RECADO: Esse capítulo foi inspirado na música Heart - The Pretty Reckless; Pefect - Simple Plain; For the love of a Daughter - Demi Lovato. A primeira (heart) tem um significado mais subliminar e aliás, é a minha preferida entre as três, já as outras, pode-se encontrar trechos delas pelo capítulo. Quem quiser escutar alguma delas, é só clicar. Boa leitura e compartilhem.
Gaby POVs
Eu realmente
estava certa sobre aquele desconforto. Essa coisa de extinto pareceu fazer
sentindo por um momento. Devia ter “escutado” esse sexto sentido caso contrário
não estaria aqui, andando sem rumo pela rua. Ok, talvez não tão sem rumo. Sabia
para onde ir. Não sei se era o lugar certo, mas foi o primeiro a vir em meus
pensamentos assim que passei por aquela porta com meus olhos inundados por
lágrimas em plena escuridão. Meu coração disse com todas as letras que lá eu
ficaria bem. Lá era o lugar para onde deveria ir.
Flashback On
- Já decidiu o que vai querer para o jantar,
senhorita?- Um garçom parou ao meu lado. Eu ainda estava analisando o cardápio
do restaurante.
- Não, na verdade...
- Eu vou querer lagosta! – Louis me
interrompeu. – Faz um século que eu não como algo assim, qual o motivo mesmo de
não comermos mais frutos do mar?
- Gabriela é alérgica, se esqueceu? – Meu
pai respondeu ríspido.
- Ah, certo. Gabriela e suas frescuras.
- Ah, cale a boca, Louis!
- Fiquem quietos vocês dois! Nunca brigam
assim em casa, vão querer fazer assim no meio de um jantar?
Revirei os olhos. Não sei o porquê de meus
pais ainda insistirem tanto em comer em lugares de classe alta. Odeio gente
metida. Ou de pessoas que esfregam coisas na cara das outras. No sentido
figurativo. Literal também.
- Senhorita? – O garçom voltou a falar
comigo. Só agora percebi que ele continuava lá parado com uma caderneta na mão.
- ah, sim... err... Vou querer igual o dele.
– Apontei para Niall que estava na minha frente. O garçom anotou e saiu.
Niall chutou minha canela. Estava obviamente
querendo rir.
Ignorei.
As horas naquele restaurante refinado
passaram como o bicho preguiça. Eu já estava a ponto de pegar a toalha da mesa e
fazer um travesseiro com ela ali mesmo.Todos pareciam estar mais animados que
eu. Niall principalmente, já que tinha levado bem a sério quando minha mãe
disse que poderia pedir o que quiser e repetir.
Lá estava ele. No terceiro prato de
sobremesa.
Meu irmão e Zaynne estavam estranhamente
estranhos. É o modo mais prático que tenho para explicar a situação. Num
momento estão felizes rindo, com cara de apaixonados. No outro estão a ponto de
se atacarem com os talheres da mesa. Sei que Liam se sentiria ameaçado com o
número extremamente grande de colheres. Mas o caso é que eu não conseguia
identificar qual o problema entre os dois.
Já meus pais quase não trocavam palavras.
Minha mãe parecia querer conversar com todos ao mesmo tempo, então parecia uma
matraca ambulante tentando incluir todos em uma mesma conversa.
Já meu pai, parecia distante. Absorto de
qualquer coisa. A cada minuto que passava estava com seu celular na mão. Olhava
o aparelho e bufava impaciente.
Estava a ponto de perguntar se havia algo
errado quando o telefone começou a vibrar e ele mais que depressa pediu licença
da mesa para atender. Só acho que ele não contava que eu conseguisse ver o nome
no visor. Muito menos a foto daquela mesma mulher que há tempos eu tinha visto
com meu pai. Em momentos particulares.
Isso fez meu coração acelerar. Fiquei
extremamente nervosa.
