguém quer saber como vai terminar.
O apito soou. Harry olhou para os lados, preocupado. Procurava algum curioso que teria escutado esse pequeno detalhe que não deveria ser comentado nem aqui, nem na China. Procurei ele pelo campo e o encarei. Erick não prestava atenção, parecia muito interessado em derrubar o cara adversário. Procurei então na arquibancada, Gabriela. Por coincidência ela estava olhando para mim. Perguntou por gestos o que havia de errado. Balancei a cabeça para os lados, em negação. Fiquei me perguntando se por acaso ela sabia dessa parada das drogas. Se Erick já fazia isso quando namorava ela, ou se era algo mais recente. Pensei no que ela faria se soubesse. Mas eu não perguntaria. Esse seria um segredo que ficaria entre eu e Harry.
- VAMOS NIALL, PASSA ESSA BOLA PRA CÁ! - Louis gritou a alguns metros de distância de mim. O campo estava escorregadio, e isso tornava as coisas um pouco mais complicadas. Chutei para ele com o pé esquerdo. Foi um péssimo chute, mas o importante foi que ele alcançou a bola.
O jogo estava horrível e cada vez mais desesperador. Faltavam oito minutos para o fim e parecia que todos estavam sem a mínima vontade de continuar. Só o treinador. esse tinha uma energia desgraçada pra continuar gritando. Uma coisa impressionante! A voz dele estaria um lixo no dia seguinte, tenho certeza.
- Hey, Nialler! - Liam me chamou ao seu lado. - Você tá bem? Sua cara tá parecendo um tomate.
Dei de ombros. Não duvidava que eu parecesse que fosse explodir, porque era isso que meu pulmão parecia querer fazer.
- Não posso fazer nada sobre isso, Liam. É meu rosto irlandês! - Liam riu um pouco e logo voltou a correr sabe-se lá para onde. Eu precisava ficar dois segundos quieto e respirar como um ser humano normal.
- VOLTE A CORRER, HORAN! NÃO TE COLOQUEI NO JOGO PRA FICAR PARADO IGUAL A UM ESTÁTUA, MOLENGA! - Revirei os olhos e bufei. Esse treinador tava de brincadeira com a minha cara.
Sem a mínima vontade de continuar, corri. Por um momento ache que meu colega fosse fazer o gol que nos desse a vitória, mas o bandeirinha marcou impedimento. Logicamente o cara ficou revoltado. Todos ficaram. Até o pessoal que estava assistindo pareceram não gostar nem um pouco.
O relógio continuava nos deixando cada vez com menos tempo. Deixando uns mais cansados, outros mais ansiosos para saírem, e outros mais nervosos por não desempatarem. Eu era uma mistura de todos.
Em um rápido momento, me vi sem marcação nenhuma, com o caminho livre, e resolvi dar uma de louco. Levantei a mão, fazendo sinal de que estava livre. Não demorou muito para que meu companheiro de time chutasse a bola para mim. Saí em disparada rumo ao gol. Faltavam dois minutos pro fim. Eu não ia ser tão lerdo pra que acabasse o tempo. Eu ouvi alguns me xingando, outros me incentivando, mas aquilo só estava me deixando mais nervoso. Tentei fazer meu melhor para que minha audição se desligasse por alguns segundos. Então tudo aconteceu muito rápido.
Eu estava de frente para o gol, com um jogador adversário à minha esquerda, e o goleiro, nem um pouco animado, à minha frente, com o olhar de raiva e determinação, esperando que não fosse deixar a bola entrar, mas ela entrou. Os torcedores gritaram, as líderes de torcida jogaram os pompons pra cima, meus amigos me cumprimentaram, e foi aí que eu gritei. Gritei por ter feito algo decente. Por ter acabado finalmente aquele jogo. Até o treinador, que estava sendo um imenso de um motherfucker com o time, abriu um sorriso.
O tempo restante só daria o suficiente para uma jogada. Coisa que pra eles não seria o suficiente. Nesse jogo a Vitória foi nossa.
De repente, em pouco mais de um minuto, algumas pessoas que não eram jogadores, estavam ali, ao nosso lado, no meio do campo. Não era nada demais ganhar uma partida como essa, mas era engraçado e ao mesmo tempo gratificante ver as pessoas que estudavam com a gente se divertindo por fazerem parte do time campeão.
- Ah! Socorro! - Louis gritou assim que Gabriela pulou em suas costas, o fazendo cambalear e quase cair. Ela gargalhava igual a uma criança de cinco anos, e nem ao menos ligou para o possível tombo que teria tomado.
- Você fez um gol, Boo Bear! Espero que tenha sido dedicado a mim. - Ela falou dessa vez o abraçando direito. - Quero poder fazer inveja para Zaynne! - Ela ainda mantinha o sorriso espalhado pelo rosto, mas no momento em que ele não foi retribuído por seu irmão, eu senti uma tensão ser criada entre os dois. A conversa que eu antes escutava, agora não passava de murmúrios. E mesmo com a menção que fiz de me aproximar, não consegui dar mais do que dois passos antes de ser parado por Helena:
- Parabéns, best friend! - Retribui o abraço. - Adorei seu gol de últimos instantes.
- Devia ter gostado do gol que seu namorado fez, no fim acabou com o pé todo ferrado. - Comentei me lembrando das caretas de dor que Zayn fazia a cada passo que dava.
- Falando eu meu namorado gato, sexy, lindo e maravilhoso, cadê ele? - Lena olhou ao redor até parar com os olhos em mim.
- Hum... dessa parte de "sexy, lindo, maravilhoso" e tudo mais eu não sei, mas ele provavelmente está nos vestiário junto com os paramédicos, digo, enfermeiros da escola. - Disse a ela. - Não nos deram muitos detalhes para onde ele estavam indo.
- Certo, então você fique aí gritando e fazendo o que você quiser, que vou atrás do Zayn. - Helena falou saindo correndo em seguida. Me virei apenas o suficiente para gritar um breve "boa sorte" antes dela desaparecer dentro dos portões do colégio.
