Recado das autoras

Primeiramente, queríamos agradecer a todos que acompanham a nossa fanfic. Isso realmente é muito importante para nós. O nosso principal objetivo aqui no blog é deixar vocês interessados no que escrevemos. Por isso estamos dispostas a melhorar em tudo que vocês acharem necessário. Por isso pedimos para que vocês deixem o cometário em baixo das postagens, ou então entre em contato comigo pelo twitter @gabi_ptl. nós ficaria feliz se nos dissessem o que estão achando. Por isso queremos agradecer mais uma vez para todos os visitantes do site. Obrigada mesmo.

Ass: Gabriela e Leticia

(in English)

First, we wanted to thank everyone that came to our fanfiction. This is really important to us. Our main goal in this blog is to let you interested in what we write. So we are willing to improve in all that you think necessary. That's why we ask that you leave the cometary below the posts, or contact me at twitter @gabi_ptl. We would be happy if you told us what they're thinking.
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with love: Gabriela and Leticia


quarta-feira, 11 de junho de 2014

2ª Temporada 50º Capítulo


Autora:
--> Introdução para o capítulo especial de dia dos namorados :)
--> Babem no Zayn aí em cima :p

Niall POVs

Era um dia de aula comum, talvez um pouco diferente dos outros por conta do sol que teimava em aparecer por entre as nuvens. Coisa rara em Londres. Meu cansaço era tanto que eu mal conseguia manter os olhos abertos por mais de cinco minutos. Jurava que havia dormido sem nem perceber.
 - Não deviam ter ficado ensaiando até tão tarde. - Gabriela comentou ao meu lado sem tirar os olhos do livro. Parecia tão concentrada, que eu havia pensado que ela estava perdida dentro da história.
- Não tínhamos outro dia pra treinar. Era ontem ou nunca. - suspirei quase me rendendo ao sono. O som do riso doce de Gaby me deixou ainda mais cansado. Foi um som tão leve, quase imperceptível.
- Vamos -disse ela. -, ao contrário de você, vou ser uma boa amiga. Pode deitar no meu colo. - eu estava tão destruído que não argumentei nada, só deitei e fechei os olhos. 
Desde o dia do jogo eu estava com a cabeça cheia, acumulada de coisas, perguntas e assuntos que eu não sabia resolver ou tratar. Me sentia nervoso por mil motivos diferentes, e isso vinha tirando meu sono todas as noites. Não era consciência pesada, acho eu que era apenas receio. Um pressentimento que eu ainda não tinha identificado se era bom ou ruim. Esperava realmente que fosse a primeira opção.
Era hora do intervalo, mas hoje, ao contrário do que fazíamos todos os dias, não estávamos no refeitório com os outros, Gabriela e eu estávamos em frente à escola. Não na parte do estacionamento, e sim daquela onde tinha grama, algumas árvores e vários bancos espalhados. O som que o vento fazia, a conversa baixa das pessoas ao redor e o barulho da mudança das páginas do livro que ela lia me fizeram pegar no sono por tempo indeterminado.
Acordei sobressaltado com o barulho de sirenes. Não só eu como todos os outros estavam totalmente confusos, curiosos e preocupados. Me coloquei sentado assim que a viatura da polícia estacionou a poucos metros dali. Assim como eu, Gabriela fechou o livro, juntou as pernas junto ao corpo e ficou de olhos atentos na polícia. Não mais que cinco minutos depois, na porta do colégio, o diretor falava seriamente com os dois homens uniformizados. Parecia achar um total absurdo do que lhe falavam. Balançava a cabeça para os lados freneticamente, mas aos poucos, foi cedendo às ordens policiais.
Logo os três entraram, seguidos dos olhares atentos de todos.
Não demorou para que a voz do diretor soasse pelos auto falantes, pedindo para que aqueles que estavam fora de escola entrassem, e os que estivessem dentro não saíssem até segunda ordem. Gaby e eu nos entreolhamos e sem outra escolha, seguimos até o corredor de entrada. Não se precisou olhar muito para perceber que a situação era séria.
As horas se passaram, mas a tensão de o porquê aqueles policiais estavam ali, só aumentava. O burburinho se tornou ainda maior quando outros dois policiais entraram as pressas rumo a algum outro corredor.
- De verdade, não sei se vou aguentar ficar aqui por muito mais tempo sem ter um colapso de curiosidade... - Bibi comentou enquanto batia os dedos sobre a capa do livro. Concordei balançando a cabeça.