Flashback Off
As luzes da
casa estavam totalmente apagadas. Não era pra menos, já se passava das três da
madrugada. Mas nada disso me impediu
de bater freneticamente na porta.
Demorou
cerca de cinco minutos para que eu escutasse barulho de passos e desse uma
trégua para as batidas na porta. Foi aí que um ser humano loiro de cabelos
bagunçados e uma aparência péssima, mas não pior que a minha, desse as caras.
- Gaby? –
Nialler estava com a voz rouca e parecia um tanto surpreso por me ver.
Sem dizer
nada adentrei a casa já em prantos.
- O que
aconteceu? – a preocupação era nítida em sua voz.
- Uma coisa
horrível, Niall, eu sou um energúmeno. – Eu sabia que estava soluçando de novo.
Mas Niall ainda raciocinava. Era quase possível ver o “loading” em cima da sua
cabeça.
-
Energúmeno?
Vi a sombra
de um sorriso passar pelo rosto de Niall, mas pelo que percebi, ele o reprimiu.
Não era momento para aquilo.
- Isso não
importa... – murmurei.
- Vem, eu
vou te dar água e você me conta o que aconteceu.
Flashback On
Depois que o telefone tocou a primeira vez,
o aparelho tornou a ligar uma segunda, terceira, quarta... e assim por diante.
E todos tinham a mesma foto.O mesmo nome.
Fiquei imaginando que tipo de pessoas
ligaria em plena meia noite para “discutir assuntos de trabalho”, como disse
meu pai. Fiquei pensando se esses “assuntos de trabalho” era algo do tipo “em
qual motel você prefere me encontrar”? e tal, por que realmente a desculpa que
meu pai deu, de uma escala de zero a dez em nível de “boas desculpas”, era uma
que atingia o oito negativo.
Voltamos para casa por volta da uma da
manhã, mas assim que pisamos na calçada, meu pai fez uma seninha básica e disse
ter esquecido a carteira no restaurante, e que voltaria para pegar.
Isso me fez ficar deprimida, já que escutei
partes das conversas e podia dizer com certeza absoluta de que para o
restaurante ele não iria voltar. Principalmente pelo fato de que a carteira
dele estava no guarda luvas do carro.
E uma das conversas que ele teve no
telefone, pude escutar coisas um tanto quanto... sensuais. Isso não me agradou
nada.
Já na sala de estar, vi Louis jogado no
sofá, os pensamentos sobre meu pai estavam tirando minha concentração de
qualquer coisa, eu tinha que falar com ele.
- Louis? – sussurrei para ele. E peguei em
seu braço, o arrastando para qualquer lugar longe de mamãe e de Zaynne.
- O que foi, maluca? Pra que você tá me
arrastando?!
- Louis, o papai está com aquela mulher. De
novo. – Falei exasperada.
- O quê?! Como você sabe? Viu ele com ela?
- Não, mas eu o escutei
no telefone, você não reparou? – Lou ergueu uma sobrancelha.
- Gaby, se você não viu, não pode confirmar.
- Mas eu sei, eu tenho certeza que era
aquela lá!
- Como pode ter tanta certeza? – Ele passou
as mãos pelo cabelo.
- Não é sempre que você escuta seu pai falar
coisas do tipo “me passa o número do motel” ou “logo eu vou estar beijando todo
seu corpo, não se apresse” e coisas piores. E eu garanto, não é algo
confortável.
Ele ficou em silêncio, podia perceber o seu
olhar de dúvida, mas ele inda não parecia convencido.
- Gabriela, você está inventando tudo isso?
- O quê?! Não! Nunca! – Como ele pode não
acreditar em mim?
- Chega, Gaby, você ficou um pouco paranoica depois disso tudo.
E logo depois disso ele voltou para a sala e
me deixou ali de boca aberta. Como ele pode não acreditar na sua própria irmã?
Ele viu as fotos, sabe dos fatos! Por que está fingindo não saber de nada? Isso
não está certo, fingir que está tudo bem é a coisa mais errada nessa casa. Não
dá pra viver assim... Eu preciso fazer alguma coisa. Agora.