- Hey! - Gritaram na minha orelha, pulando nas minhas costas logo em seguida, me fazendo evar um baita de um susto e só conseguir voltar a raciocinar cinco segundos depois. - Parabéns pela virada, duende. Sempre soube que conseguiria! - Gabriela bagunçava meu cabelo enquanto eu tinha que arcar com seu peso.
- Mentirosa, você nem achava que eu fosse encostar na bola! - girei a fazendo gritar.
- Verdade, mas esses são detalhes que não precisamos comentar! - Sua voz falhava por conta da risada que ela dava junto.
- É, já imaginava. Agora vê se sai de cima de mim! Seu peso está acabando com meus músculos! - Tentei tirá-la, mas como se fosse um chiclete, Gaby grudou ainda mais em mim.
- Que músculos, Nialler? Você não tem nenhum! - Acabei levando um tapa no braço. Ótimo, além de estar todo ferrado e dolorido, ainda queriam me bater. - E deixa de ser fracote, até mesmo a Kemelly aguenta os meus 46 kg. - Disse assim que voltou a andar por si mesma.
- Então pede pra ela te carregar, oras! - Tentei ajeitar meu cabelo, mas desisti assim que me deparei com algo parecido com o bombril.
- Nossa! Cadê aquele amigo prestativo que me carregou no dia que eu torci o tornozelo? - Abri a boca para responder, mas como se previsse que o que eu falaria seria besteira, Gaby continuou a falar. - E aliás, ela está muito ocupada nesse momento.
Aproveitei para checar se ela estava mesmo ocupada, e me deparei com Liam a beijando no meio do campo. Certo, beleza que eles eram namorado desde há um tempo atrás, mas acontece que é impossível achar isso normal. Eu ficava sem graça olhando aquela cena. Gabriela pigarreou parecendo tão constrangida quanto eu.
- Eu falei que ela estava impossibilitada nesse momento. - Levantou as mãos em forma de rendição e ri de sua performance.
- Tá, mas com ela se voluntariando ou não, não vou te carregar. - Disse de uma vez virando as costas e saindo andando rumo ao vestiário para poder me trocar. Aquela roupa estava grudando no meu corpo a cada passo que eu dava. Só não sabia identificar se era suor ou chuva.
- Você é um chato! - Disse ela assim que alcançou meu lado.
- Agradeço pelo elogio. - Empurrei a Gabriela, e em seguida ela começou a gargalhar. - Você é muito estranha.
- "Agradeço pelo elogio". - Imitou minha voz e dessa vez fui eu quem gargalhei.
Demos mais alguns passos sem dizer nada, apenas rindo. Quando chegamos na entrada dos banheiros/vestiários do colégio, os garotos e garotas se separaram. Eles já estavam muito provavelmente tomando banho, enquanto elas estariam conversando em algum canto qualquer.
- Não vou demorar, prometo! - Olhei para Gaby e falei. Ela me olhou de cima abaixo e fez uma careta.
- Sério, demore o tanto que você quiser! - Não sabia se ria ou ficava ofendido, então resolvi escolher a parte onde eu a virava de ponta cabeça até ela pedir desculpas. Ela queria que eu a carregasse? Pois eu estava quase fazendo isso.
- ME SOLTA!! - Quando ela gritou, tive certeza de que seu rosto estava começando a ficar rosa.
- Peça desculpas e eu te ponho no chão! - Não consegui evitar as risadas. Isso acabou com a minha pose séria.
- SÓ FALEI A VERDADE, NIALLER! ME PÕE NO CHÃO!
- Peça desculpas.
- MAS...
- Peça desculpas e você fica no chão. - Falei sério começando a sacudi-la por cima do meu ombro.
- DESCULPE, LOIRA OXIGENADA! AGORA ME PÕE NO CHÃO!
Dessa vez, sem protesto, a coloque no chão. O cabelo dela, antes arrumado, agora estava um verdadeiro caos, mas a sua expressão entregava que ela estava se divertindo.
- Vá tomar banho e vê se para com essas gracinhas! - Ri da forma que Gaby falou comigo. Ninguém conseguia obedecer aquela coisa pequena. Menor que uma criança.
- Sei que vai sentir minha falta. - Pisquei para ela, que revirou os olhos. Mas seu rosto não ficou sério por tanto tempo. Logo já estava rindo. Nós éramos assim. Dois idiotas que riam de cada palhaçada que o outro fazia. Tendo ela sentido ou não.
- Vai logo, Niall! - Quando se aproximou para se despedir de mim, pouco tempo depois, fiz algo que nem eu mesmo esperava. Ao contrário de dar-lhe um beijo na bochecha, virei o rosto fazendo com que nossas bocas se encontrassem. Não durou muito mais que poucos segundos. Mas Gaby tinha o rosto cheio de confusão.
- O que foi isso? - Perguntou sem tirar a incógnita de sua cabeça;
- Um beijo. - Falei o óbvio. - De comemoração pela vitória. - Arrumei a melhor desculpa que pude. - Espero que não se importe.
Achei a princípio que ela fosse brigar comigo, mas o sorriso que ela esboçou de novo, me fez mudar de ideia em milésimos.
- Talvez da próxima vez devesse fazer isso antes. Quem sabe eu não sou seu amuleto de boa sorte? - Começou a andar para trás, dando pequenos passos até se virar completamente e me deixar lá, parado igual um idiota. Mal sabia ela que mesmo sem beijo, sempre foi a minha superstição preferida.
Zayn POVs
Futebol não era lá a melhor coisa que eu fazia, mas a gente se vira. O treinador estava muito puto com o baixo desempenho que nosso time estava tendo. Mas levando em conta que metade dos caras que estavam jogando ontem estavam na festa da Marie, é de se esperar que estejam com uma bela de uma ressaca e muita dor muscular, sem levar em contra o frio desgraçado que estava fazendo e chuva que estava vindo, pra fechar com chave de ouro.