Quando eu já estava a ponto de ignorar tudo aquilo e passar meu tempo comendo besteiras em geral que eu pudesse encontrar no meu armário, meio que do nada, e eu ainda não descobri de onde, Liam apareceu vindo em nossa direção. A expressão dele não era uma das melhores, então coisas boas não se passaram pela minha cabeça, e aposto que na de Gaby também não.
- Achei que vocês tivessem ido embora! - ele disse assim que se aproximou.
- Bom, não sei se você escutou bem, mas estamos presos aqui até segunda ordem. - Gabriela falou enquanto Liam revirou os olhos, impaciente.
- Sabe por que esses caras estão aqui? - perguntei.
- Saber eu não sei, mas ouvi uns boatos. - Liam abaixou o tom de voz gradativamente. - Estão revistando o vestiário masculino, uns garotos que estavam lá falaram que era sobre posse de droga.
- Como assim? Dentro da escola, assim sem mais nem menos? - Apesar de que ninguém estava escutando além de nós três, Gaby parecia a ponto de gritar, totalmente confusa e revoltada. - Como ninguém conseguiu desconfiar disso?
- É bem simples, na verdade. - Liam começou. - Tem uns caras do último ano, poucos, mas que usam e vendem.
Legal o jeito que eu fiquei sabendo que a escola estava cheia de gente usando produtos ilegais. O único consolo foi saber que não era apenas eu quem achava que ali era outro tipo de realidade. A cara de contragosto de Gabriela seria engraçada se fosse em outro momento.
- E por que hoje? Por que vieram pra cá assim do nada? - ela pergunto jogando o cabelo para trás, o enrolando e fazendo um coque meio solto em poucos segundos.
- Provavelmente foi denúncia anônima. - comentei e Liam assentiu, concordando com meu raciocínio dedutivo.
- E por que você acha isso? – Eu sabia que ela estava tentando ligar alguns pontos, por isso estava sem entender nada e tão confusa.
- Tipo, o cara não vai ser trouxa de entregar os próprios "comparsas", pois seria pego em seguida, e também não seria idiota de deixar nome pra que depois fossem atrás dele. É quase que óbvio. - respondi dando de ombros em seguida.
– Nossa, Niall. Senti a indireta por me chamar de burra. - Não senti que ela estivesse realmente ofendida, mas como não sorriu em seguida, fiquei preso no meio termo sobre o que pensar.
- De qualquer forma, isso vai manchar a reputação do colégio. - Meu amigo falou.
Todos concordamos. Poderia dar uma bela de uma encrenca com os pais dos alunos, a polícia provavelmente iria ficar em cima daqui pra frente. O próprio diretor ficaria obcecado sobre o assunto, podendo até correr o risco de perder o emprego e o cargo. Me senti tão prendido em “entender” o que estava acontecendo, que nem havia notado quando um dos policiais, alto e moreno, apareceu carregando um saco pequeno, mas com algumas várias coisas dentro.
Como numa cena de filme, os alunos abriram passagem no corredor, se encostando nos armários conforme o homem se aproximava da saída.
- Alguém provavelmente tá muito ferrado... -Gabriela comentou como se não conseguisse acreditar no que via. Não tive tempo de falar nada quando o autofalante soou com a voz do diretor dizendo aos alunos que o resto do dia de aula havia sido suspenso, que todos deveriam ir para suas devidas casas.
Pouco a pouco os alunos foram desobstruindo o corredor, deixando a porta bem amontoada de pessoas. Decidimos esperar e sair com todos os ossos no lugar, sem sermos atropelados e etc.
Não demorou segundos para que víssemos Leticia e Harry na frente, sendo seguidos pelo resto do nosso pessoal.
- Só vocês pra conseguirem tomar chá de sumiço... - kemelly tinha mantido o bom humor.
- Fala isso por causa do Liam, nem liga pra gente! - Gaby seguiu o exemplo dela arrancando algumas risadas dela mesma.
- Tá, agora vamos pra casa dormir, esperar e ver no que tudo isso vai dar. - Louis disse seguindo em frente.
Sem uma alternativa melhor, começamos a nós dirigir até onde todas as outras pessoas andavam.
Foi quando estávamos perto da porta, sem mais que quinze pessoas restando no corredor que escutamos as exclamações dos outros que restavam. De cenho franzido comecei a procurar pelo que estavam olhando e comentando. Logo a frente dos policiais, com as mãos nas costas e cabeça baixa, vinha Erick e mais dois garotos que eu apenas conhecia por vista. Ele estava sendo preso? Eu não sei como meus sonhos se tornaram realidade assim tão rápido, mas apesar disso, eu não estava exatamente feliz, sentia algo esquisito, mas não sabia explicar. 