Flash Back Off
- Eu
contei... – Disse soluçando. Niall franziu a testa.
- Contou o
quê? Para quem?
- Eu disse a
minha mãe... sobre a traição de papai... mostrei a foto... – Disse entre
soluços.
- Você fez o
quê? – Niall arregalou os olhos e me puxou para que eu sentasse no sofá.
- Ele tinha
ido pra um motel qualquer depois do jantar... Assim que chegamos em casa,
inventou qualquer coisa e saiu... voltou duas horas depois.
- Sua mãe
está bem?
Com a minha
respiração descompassada, era difícil conseguir dizer qualquer coisa, mas mesmo
entre os soluços, tentei tomar o ar necessário e contar:
- Ela estava
chorando... – Fechei os olhos quando me lembrei da expressão em seu rosto. –
Primeiro ela ficou chocada, depois ficou quieta sem dizer nada até meu pai
chegar... Louis pareceu nervoso... Meu... meu pai disse que eu estraguei a vida
dele...
Flash Back On
A sala estava completamente tensa.
Minha mãe tinha uma expressão impassível no
rosto. Não parava de olhar as fotos nem por um segundo. Seus olhos estavam
vermelhos, só não tenho certeza se era de nervosismo ou de choro. Talvez fossem
os dois.
Louis estava encostado no batente que dava
para a cozinha, estava sério, mas no fundo de seus olhos podia se ver o medo do
que aconteceria dali para frente. Ele não disse uma palavra, apenas concordou
quando minha mãe queria sua confirmação.
Zaynne havia ido há pouco tempo. Dando-me a
oportunidade necessário para contar a história a minha mãe.
Eu estava sentada na poltrona da sala, em um
lugar onde era possível se observar tudo. O nervosismo tomava conta de todo o
meu corpo. E a sensação não estava nada boa. Não era como aquele nervosismo bom
antes de ir em uma montanha russa, ou de fazer algo emocionante. Era algo
horrível. Como um aviso prévio dizendo que algo muito ruim vai acontecer.
Eu não faço à mínima ideia de onde tirei o
pouco de coragem para falar com minha mãe. E
agora, depois de feito, não sei se foi certo, ou errado, afinal. Meu
subconsciente estava dividido. Uma parte ( a maior ) dizia que isso tudo foi um
grande erro, e como se isso fosse outra pessoa, eu sentia o ar de desaprovação.
Mas a menor parte, a outra que sobrava, dizia que eu tinha feito o certo, eu
estava apenas protegendo as pessoas que eu amo. Por que alimentar uma mentira é
errado. E por um fim nela não foi um erro. Era essa parte que eu tentava
escutar.
De olhos fechados, não podia imaginar o que
aconteceria quando meu pai entrasse naquela sala. Já tinha imaginado coisas de
todos os jeitos possíveis. De uma luta livre até a terceira guerra mundial
cheia de explosivos e bombas nucleares. Sim, ridículo, mas eu garanto que em um
momento como esse lembrar o seu nome já é uma grande coisa.
Muito antes do que eu imagina, meu pai abria
a porta da frente e olhava intrigado para todos nós. Eu podia ver várias
perguntas passando em frente seus olhos. Só não sabia como responder.
Antes dele dizer qualquer coisa, minha mãe
já estava em pé, indo em sua direção.
- Isso é verdade? – Ela indagou. Sua voz
saiu surpreendentemente controlada e calma. Ela estendia as fotos para ele.
Por um momento, segundos pareceram ser
horas. Nunca havia visto meu pai com uma expressão tão séria no rosto. Era algo
de por medo.
- Quem te deu isso? – Ele levantou os olhos
para os da minha mãe. Ela respirou fundo.
- Isso não interessa.
- Quem te deu isso? – Ele falou
pausadamente, como se estivesse ensinando uma criança. Seu tom de voz levantou.