Eu estava me esforçando pra correr bem e pelo menos tentar chegar na bola, tocar pra alguém, dar um chute fora, qualquer coisa pra não ficar escutando gritos de merda do treinador estressado que parece como uma bomba relógio.
Mais rápido do que eu pude contar, saí do vestiário indo para o campo junto com alguns jogadores espalhados. Provavelmente estavam tentando focar a mente no jogo, ou então só falando mal de algum cara.
- Hey, psiu. - Em algum lugar, dentro do campo, ouvi me chamarem.
- Hein? - Virei o corpo nos calcanhares em cento e oitenta graus.
- Aqui, Zayn. - Dessa vez me virei para o lado certo, encontrando Helena com os pompons na mão e as pernas tremendo de frio.
Me aproximei dela e trocamos um beijo rápido enquanto o apito não era ouvido e as líderes de torcida não se preparavam pra mais uma apresentação.
- Você não parece animada. - Comentei assim que nos distanciamos. Não muito, mas o suficiente.
- Acredite, eu estaria se estivesse tomando um chocolate quente embaixo de vários edredons. - Ela falou fazendo bico. Gargalhei logo em seguida.
- Acho que podemos resolver esse problema mais tarde. - Ainda rindo disse olhando-a nos olhos. Helena abriu um sorriso e mordeu os lábios em seguida. Balançou a cabeça afirmando.
- Mas você quem vai fazer o chocolate quente!
- Isso é do menos, contanto que eu esteja com você, já está ótimo. - Quando dei por mim as palavras já tinham saído e Helena ficava com as bochechas levemente coradas. Era engraçado porque ela nunca ficava envergonhada, mas não vou mentir que não gostei de saber que eu poderia fazê-la ficar dessa forma.
Levantei o olhar para longe dela apenas para ver se não estava perdendo nada de importante dentro do campo. Como uma briga, ou algo do tipo.
Enquanto Helena ainda permanecia quieta, passei os olhos ao redor, me deparando com uma figura feminina parada estática a alguns metros de nós dois. Ela tinha os braços cruzados, um pé que parecia inquieto, a boca formando um "O" perfeito e os olhos semicerrados. Eu podia sentir o ódio sendo irradiado àquela distância, sem contar o olhar assassino que me desconcertou por um momento. Franzi o cenho.
- O que está olhando? - Quis saber Lena. Ela não se mexeu nem olhou pra trás. Apenas me encarou tentando entender os motivos para minha confusão.
- Parece que estamos sendo observados. - Meu tom de voz foi baixo. Só audível o suficiente para que eu ele escutássemos.
Sem entender, minha namorada virou com curiosidade para onde meu olhar estava dirigido pouco tempo atrás.
- Ah, mas só pode ser brincadeira. E aquela vadia ainda fica com essa cara de idiota pra cima da gente? - Ela soltou os pompons e fechou os punhos. Tinha certeza de que tinha estreitado os olhos e que agora estava encarando Ingrid com o mesmo olhar ameaçador que a outra estava fazendo. - Qual o problema dessa garota?
- Eu me faço essa mesma pergunta todos os dias. - murmurei, porém fui totalmente ignorado por minha namorada que bateu o pé no chão com força, cruzou os braços, respirou fundo e fechou os olhos.
Eu nunca entendi o real motivo das duas se odiarem dessa forma. Todo esse ódio era antigo, só piorou quando o inteligentíssimo ex-namorado da Helena, vulgo Gabriel, resolveu ficar com essa aí que o nome não deve ser mencionado.
- Hey, honey - Peguei nos dois braços de Lena fazendo com que abrisse os olhos e me encarasse. -, é só ignorar. - Ela respirou fundo mais uma vez e depois relaxou os ombros e os braços.
- Hã-hã. Só ignorar o bicho papão, aí ele vai embora. - A encarei com o olhar confuso. - Oops, quis dizer ela. - Helena própria riu de seu comentário. Eu tentei permanecer sério, mas o riso dela era contagiante. Vê-la sorrir me fazia sorrir também. Não consegui ignorar o fato de que tudo que ela fazia tinha uma diferente reação sobre mim.
O apito soou, fazendo com que ficássemos quietos e apenas prestássemos atenção um no outro.
- Acho que você tem um jogo pra terminar, querido. - Ela indicou o resto do time atrás de mim.
Passei meus dois braços por sua cintura e a abracei apertado, levantando-a do chão por alguns segundos. Senti sua risada próxima ao meu ouvido e ri com isso.
- E você uma torcida inteira pra animar. Só não se empolga muito, tem uns caras aí que não param de te encarar. - Falei me distanciando um pouco.
- Não se preocupe com isso, o único cara que eu quero impressionar está bem na minha frente. - Helena mordeu o lábio inferior e eu automaticamente fiz o mesmo.
- Se for assim, já conseguiu bem mais do que só atenção. - Com uma piscada cúmplice, dei as costas para me juntar na roda junto com os outros garotos. Ouvi a gargalhada dela de longe.
Poucos passos depois lá estava eu no meio dos outros, mas infelizmente, ou talvez muito felizmente, minha mente continuava em outro lugar. Ainda ali no campo, mas em outra parte.
- [...] aí passe para o Michael, ele vai tentar arrastar a bola o máximo que conseguir até passar para o Zayn que vai estar na frente do gol. - Levantei as sobrancelhas e encarei o capitão do time com muita dúvida explícita no meu rosto. O que eu teria de fazer mesmo?
Percebendo isso, ele revirou os olhos e bufou.
- Jogada 13, Malik, lembra? Ela envolve você! Vê se presta atenção no jogo ao invés de ficar encarando as líderes de torcida. - O time deu algumas risadas baixas. Sorri de lado. Eles não sabia de nada, bando de inocentes.