Gabriela que estava a minha direita, pegou meu braço e o apertou. Olhando seu rosto, vi seu queixo caído, seus olhos arregalados e uma expressão incrédula. Não vou mentir e dizer que a hipótese de o pegarem passou pela minha cabeça, só achei que fosse mais esperto do que isso.
Mas ele vive me surpreendendo.
Quando olhei para Louis, vi seu sorriso sarcástico se formar. Apostava que ele estava feliz em ver esse babaca indo preso, por alguns meses, quem sabe até um ano. Mas me contentaria em vê-lo fazer algum trabalho comunitário por várias semanas.
Quando Erick finalmente levantou o olhar, se deparou com a gente o encarando descaradamente. Ao contrário do que eu realmente pensei, Gaby se afastou de mim, dando dois curtos passos para frente. Erick fez o mesmo, e ela não se afastou, na verdade, com a face ainda incrédula começou a falar:
- Foi sempre assim? - Sua voz saiu baixa, calma. Não entendi o porquê, achava que ela teria começado a gritar, ou ter simplesmente saído correndo. Erick parecia tenso. Abria e fechava a boca diversas vezes, mas as palavras lhe faltavam. - Erick, eu falei com você. - seu timbre era tão controlado que eu ficava com medo de um dos dois explodir de repente.
- Às vezes. - ele confessou. - Mas não sempre. Piorou no momento em que você me deixou...
Juntei as sobrancelhas e alternei meus olhares entre os dois, assim como aqueles que restavam no corredor faziam. O policial era o único que parecia não ligar.
- Você fala como se a culpa fosse minha. - Gaby murmurou quase sem mexer os lábios.
Erick fechou os olhos para poder respondê-la:
- Era o meu jeito de esquecer. - Se justificou. - Ficar sem você doeu mais do que achei que doeria.
- As coisas poderiam ter sido diferente se suas atitudes tivessem sido diferentes. - Gabriela falou o encarando, apressando-se em responder. - Não sei por que achou que ficando chapado resolveria seus problemas, mas tudo o que você precisava fazer era mudar sua forma de agir e pensar.
- Você não vai voltar a ficar comigo mesmo que eu faça isso. - O tom que ele usou chegou bem perto do desprezo.
- Tem razão, não vou. - Assentiu ela mantendo a expressão séria. - Mas se tiver que fazer isso, vai fazer por você mesmo. E se realmente gostou de mim algum dia, vai pelo menos considerar essa sugestão por você. - Era óbvio que ele estava confuso. Tão confuso quanto o resto das pessoas. A encarava como se o que visse fosse algum tipo de holograma. - Você merece um futuro melhor, Erick. Todos merecem.
Ele queria argumentar, provavelmente reclamar que o que ela falava não fazia sentido, ou qualuqer coisa do tipo, mas antes que qualquer som saísse de sua boca, Gabriela já estava fora da escola, bem longe dele.
Percebendo que ela não iria voltar, o policial continuou a arrastar Erick e os outros dois caras pra fora. Todos com olhares baixos e perdidos. Antes que eles cruzassem a porta, eu já estava do lado de fora à procura de Gabriela. Não olhar procurar muito para vê-la, ela estava parada ao lado da porta do passageiro do carro do seu irmão.
- Gaby? - A chamei alto e insisti até que ela olhasse pra mim, dando um sorriso com os lábios fechados, sem alcançar os olhos.
- Os outros já estão vindo? - Perguntou não parecendo nem um pouco interessada. Neguei e dei de ombros, não tinha esperado pra ver o que eles iam fazer, ou o quanto iam demorar. Gaby sorriu de lado e voltou a encostar o quadril na lateral do carro.
Me aproximei mais dois passos até conseguir ver seu rosto sem expressão alguma. Lógico, que algo como isso não ia acontecer e deixá-la bem. Foi um choque pra ela e pra todo mundo.
- Sabe que pode conversar comigo, não sabe? Confiar é o que os amigos fazem. - Foi o que falei quando estava já próximo o suficiente.
Se virou e ficou de frente pra mim. Eu não esperava que ela fizesse nada, só ficasse ali parada me olhando. Mas ela ficou nas pontas dos pés e passou seus braços ao redor do meu pescoço, me abraçando. Não demorei para retribuir o gesto.
- Só quero ir pra casa. - Sussurrou sem alterar a calma na voz.
Entendi que ela precisava de espaço, e eu não recusaria de dar o tempo necessário. Por várias experiências, pensei que talvez ela fosse começar a chorar ou algo parecido, mas percebi que lágrimas não sairiam dos olhos dela. Pelo menos não agora, ou na minha frente.