Eu fechei meus olhos com força. Por algum
motivo eu não conseguia ficar olhando para aquela cena. Agora era possível
escutar os dois gritando, procurando respostar para as perguntas. Meu pai
queria saber quem foi o responsável pela fotografia. Minha mãe apenas queria a
verdade.
Eu sentia raiva e angústia no tom de suas
palavras. E admito que aquilo foi a pior coisa para se presenciar.
- Fui eu – Minha voz saiu, sem eu nem mesmo
ter planejado o que dizer em um momento daqueles.
- Você o quê? – A voz do meu pai saiu mais
profunda. Eu podia jurar que nesse momento ele gostaria de me jogar pela janela
do segundo andar.
Eu não respondi. Apenas dei um passo para
trás instintivamente. Eu havia ficado de pé sem ao menos ter percebido!
- Como conseguiu isso? – Ele sibilou para
mim. Seu rosto começava a ficar vermelho e eu comecei a tremer.
Desesperadamente.
- RESPONDA-ME! – Ele gritou. Eu novamente
recuei, tropeçando nos meus próprios pés.
- e-eu... Não... Eu não...
- Deixe-a fora disso, Drake! – Minha mãe
entrou entre nós dois com os olhos semicerrados.
- Como você pode acreditar nela? Sua mente é
tão fraca assim para acreditar em coisa do tipo? Esperava mais de você, Rose!
Olhe bem pra ela - Ele fez uma pausa me
olhando com raiva, rancor, ódio, desdém e tudo de ruim que alguém pode sentir
ao mesmo tempo.
- Cuidado com o que diz, Drake. Ela é sua
filha, não um objeto.
- Eu fiz o que era certo... – Interrompi a
discussão dos dois, me trazendo de volta como assunto principal. Preciso calar
a boca.
- Como você tem coragem de dizer isso,
Gabriela?! Não percebe o que fez?
- Eu fiz
o que devia fazer. – Me ouvi responder. – Ao contrário de você.
- Você acha que tem o direito de falar assim
comigo? Com fotos ou sem fotos não vai mudar o fato de que eu ainda sou seu pai.
- Não. Não pra mim. Não agora. Você perdeu
esse posto assim que tomou a decisão de ficar com essa mulher seja lá quem for.
- Eu devia ter te levado ao psicólogo quando tive chance, esse
seu comportamento e o mais ridículo que eu já vi. Sempre tomando decisões
precipitadas, se achando a melhor, a certa, mas fique sabendo, Gabriela, que
você não tem maturidade o bastante pra nada. Você é dependente de tudo o que
tem aqui, e você pode dizer o que for, que eu vou saber que é mentira, é isso
que você faz, a única coisa. Mentir. Você é uma criança,nada mais que isso.
Respirei fundo e sem nem ao menos medir as
palavras, elas já saiam da minha boca.
- Sabe, eu realmente queria ser uma criança
agora, ao menos não estaria ouvindo tanta merda de uma pessoa como você. E não
é que você tem razão? Talvez um psicólogo tivesse ajudado, assim eu não seria tão “dependente” de uma pessoa que vem nos visitar a cada duas semanas, ou não
estaria tomando a decisão precipitada de mostrar que você não passa de um falso,
mentiroso e traidor, que por toda vida pronunciou palavras sem fundo de
verdade.
Um grande período de silêncio, foi isso que
aconteceu. Drake ainda me encarava com espanto e surpresa. Minha mãe havia se sentado no sofá com os cotovelos nas pernas e as mãos na cabeça. Seu cabelo estava
totalmente desgrenhado. Não precisava perguntar para ela pra saber o que estava
sentindo.
Louis estava com os olhos vidrados em nossa
conversa, como se fosse alguma peça de teatro e ele estivesse temendo o próximo
ato.
Sem aviso algum, levei um tapa no rosto. Fui
pega de surpresa, acabei me desequilibrando, mas não caindo no chão, mas sim tropeçando
até bater as pernas na mesa de centro.