***
Eu precisava urgentemente de ar, água, uma superfície macia. Minhas pernas doíam, meus pés latejavam, minha panturrilha só faltava explodir, sem falar do meu pulmão que ardia e queimava. Já havia perdido a conta de quantas jogadas eu não tinha conseguido completar. Não, não estava olhando Helena. Estava mais do que concentrado na bola e nos adversários, mas de repente, quando resolveram fazer uma substituição de um magrelo qualquer, o único aliás, um cara que nem era assim tão alto, mas que tinha o braço do tamanho da minha cabeça começou a me marcar. Quer dizer, me perseguir.Até no momento em que eu me ajoelhei para amarrar a chuteira ele deu um jeito de ficar parado há alguns metros de distância me encarando.
Como se pra melhorar a porcaria do dia, a garoa começou a cair com gostas finas. Eu ouvia pessoas reclamando de todos os lados, mas eu não podia fazer nada além de algumas caretas. Precisava "fazer a minha parte".
Corri de volta para a lateral quando alguns outros se dirigiram para cobrar uma falta. Apoiei as mãos nos joelhos e respirei fundo tentando controlar os batimentos cardíacos.
- Hey, Zayn! Parece que arrumou um novo admirador! - Helena gritou, não precisei olhar para saber que era ela, mas queria saber de quem ela estava falando. Percebi que ela falava daquele stalker do time adversário.
- Haha, muito engraçado da sua parte, querida. - Ela explodiu em gargalhadas quando meu sarcasmo atingiu o nível mais alto. Revirei os olhos e corri para outro lugar. O cara atrás de mim.
Foi assim, de repente, que a bola estava no meu pé e eu estava correndo rumo a pequena área. Fiquei impressionado com a minha capacidade de desviar do outros, mas essa admiração durou pouco. Quando eu estava pronto para chutar, o cara do braço tamanho 55 me alcançou com uma bicicleta, chutando com toda a força que tinha, talvez mais um pouco, meu tornozelo direito.
Não vi o momento quando encontrei o chão, mas garanto que foi rápido e bastante doloroso.
Por um momento o mundo ficou mais devagar. Escutei o apito e em seguida várias pessoas ao meu redor. Reclamações sobre a punição. O cara tinha levado cartão amarelo. Outros gritavam algo sobre o penalti. Eu quem deveria fazer esse penalti. A chuva estava mais cortante que nos minutos anteriores e por alguma razão, eu não conseguia mais raciocinar assim tão bem como antes.
Senti alguém falando próximo a mim, mas não assimilei as palavras. Logo depois haviam me esticado e eu sabia que estavam vendo meu tornozelo. Mexeram e remexeram ali. Fiz todas as caretas que eu sabia, além de inventar mais algumas. A dor era forte, mas já era menor que a de antes, eu ia ficar bem. Minutos se passaram até que eu conseguisse me sentir melhor.
Quando abri os olhos, vi o arbitro pedindo espaço e me ajudando a ficar de pé. Mancando tentei seguir até meus amigos, mas fui impedido por uma risada sarcástica vindo logo atrás de mim.
- Ha! Olha só se, a bichinha ainda não consegue andar.
- Você tá bem, cara? - Liam apareceu do meu lado.
- Dá pra aguentar - Afirmei tentando ignorar as piadas do mesmo cara que me derrubou.
- Ele levou cartão amarelo. Tá te provocando pra ver se você é expulso. - Assenti. Imaginava que fosse isso. Ele não estaria me seguindo a cada passo a toa, duvidava muito disso.
- Ele que se foda. Já conseguiu me ferrar o suficiente nessa merda de jogo. - Eu estava com o sangue fervendo de raiva daquele moleque retardado.
Liam arqueou uma sobrancelha e deu um meio sorriso, como se não acreditasse em minha pessoa. Revirei os olhos.
- Hey, Malik! Você quem vai cobrar o penalti. Boa sorte! - Alguém que eu não tive tempo de ver gritou e me deu um tapa nas costas.
O time então começou a se preparar logo atrás de mim. E lá fui eu. Mancando, mas fui.
Posicionei a bola, dei alguns passos para trás, avaliei a distância e escolhi o melhor ângulo para jogar, respirei fundo e esperei a autorização do arbitro.
Quando escutei o som agudo do apito tocando, me forcei a correr e ignorei a dor no tornozelo cada vez que a chuteira afundava na grama molhada. Quando bati o pé direito na bola, jurei ter visto estrelas. Eu não ia dar conta de ficar em campo o resto do jogo. Estava a ponto de desabar quando escutei as comemorações. Pelo menos eu havia empatado aquela merda.Por um momento o mundo ficou mais devagar. Escutei o apito e em seguida várias pessoas ao meu redor. Reclamações sobre a punição. O cara tinha levado cartão amarelo. Outros gritavam algo sobre o penalti. Eu quem deveria fazer esse penalti. A chuva estava mais cortante que nos minutos anteriores e por alguma razão, eu não conseguia mais raciocinar assim tão bem como antes.
Senti alguém falando próximo a mim, mas não assimilei as palavras. Logo depois haviam me esticado e eu sabia que estavam vendo meu tornozelo. Mexeram e remexeram ali. Fiz todas as caretas que eu sabia, além de inventar mais algumas. A dor era forte, mas já era menor que a de antes, eu ia ficar bem. Minutos se passaram até que eu conseguisse me sentir melhor.
Quando abri os olhos, vi o arbitro pedindo espaço e me ajudando a ficar de pé. Mancando tentei seguir até meus amigos, mas fui impedido por uma risada sarcástica vindo logo atrás de mim.
- Ha! Olha só se, a bichinha ainda não consegue andar.
- Você tá bem, cara? - Liam apareceu do meu lado.
- Dá pra aguentar - Afirmei tentando ignorar as piadas do mesmo cara que me derrubou.
- Ele levou cartão amarelo. Tá te provocando pra ver se você é expulso. - Assenti. Imaginava que fosse isso. Ele não estaria me seguindo a cada passo a toa, duvidava muito disso.
- Ele que se foda. Já conseguiu me ferrar o suficiente nessa merda de jogo. - Eu estava com o sangue fervendo de raiva daquele moleque retardado.
Liam arqueou uma sobrancelha e deu um meio sorriso, como se não acreditasse em minha pessoa. Revirei os olhos.