- EU ME ARREPENDO DO DIA QUE VOCÊ NASCEU,
GABRIELA! VOCÊ ACABOU DE ESTRAGAR ESSA FAMÍLIA, ACABOU DE ARRUINAR A VIDA DE
TODO MUNDO AQUI COM SUAS MENTIRAS, VOCÊ SEMPRE QUIS CHAMAR A ATENÇÃO, MAS ESSE
FOI O PIOR ERRO QUE VOCÊ PODERIA TER COMETIDO! EU NÃO SINTO UM PINGO DE ORGULHO
EM VOCÊ SER MINHA FILHA.
- Gaby? -
Louis parou do meu lado. Ele esperava uma resposta, óbvio, mas eu ainda
estava em choque. Não conseguia formular uma frase.
Uma louca vontade de chorar se formou dentro
de mim. Podia ver minha visão embaçando graças às lágrimas que começavam a
aparecer. Eu tinha certeza que meu rosto estava vermelho, não só do tapa, mas
de raiva também.
Não ia ser a única a sair dali com mágoa.
Em passos largos andei até bem perto dele.
Acho que é muito difícil pensar quando se esta com raiva ou coisa do tipo,
então já não controlava mais minhas ações quando apontei meu dedo na cara de
Drake.
- Você fala como se eu fosse a errada em
toda essa história, quando quem cometeu o
maior erro foi você! Sou sua filha ou apenas um prêmio de caridade, pai? Será
que ainda devo chamar você assim?Eu fui tão idiota, você me manipulou tantas
vezes dizendo que me amava... Aquilo também foi mentira, não foi? Você tem o
coração mais vazio do mundo. O mais oco.E você acabou de me empurrar pra fora
do seu mundo.
- VOCÊ NÃO SABE O QUE ESTÁ DIZENDO! VOCÊ TEM
DEZESSEIS ANOS E ACHA QUE JÁ SABE TUDO DE UMA VIDA, MAS NÃO SABE, GABRIELA! AS
COISAS MUDAM, SENTIMENTOS TAMBÉM. NADA DURA PRA SEMPRE. ESSAS SUAS PALAVRAS SÃO
INÚTEIS, VOCÊ ACHA QUE TUDO É UM CONTO DE FADAS? ENTÃO ABRA OS OLHOS, IDIOTA. A
VIDA TE FAZ CAIR DE UM PRECIPÍCIO SEM ESFORÇO ALGUM E VOCÊ TEM QUE ACHAR UM
LUGAR PRA SE SEGURAR E DEPOIS COMEÇAR A SUBIR TUDO DE NOVO, NÃO IMPORTA DE QUE
JEITO. AGORA VÊ SE ACORDA PRO MUNDO REAL! VOCÊ NUNCA VAI FAZER O CERTO, PORQUE
SIMPLESMENTE SÓ FAZ O ERRADO, É UM ERRO CRÔNICO E SEM VOLTA. O QUE VOCÊ FEZ NÃO TEM PERDÃO.
- Pense o que quiser de mim, mas nada do que
disse vai mudar a opinião que eu tenho de você, “papai”. Sabia que você costumava ser meu herói?
Pois é, mas isso foi a muito tempo. De agora em diante eu vou te tomar com um
exemplo a não seguir! Porque isso que você fez foi a coisa mais baixa que
eu poderia imaginar. Eu fiz SIM a
coisa certa, porque eu não alimentei uma mentira, não fui EU quem destruiu essa família, mas sim VOCÊ! Você
traiu todos nós, você mentiu em todos os aspectos possíveis. Não ligo se você
não tem orgulho de mim, eu também não tenho de você. E a única lição que eu
posso tirar disso tudo, foi que em você – Fiz uma pausa olhando bem nos fundo
dos olhos dele – Eu não posso confiar.
- Fora da minha casa. – Ele disse como se
estivesse entalado na sua garganta. – FORA DA MINHA CASA, GAROTA INFANTIL. FORA
DAQUI E NUNCA MAIS FALE ASSIM COMIGO!
Ele não precisou dizer duas vezes. No
segundo seguinte eu não estava mais lá, mas mesmo assim eu pude escutar gritos,
como se tudo que escutei e falei tivesse sido só o começo. Eu podia imaginar
que no dia seguinte um dos dois não estaria mais em casa e só Deus saberia onde
eles estariam.
Eu não me importava em sair dali. Iria fazer
de qualquer jeito, só me deram a opção mais fácil. Queria ter sido mais forte
de algum jeito, sei lá, qualquer coisa que eu tivesse feito diferente. Mas eu
sou a Gabriela. Era óbvio que as coisas fossem acontecer assim, e que no final,
eu estaria chorando.
Flash Back Off
- Seu rosto
está normal. O tapa não deve ter sido tão forte. – Niall falava-me enquanto
segurava meu queixo e inclinava para a esquerda, analisando-o.
- De
qualquer forma,eu mereci. – Virei meu rosto para a frente enquanto fungava e enxugava
algumas lágrimas com as costas das minhas mão.
- O quê?
Claro que não, tá maluca? – Nialler falou sério.
- O caso não
é esse! Eu preciso saber se eu posso passar a noite aqui... Você sabe... você
é o único que sabe desse assunto e... – Parei de falar.
- E o quê?
Desviei seu
olhar, me levantei e encostei na parede.
- Gabriela?
Você fez alguma besteira? – Ele disse vindo em minha direção e agarrando meus
pulsos.
- Eu fiz uma
promessa a você, Nialler, e o único jeito de cumpri-la é tendo a sua ajuda.
-Levantei meu olhar até encontrar aquelas bolotas azuis e encontrá-los
preocupados. – Não, eu não me cortei, se é o que quer saber... Mas por causa
dos velhos hábitos, eu realmente quero, mas não significa que vou.
Eu ainda
tinha voz fraca e trêmula. Ia demorar
até que eu me sentisse bem depois de tudo isso.
Niall
suspirou pesado e depois sorriu.
- Você sabe
que não precisa pedir pra ficar aqui.
- Obrigada.
***
Niall deu a
ideia de eu tomar banho enquanto ele arrumava o quarto de hóspedes para eu
dormir.
Já devia ser
quase seis da manhã ou mais, eu tinha certeza. Niall fez com que eu lhe
contasse a história mais uma vez, o que fez com que a crise de lágrimas
voltasse, mas ele imediatamente foi para a cozinha preparar chá. E além do chá
com leite, Niall trouxe alguns cookies de gotas de chocolate. Isso fez com que
o menos diminuísse o choro e me fizesse feliz. Sim, comida = felicidade. É,
mais ou menos isso.
Como falar
não era a coisa mais inteligente a se fazer, ligamos a televisão e acabamos
vendo um filme. Guerra é Guerra (This is War), pra ser mais exata. Comédia era
exatamente o que eu precisava para esquecer algumas coisas.
Mas logo
após o fim do filme eu podia sentir o peso das minhas pálpebras. O choro e toda
aquela maquiagem que eu tive de usar devem ter contribuído pra isso. Sim, por
incrível que pareça usar maquiagem ou chorar me dão sono.
Então tinha
ido tomar um banho, assim poderia tentar relaxar um pouco mais antes de dormir.
Quando
estava no chuveiro queria que toda aquela água levasse com ela as dores que eu
sentia. Tanto emocional quanto física.
Eu sei,
muito clichê da minha parte, mas aí está um fato. Tudo que é clichê é verdade.
Aceitem.
Meus pés
ainda estavam doloridos por causa da apresentação, mas meu coração e meu
cérebro estavam muito mais doloridos e machucados. E levem em consideração que
as pontas dos meus dedos chegaram a sangrar.
Me lembrar
da peça me fazia sorrir.