- Hey, Malik! Você quem vai cobrar o penalti. Boa sorte! - Alguém que eu não tive tempo de ver gritou e me deu um tapa nas costas.
O time então começou a se preparar logo atrás de mim. E lá fui eu. Mancando, mas fui.
Posicionei a bola, dei alguns passos para trás, avaliei a distância e escolhi o melhor ângulo para jogar, respirei fundo e esperei a autorização do arbitro.
Niall POVs
Ótimo, Zayn teve de ser substituído. Logo depois que marcou o gol, não conseguiu mais aguentar e teve de sair de campo. Uma pausa bem rápida foi feita no jogo, assim a substituição poderia ser feita, e os paramédicos poderiam tirar Zayn do meio do campo.
Enquanto discutia qualquer coisa com Harry, a chuva resolveu dar uma trégua. Por um breve momento fiquei feliz, mas toda essa felicidade acabou assim que a placa de números da substituição foi feita. Fechei os olhos e contei até dez.
- E aí, gazela loira? - Erick estava na minha frente com aquela cara de convencido idiota. - Espero que não se importe de eu ficar no lugar do seu amigo gay, beleza? Vou tentar não roubar todos os olhares pra cima de mim.
- Não se empolga muito não, cara. Ninguém ficou animado em ver você por aqui. - Respondi sem o menor interesse de ficar olhando pra ele.
- Ah, eu não diria isso. Aposto que tem uma certa garota que vai adorar me ver jogando aqui. - Logo no fim da frase, vi ele se virando para a arquibancada apontando para a tal garota que eu não precisei olhar duas vezes pra ver que era a Gabriela. Sem entender nada, ela ficou o encarando com a dúvida tomando conta do seu rosto.
- Você realmente não cansa, né? - Me dirigi a ele como se ele fosse uma criança. Na verdade era exatamente isso que ele era.
- Não fique com inveja, Horan. Ciúmes não faz bem a saúde. - Erick falava debochado, como se a qualquer minuto eu fosse perder o controle e partir pra cima dele. Era exatamente isso que ele queria. Arrumar confusão comigo.
- Dá o fora daqui, Erick. - Disse simplesmente começando a me virar e ir para qualquer lugar bem longe dali.
- Claro, claro. - Disse ele tão desinteressado quanto eu. Continuei andando o deixando pra trás. Harry estava ao meu encalço. - E aliás, vi você e a Gabriela ontem à noite. Vê se aproveita enquanto você pode, por que no final, sempre vou ser eu, colega.
Parei e virei levemente a cabeça, podendo vê-lo por cima do ombro. O sorriso sarcástico era o mesmo de sempre. Sua postura mostrava que esperava que eu revidasse com palavras, ou então ações. Hazza me olhava confuso, como se tivesse perdido metade da história. Sim, realmente foi isso que aconteceu. Ele não sabia de absolutamente nada.
- Do que ele tá falando, Nialler? - Mordi meu lábio inferior e respirei fundo. Andei em direção a ele ficando cara a cara.
- E você, vê se volta pra sua merda de posição, cala a boca e joga. Você veio aqui pra isso, não pra ficar falando do que não sabe. - Ele era mais alto. Não tanto, mas era. Só que isso pouco me importava, eu só sabia que a minha mão estava coçando pra encher a cara dele de socos.
- Então é ela o seu ponto fraco, bichinha? Obrigado por ter deixado isso tão claro pra mim. - Empurrou meus ombros se afastando sem desviar o olhar. - Você não perde por esperar, idiota. - Outro empurrão, dessa vez mais forte, fez com que desse dois passos para trás.
Não me importei quando fui em sua direção louco pra meter meu punho no seu olho. Ele queria confusão? Tinha acabado de conseguir. Tomei impulso com o braço direito, sem muita sorte, Harry continuava ali, preparado pra segurar um ou outro.
- Oh, Oh! Deixa quieto, Niall! - Ele falou em tom alarmado, colocando o seu braço na frente, me puxando pra trás. Isso chamou a atenção de algumas pessoas ao redor, que pareceram interessadas no que estava acontecendo. Inclusive o treinador, que resolveu sair do banco dos reservas e vir diretamente para onde estávamos.
- Que palhaçada é essa aqui, Horan? - O treinador passou o olhar de mim para Erick. O sorriso presunçoso que aquele ridículo tinha, dizia que quem estava encrencado era eu. Se não fosse por Harry, eu teria quebrado a cara dele e levado uma bela advertência, ou até ter sido expulso do jogo. Quem sabe até do time.
Ainda com os olhos pregados em mim, apontou para a outra extremidade do lugar.
- Volte pra sua posição, Erick! Você tá atrasando cada vez mais essa competição. - Erick concordou e saiu calmamente, o outro veio em minha direção.
- Que isso não se repita, Niall. Se não a consequência vai ser grande! - Era óbvio que o treinador estava fazendo de tudo para não gritar. O olhar cheio de raiva deixava isso bem claro.
Assenti com a cabeça e corri para onde deveria estar já há um tempo. Mais uma vez Harry estava ao meu encalço.
- O que foi aquilo, Niall? - Perguntou assim que parou a minha frente. Respirei fundo.
- Fui eu de saco cheio daquele cara.
- Tá, essa parte eu entendi. Mas você não é de sair batendo nas pessoas, dude! - O tom da voz de Harry era de reprovação. Fiquei imaginando que se fosse ele no meu lugar, provavelmente teria feito o mesmo.
- É, ele quase quebrou meu bom histórico de vida por nunca ter entrado em uma confusão, mas pra tudo se tem um limite, Hazza. E o meu já tá esgotado. - Disse gesticulando mais que o necessário. Mas quem se importa? Não era um dos meus melhores momentos.
- Se você tivesse batido nele, coisa boa não ia ter dado. Ele provavelmente ia achar um jeito de te deixar mil vezes pior!
- Como se ele fosse tão forte assim. - Debochei. - Não tenho medo dele.
- Dele talvez você não tenha, mas dos amigos traficantes dele talvez você devesse ter.