Uma coisa
boba da minha parte. A academia de balé de onde eu era aluna, sempre ensaiou o
Lago dos Cisnes. Era a peça preferida do professores dali, tanto que acabamos
não precisando de tanto tempo para o ensaio. Já sabíamos os passos quase de
cor. O cenário era sempre reusado, apenas poucas mudanças eram feitas, e esse
ano foi a vez da minha turma se apresentar. O esforço teria valido a pena, se
não tivessem estragado a noite poucos momentos depois.
Quando saí
do box, me deparei com um pequeno problema. Eu só tinha a roupa que minha mãe
tinha levado para mim.
Dormir com
vestidos de tecidos quentes não era uma coisa boa, principalmente quando não
tinha elásticos e se tornava um problema sério para se respirar.
Eu teria de
improvisar.
Vestindo o
vestido, com a toalha na cabeça e os pés descalços saí do banheiro e fui atrás
de Niall.
No final do
corredor vi a sombra dele se projetar na parede. Ele estava no quarto dele. E
falando com alguém.
A
curiosidade falou mais alto.
- Ela está
bem, é sério... Não... Sim, eu aviso... Agora está... Sim... Sim... Okay...
Qualquer coisa peço para ela te ligar... Claro... Não se preocupe... Tchau.
Ele suspirou
e eu não pude conter mais essa pontada de curiosidade.
- Quem era?
Niall pulou
e soltou um “ah”. Parece que eu o assustei.
- Quer me
matar? – Ele estava de olhos arregalados.
- Er...
Desculpa.
- Era o seu
irmão, Gaby.
Fiquei
branca.
- o que ele
queria?
- Saber se
você estava bem.
Meu cérebro
deu pane. Achei que ele estaria bravo comigo, que queria me matar ou sei lá.
Seria até compreensível. Meu pai havia me mandado embora, não seria estranho se
Louis nunca mais quisesse olhar na minha cara.
-Ah... – Foi
o que consegui dizer enquanto fazia
minha melhor cara de confusa.
- Na verdade
fui eu quem ligou para ele, mas está tudo “bem”. Ele disse que sua mãe mandou
Drake dormir em um motel qualquer. Louis disse também que sua mãe estava louca
de preocupação, mas você estava sem seu celular.
Ele me
repreendeu com o olhar como Louis faria. Eu queria dizer de novo que tinham me
“jogado na rua”, mas sei que não adiantaria.
- Mas,
resumindo tudo, disse que você passaria a noite aqui e que amanhã estaria lá.
- não, não
vou.
- Vai sim.
- Não! Já
fui ofendida por um ano todo hoje.
- Eu te levo
a força, não adianta, mas você vai estar lá.
- Sonhe...
Ele revirou
os olhos e saiu do quarto, e não sei por que motivo reparei em uma coisa.
- Niall,
cadê sua mãe?
- Na casa de
uma amiga...
Eu inclinei
minha cabeça para a esquerda, franzi o cenho e abri a boca pra falar, mas não
saiu som, Niall me interrompeu antes.
- Não
pergunte.
Dei de
ombros. Não ia ser uma boa coisa imaginar a mãe do Nialler sair para a noitada
com as amigas... É a vida.
Então me
lembrei que eu tinha algo a pedir.
- Duende,
você seria um bom amigo e me faria um favor? – Disse com o melhor sorriso que
poderia fazer com minha cara de choro.
- Fala aí.
- Você tem
alguma coisa para eu usar como pijama? Dormir com isso não é algo confortável.
- Hm... Eu
vou ver o que eu arrumo.
- Qualquer
coisa serve. Até uma calça sua de moletom pra mim tá okay.
- obrigado,
iluminou meu cérebro. Vou pegar uma.
- E uma
camiseta também não seria nada mal.
Ele não
respondeu, mas sabia que tinha escutado. Pouco depois ele já tinha voltado com
uma calça de moletom cinza e uma blusa branca. Tudo duas vezes maior do que eu,
mas quem se importa?
- Sabe, eu
procuraria alguma coisa pra você no quarto da minha mãe, mas tenho medo das
coisas que eu poderia achar.
Ele fez uma
careta e eu fiquei curiosa. Já percebeu que curiosidade é um ponto fraco meu,
certo? Que bom.
- Por quê?
- Longa
história, garanto que você não ia querer saber.
- Fiquei com
medo.
- ótimo.
Ignorei. Fui
de novo para o banheiro e coloquei as roupas. Sério, eu parecia uma mendiga.
Me enfiei
embaixo do edredom o mais rápido que pude e tentei dormir.
Estava sendo
um desafio.
Cada vez que
eu fechava os olhos, eu ameaçava chorar. Eu estava com medo do que poderia
acontecer em seguida. Então sem ao menos perceber, eu já tinha apagado.
***
O sono veio tão de repente quanto terminou. Lembro-me de minha
consciência voltando e eu gritando um última vez.
Estava suada com o coração e respiração acelerados. Niall entrava pela
porta.
- o que aconteceu?
- E-eu... Não sei. Um pesadelo, acho.
Ele respirou fundo.
- Vou te trazer água...
- Não! Tá tudo bem.
- Tem certeza?
As imagens começaram a voltar subitamente a minha memória, e foi então que percebi que o que aconteceu nessa madrugada vai ser algo que vai me perseguir pelo resto da minha vida. Elas agora fazem parte da minha história.
- Tenho... Só... Fica aqui comigo, por favor... Estou com medo...
Involuntariamente levei minhas mãos até a minha cabeça. Niall se
sentou do meu lado.
- Gaby, não importa o que aconteça, saiba que vai ser melhor, okay?
Tenho pais separados e acredite, não é o fim do mundo. Eu sei que sua cabeça
deve tá uma confusão, mas se aconteceu, então era pra ser. Assim como eles, você vai aprender a
conviver com seja lá qual for a decisão que os dois tomarem.
- Você acha? – Levantei o olhar até encontrar seus olhos azuis.
- Claro que sim – Ele sorriu – a gente se adapta, se acostuma. Aprende
a conviver. As escolhas são feitas e então arcamos com as conseqüências. Não vai
ser tão ruim assim. Você não vai passar por tudo isso sozinha. Você é cheia de
amigos, pode contar com eles, com Louis, comigo. Estou aqui pra você, Bibi. Já
te prometi algo assim uma vez antes, e te prometo de novo. Vou estar sempre
com você.
Não pude evitar de sorrir. Pulei de onde estava e o abracei.
- Obrigada, Nialler – Disse com minha cabeça enterrada na curva de seu
pescoço – por tudo. De verdade.
- Não tem que agradecer. Sei que você faria o mesmo. Sempre.
- Sempre.
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Nota da Autora: Quem tá vivo sempre aparece, né? Pois é :p Voltei gente, dessa vez com um capítulo gigante de 10 páginas... Espero que tenha ficado bom, porque eu demorei a eternidade pra escrever ele. Mas acho que isso vocês perceberam... Bom, mas a parte boa é que eu já tenho o primeiro capítulo da festa a fantasia, que aliás, é o próximo. Só falta dar uma revisada básica e tal.
Mas de verdade, quero pedir desculpas por demorar tanto, mas quando dá branco e a criatividade some, demora pra ela voltar. Pelo menos comigo.
Mas quem aí já leu Divergente? TO APAIXONADA PELA COLEÇÃO E LOUCAMENTE ANSIOSA PARA O LANÇAMENTO DO PRÓXIMO!!!
AHHH E ESTOU APAIXONADA PELO CLIPE MIDNIGHT MEMORIES!!! u.u
Ah, e obrigada por ainda acessarem o blog, fico muito feliz por isso : )
Boa leitura, deem críticas boas, please. ><
Malikisses e Horanhugs, Bye,
Gabriela :p


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