Minha expressão suavizou assim que Harry parou de falar e me olhou com as sobrancelhas juntas. Tive certeza de que tinha entendido o que Harry falado totalmente errado.
- Do que você tá falando, cara? - Me apressei em dizer, percebendo a movimentação ao redor de que o jogo ia continuar.
- Vai dizer que você nunca percebeu, Niall? Pensa um pouco! Toda a mudança de comportamento que ele tem, esse jeito dele. Não são só o remédios que ele toma. É a junção dele e das drogas, cara. Por isso ele se acha tão machão! - Meu amigo falava tão baixo que eu mal o escutava. - Ninguém mexe com ele porque ninguém quer saber como vai terminar.
O apito soou. Harry olhou para os lados, preocupado. Procurava algum curioso que teria escutado esse pequeno detalhe que não deveria ser comentado nem aqui, nem na China. Procurei ele pelo campo e o encarei. Erick não prestava atenção, parecia muito interessado em derrubar o cara adversário. Procurei então na arquibancada, Gabriela. Por coincidência ela estava olhando para mim. Perguntou por gestos o que havia de errado. Balancei a cabeça para os lados, em negação. Fiquei me perguntando se por acaso ela sabia dessa parada das drogas. Se Erick já fazia isso quando namorava ela, ou se era algo mais recente. Pensei no que ela faria se soubesse. Mas eu não perguntaria. Esse seria um segredo que ficaria entre eu e Harry.
***
- VAMOS NIALL, PASSA ESSA BOLA PRA CÁ! - Louis gritou a alguns metros de distância de mim. O campo estava escorregadio, e isso tornava as coisas um pouco mais complicadas. Chutei para ele com o pé esquerdo. Foi um péssimo chute, mas o importante foi que ele alcançou a bola.
O jogo estava horrível e cada vez mais desesperador. Faltavam oito minutos para o fim e parecia que todos estavam sem a mínima vontade de continuar. Só o treinador. esse tinha uma energia desgraçada pra continuar gritando. Uma coisa impressionante! A voz dele estaria um lixo no dia seguinte, tenho certeza.
- Hey, Nialler! - Liam me chamou ao seu lado. - Você tá bem? Sua cara tá parecendo um tomate.
Dei de ombros. Não duvidava que eu parecesse que fosse explodir, porque era isso que meu pulmão parecia querer fazer.
- Não posso fazer nada sobre isso, Liam. É meu rosto irlandês! - Liam riu um pouco e logo voltou a correr sabe-se lá para onde. Eu precisava ficar dois segundos quieto e respirar como um ser humano normal.
- VOLTE A CORRER, HORAN! NÃO TE COLOQUEI NO JOGO PRA FICAR PARADO IGUAL A UM ESTÁTUA, MOLENGA! - Revirei os olhos e bufei. Esse treinador tava de brincadeira com a minha cara.
Sem a mínima vontade de continuar, corri. Por um momento ache que meu colega fosse fazer o gol que nos desse a vitória, mas o bandeirinha marcou impedimento. Logicamente o cara ficou revoltado. Todos ficaram. Até o pessoal que estava assistindo pareceram não gostar nem um pouco.
O relógio continuava nos deixando cada vez com menos tempo. Deixando uns mais cansados, outros mais ansiosos para saírem, e outros mais nervosos por não desempatarem. Eu era uma mistura de todos.
Em um rápido momento, me vi sem marcação nenhuma, com o caminho livre, e resolvi dar uma de louco. Levantei a mão, fazendo sinal de que estava livre. Não demorou muito para que meu companheiro de time chutasse a bola para mim. Saí em disparada rumo ao gol. Faltavam dois minutos pro fim. Eu não ia ser tão lerdo pra que acabasse o tempo. Eu ouvi alguns me xingando, outros me incentivando, mas aquilo só estava me deixando mais nervoso. Tentei fazer meu melhor para que minha audição se desligasse por alguns segundos. Então tudo aconteceu muito rápido.
Eu estava de frente para o gol, com um jogador adversário à minha esquerda, e o goleiro, nem um pouco animado, à minha frente, com o olhar de raiva e determinação, esperando que não fosse deixar a bola entrar, mas ela entrou. Os torcedores gritaram, as líderes de torcida jogaram os pompons pra cima, meus amigos me cumprimentaram, e foi aí que eu gritei. Gritei por ter feito algo decente. Por ter acabado finalmente aquele jogo. Até o treinador, que estava sendo um imenso de um motherfucker com o time, abriu um sorriso.
O tempo restante só daria o suficiente para uma jogada. Coisa que pra eles não seria o suficiente. Nesse jogo a Vitória foi nossa.
De repente, em pouco mais de um minuto, algumas pessoas que não eram jogadores, estavam ali, ao nosso lado, no meio do campo. Não era nada demais ganhar uma partida como essa, mas era engraçado e ao mesmo tempo gratificante ver as pessoas que estudavam com a gente se divertindo por fazerem parte do time campeão.
- Ah! Socorro! - Louis gritou assim que Gabriela pulou em suas costas, o fazendo cambalear e quase cair. Ela gargalhava igual a uma criança de cinco anos, e nem ao menos ligou para o possível tombo que teria tomado.
- Você fez um gol, Boo Bear! Espero que tenha sido dedicado a mim. - Ela falou dessa vez o abraçando direito. - Quero poder fazer inveja para Zaynne! - Ela ainda mantinha o sorriso espalhado pelo rosto, mas no momento em que ele não foi retribuído por seu irmão, eu senti uma tensão ser criada entre os dois. A conversa que eu antes escutava, agora não passava de murmúrios. E mesmo com a menção que fiz de me aproximar, não consegui dar mais do que dois passos antes de ser parado por Helena:
- Parabéns, best friend! - Retribui o abraço. - Adorei seu gol de últimos instantes.
- Devia ter gostado do gol que seu namorado fez, no fim acabou com o pé todo ferrado. - Comentei me lembrando das caretas de dor que Zayn fazia a cada passo que dava.
- Falando eu meu namorado gato, sexy, lindo e maravilhoso, cadê ele? - Lena olhou ao redor até parar com os olhos em mim.
- Hum... dessa parte de "sexy, lindo, maravilhoso" e tudo mais eu não sei, mas ele provavelmente está nos vestiário junto com os paramédicos, digo, enfermeiros da escola. - Disse a ela. - Não nos deram muitos detalhes para onde ele estavam indo.
- Certo, então você fique aí gritando e fazendo o que você quiser, que vou atrás do Zayn. - Helena falou saindo correndo em seguida. Me virei apenas o suficiente para gritar um breve "boa sorte" antes dela desaparecer dentro dos portões do colégio.
- Hey! - Gritaram na minha orelha, pulando nas minhas costas logo em seguida, me fazendo evar um baita de um susto e só conseguir voltar a raciocinar cinco segundos depois. - Parabéns pela virada, duende. Sempre soube que conseguiria! - Gabriela bagunçava meu cabelo enquanto eu tinha que arcar com seu peso.
- Mentirosa, você nem achava que eu fosse encostar na bola! - girei a fazendo gritar.
- Verdade, mas esses são detalhes que não precisamos comentar! - Sua voz falhava por conta da risada que ela dava junto.
- É, já imaginava. Agora vê se sai de cima de mim! Seu peso está acabando com meus músculos! - Tentei tirá-la, mas como se fosse um chiclete, Gaby grudou ainda mais em mim.
- Que músculos, Nialler? Você não tem nenhum! - Acabei levando um tapa no braço. Ótimo, além de estar todo ferrado e dolorido, ainda queriam me bater. - E deixa de ser fracote, até mesmo a Kemelly aguenta os meus 46 kg. - Disse assim que voltou a andar por si mesma.
- Então pede pra ela te carregar, oras! - Tentei ajeitar meu cabelo, mas desisti assim que me deparei com algo parecido com o bombril.
- Nossa! Cadê aquele amigo prestativo que me carregou no dia que eu torci o tornozelo? - Abri a boca para responder, mas como se previsse que o que eu falaria seria besteira, Gaby continuou a falar. - E aliás, ela está muito ocupada nesse momento.
Aproveitei para checar se ela estava mesmo ocupada, e me deparei com Liam a beijando no meio do campo. Certo, beleza que eles eram namorado desde há um tempo atrás, mas acontece que é impossível achar isso normal. Eu ficava sem graça olhando aquela cena. Gabriela pigarreou parecendo tão constrangida quanto eu.
- Eu falei que ela estava impossibilitada nesse momento. - Levantou as mãos em forma de rendição e ri de sua performance.
- Tá, mas com ela se voluntariando ou não, não vou te carregar. - Disse de uma vez virando as costas e saindo andando rumo ao vestiário para poder me trocar. Aquela roupa estava grudando no meu corpo a cada passo que eu dava. Só não sabia identificar se era suor ou chuva.
- Você é um chato! - Disse ela assim que alcançou meu lado.
- Agradeço pelo elogio. - Empurrei a Gabriela, e em seguida ela começou a gargalhar. - Você é muito estranha.
- "Agradeço pelo elogio". - Imitou minha voz e dessa vez fui eu quem gargalhei.
Demos mais alguns passos sem dizer nada, apenas rindo. Quando chegamos na entrada dos banheiros/vestiários do colégio, os garotos e garotas se separaram. Eles já estavam muito provavelmente tomando banho, enquanto elas estariam conversando em algum canto qualquer.
- Não vou demorar, prometo! - Olhei para Gaby e falei. Ela me olhou de cima abaixo e fez uma careta.
- Sério, demore o tanto que você quiser! - Não sabia se ria ou ficava ofendido, então resolvi escolher a parte onde eu a virava de ponta cabeça até ela pedir desculpas. Ela queria que eu a carregasse? Pois eu estava quase fazendo isso.
- ME SOLTA!! - Quando ela gritou, tive certeza de que seu rosto estava começando a ficar rosa.
- Peça desculpas e eu te ponho no chão! - Não consegui evitar as risadas. Isso acabou com a minha pose séria.
- SÓ FALEI A VERDADE, NIALLER! ME PÕE NO CHÃO!
- Peça desculpas.
- MAS...
- Peça desculpas e você fica no chão. - Falei sério começando a sacudi-la por cima do meu ombro.
- DESCULPE, LOIRA OXIGENADA! AGORA ME PÕE NO CHÃO!
Dessa vez, sem protesto, a coloque no chão. O cabelo dela, antes arrumado, agora estava um verdadeiro caos, mas a sua expressão entregava que ela estava se divertindo.
- Vá tomar banho e vê se para com essas gracinhas! - Ri da forma que Gaby falou comigo. Ninguém conseguia obedecer aquela coisa pequena. Menor que uma criança.
- Sei que vai sentir minha falta. - Pisquei para ela, que revirou os olhos. Mas seu rosto não ficou sério por tanto tempo. Logo já estava rindo. Nós éramos assim. Dois idiotas que riam de cada palhaçada que o outro fazia. Tendo ela sentido ou não.
- Vai logo, Niall! - Quando se aproximou para se despedir de mim, pouco tempo depois, fiz algo que nem eu mesmo esperava. Ao contrário de dar-lhe um beijo na bochecha, virei o rosto fazendo com que nossas bocas se encontrassem. Não durou muito mais que poucos segundos. Mas Gaby tinha o rosto cheio de confusão.
- O que foi isso? - Perguntou sem tirar a incógnita de sua cabeça;
- Um beijo. - Falei o óbvio. - De comemoração pela vitória. - Arrumei a melhor desculpa que pude. - Espero que não se importe.
Achei a princípio que ela fosse brigar comigo, mas o sorriso que ela esboçou de novo, me fez mudar de ideia em milésimos.
- Talvez da próxima vez devesse fazer isso antes. Quem sabe eu não sou seu amuleto de boa sorte? - Começou a andar para trás, dando pequenos passos até se virar completamente e me deixar lá, parado igual um idiota. Mal sabia ela que mesmo sem beijo, sempre foi a minha superstição preferida.
Harry POVs
Ah, moleque! Aqui é só profissional! Mentira, só brincando aqui. Quem dera fosse... Eu provavelmente era um dos piores jogadores daquele colégio. Mas quem liga? Não havia sido expulso do time ainda, então pouco importa essa parte de habilidade ou não.
Tínhamos resolvido ir a uma cafeteria logo depois do jogo, e era isso que estávamos fazendo. Depois que os garotos e eu havíamos tomado banho, nos trocado e etc, acabamos dentro de uma Starbucks comendo muffins e tomando frappuccinos. Zayn era o único que não estava exatamente bem. Com o tornozelo enfaixado, tinha que andar mancando pelos cantos. E pelo que falaram a ele, ficaria assima té que o inchaço diminuísse.
- Por favor, Harry, nunca pense em seguir a carreira de jogador. Você morreria de fome! - Marie falou arregalando os olhos e arrancando risos das outras pessoas ao nosso redor.
- Nunca disse que essa seria minha profissão!
- Mas eu sei que pensou, Harold... - Minha tentativa de me defender foi por água abaixo. Leticia empurrou meu ombro de leve.
- Bom, mas no final da história, ganhamos, e é isso o que importa. - Liam falou sério, e concordamos. É engraçado como as vezes ele consegue ser tão maturo, e as vezes ser totalmente o contrário do que é de verdade.
Depois de concordarmos freneticamente, e brindarmos nossa vitória, não tão bem planejada assim, a conversa se prolongou por mais vários longos minutos. O assunto, muitas vezes eu não prestava atenção. Acabava me perdendo em pensamentos durante um ou dois minutos. O motivo era simples. A segunda fase do The X-Factor havia sido marcada. Por algum motivo, só eu sabia daquilo, caso contrário, os meus amigos já teriam vindo falar disso comigo. Mas aparentemente eu estava errado.
Pigarreei alto o suficiente para que chamasse a atenção de todos. Quando o silêncio tomou conta, comecei a falar:
- Hoje mais cedo me mandaram um comunicado no correio sobre a segunda fase do programa. - Permaneci quieto apenas os olhando até que começasse a falar juntos de uma só vez.
- Será que não dá pra calar a boca? - Helena disse mais alto, recebendo um tapa de Gabriela e seguida. - Bobona!
- Mas então, sobre o programa... - Kemelly as interrompeu me dando a abertura necessária para isso.
- Então, agora nós vamos para a Bootcamp. Se tudo der certo, e eu espero que dê, vamos para a Judge's House.
Assim que fechei a boca, duas conversas paralelas se iniciaram. Enquanto nós, garotos, falávamos sobre coisas importantes, como "qual o critério que vão usar?", "será que vai ter dança?", "vamos ser avaliados juntos ou separados?", e coisas do gênero, as garotas falavam sobre a bolsa combinar com tal sapato, e comprar uma tal blusa que fique bem com tal chapéu. Nunca vou entender pra quê tanta preocupações com coisas desse tipo.
Me senti tão interessado em falar sobre o que faríamos ou deixaríamos de fazer, que nem percebi a entrada de uma figura conhecida dentro da loja. Assim que ela virou os calcanhares, aquela mesma sensação ruim que eu sentia todas as vezes que eu a olhava, voltou. Por muitos motivos diferentes, eu quase conseguia ver o aviso sobre a cabeça dela escrito "PERIGO, PERIGO! NÃO SE APROXIME" era quase a mesma coisa que todo o meu subconsciente gritar "vai dar merda" repetidas vezes por segundo.
- Leticia, preciso falar com você. - A forma ´seria que Olivia disse, e a falta de brincadeiras idiotas, ou apelidos ridículos que ela costumava usar, me chamou a atenção.
- To ocupada agora. Procure outro pra encher a paciência. - Leticia disse, rude. Mas não que fosse algo errado, já que se levarmos em consideração a forma que Olivia trata ela.
- Leticia, eu não to brincando. Tenho que falar com você agora. - Ainda com dúvida sobre o real interesse da irmã dela, Lelê se levantou e andou até o outro lado da cafeteria.
Ao contrário dos outros que tiraram sua atenção da conversa das duas, e voltaram a comer ou fazer qualquer outra coisa, senti uma vontade muito intensa de entender o que estava acontecendo. A expressão que minha namorada tinha no rosto, vacilava. Em um momento estava séria, em outro parecia que não conseguia pensar. Poucos minutos depois quando voltou a se sentar na cadeira ao lado da minha. Perguntei o que havia acontecido, mas sua resposta em voz baixa e com um olhar significativo me fizeram entender que ela não contaria ali. E mesmo com o sorriso que tentou esboçar, vi que seu rosto estava totalmente sem cor, pálido. Ela podia não querer me falar nada sobre, mas eu entendi que dessa vez, era algo muito sério.
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Nota da Autora: PARABÉNS PRA MIM!!!! Yeeahhh, capítulo novo, especial de copa, tema futebol (der) no dia do meu niver uhuuuu!!!!
Desculpem a demora pra postar. Acabei me enrolando em mil assuntos diferentes, e isso me atrapalhou um pouco (muito). Mas a gente se vira, e Here I'm!! 16 anos! Se estivesse nos USA já poderia dirigir! Ainda bem que aqui não pode, se não ia acabar atropelando alguém.
Mas enfim. Espero que tenham gostado do cap, mesmo que não tenha sido um dos meus preferidos. (nem de longe, na verdade), mas eu acho que o próximo vai fiar legal.
Vai ser especial de dia dos namorados, então estou preparando para que mil coisas aconteçam em um só capítulo! Cruzem os dedos para dar certo : ) Já tenho algumas partes prontas, e spoilers que minhas amigas gostaram. Hope you like it too!
Ps: Pra quem viu o Louis e o Zayn fumando maconha, só tenho um pensamento sobre:
ah, e não, não vou deixar de ser fã : )
Até breve, people!
Kisses,
Gabriela


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