Louis POVs

A escola estava bem, o diretor com seu emprego, nada de pais enfurecidos, mas os alunos pareciam "abalados". Mesmo o colégio tendo ficado interditado por um dia inteiro, mais o que restava daquele, onde finalmente o ex-namorado da Gabriela (não me orgulho de chamá-lo assim), foi preso, e agora tudo deveria estar as mil maravilhas.
Só que não.
Esse havia se tornado o assunto do momento, e infelizmente não tinha um lugar para onde eu ou qualquer pessoa fosse sem que a palavra "drogas" estivesse associada a "prisão". E pra deixa a situação só um pouco melhor, por mais que minha irmã não fosse nada, nem um pouco popular, as fofocas se espalhavam rápido. Os nossos nomes hora ou outra eram falados no meio daquelas conversas enjoativas e sem fundo. Tentava pensar naquilo como algo insignificante. Mas era difícil não se intrometer no meio daquele bate-papo.
Respirei fundo e tentei manter a calma. Hoje eu não ia arrumar briga com ninguém.
Andei por todo o corredor até meu armário. Consegui desviar dos olhares das pessoas que fofocavam, mas infelizmente não consegui fazer isso sem antes cruzar com Zaynne, que ia para o lado oposto. Prendi meu olhar nela, e ela em mim. Era estranho estarmos agindo daquela forma, mesmo com a promessa de agiríamos normalmente um com o outro. Olhei para o chão percebendo que estava fazendo tudo do jeito errado ao contrário do que eu realmente deveria. Parei na frente do meu armário pronto para colocar o código de números.
- E aí, Lou? - dei um leve pulo com o susto que Mary havia me dado. Não sei de onde ela surgiu, mas estava ali do meu lado.
- Da próxima vez juro que jogo esse livro na sua cara! - Falei tomando sua oportunidade de falar. Marie riu, pouco interessada. 
Com ela ainda ali, parada no mesmo lugar, peguei o livro da minha primeira aula, joguei meu casaco ali dentro, e o fechei sem delicadeza. 
- Preciso de um favor seu. - Ela falou assim que me virei de frente pra ela. Um pouco desconfiado, a analisei por um momento.
- Que tipo de favor? - Lógico que eu não ia falar que sim sem nem ter conhecimento sobre o que ela quer. Sou idiota, mas nem tanto.
- Um daqueles que eu tenho certeza que você pode fazer. - Sua empolgação me deixou confuso. Apenas balancei a cabeça para os lados e dei de ombros. Ela ia dar um jeito de conseguir o que queria cedo ou tarde. Só estava deixando a situação mais fácil.
- Certo, e o que seria? 
- Me leva naquele seu amigo hoje de novo? Tenho prova semana que vem, e eu juro que não consegui entender absolutamente nada da matéria de química. Não entra no meu cérebro! - Marie colocou a mão na cabeça e franziu o cenho.
- Beleza, falo com ele sim. - Respondi a ela. Se esse era o favor, tinha me preocupado a toa.
- Muito obrigada, Louis! - Mary me abraçou lateralmente, mas não durou mais que três segundos. Comecei então a dar passos pequenos rumando para a sala quando ela voltou a me parar.
Logo depois me fitou com o olhar de um filhote de gato, sei lá porque. 
- Tem como fazer isso ainda hoje? Eu meio que to cheia de coisa pra fazer, e não posso deixar tudo pra última da hora. Vou acabar me ferrando se fizer isso. 
Certo. Como dizer não pra ela? Simplesmente não possuo essa habilidade. Não mais, quero dizer. Eu podia ter um mundo de coisa pra fazer, mas dizer pra ela "hoje não dá" meio que não saia da minha boca. Quase do mesmo jeito que acontecia com minha irmã. Vendo que eu faria aquilo, no mesmo instante ela começou a dar pulinhos no corredor, enquanto eu pegava meu celular no bolço da calça jeans. Não demorou pra que eu achasse o número do meu amigo.

Ligação on

- E aí, cara? Por que tá me ligando? Nossa primeira aula é junta. - Ele tinha diversão na voz. E o barulho na sala já era grande. Realmente eu estava sendo mesmo idiota, podia só dar uns passos e já estaria lá, mas era mais fácil fazer assim. Na minha concepção pelo menos era.
- Eu sei, eu sei. Mas preciso de um favor. - Continuei indo direto ao ponto.
- Então fala aí, só não inventa nada muito ridículo, se não vou querer vingança de você depois. - Revirei os olhos e ri.
- Lembra da minha amiga que eu levei outro dia na sua casa pra uma ajuda básica nos estudos? - Ela ainda estava na minha frente, tinha os olhos totalmente fixos, sem piscar. Era um pouco intimidante, admito. Desviei o olhar pra conseguir continuar a conversa.
- Aquela gostosa que deu a festa no fim de semana? - Não gostei de como ele falou dela. Não gostei nem um pouco. Todo o bom humor que eu tava tendo com o cara, desapareceu. Murmurei concordando que era ela mesma, não era uma mentira, afinal. - Ah, to ligado de quem você tá falando. Pode trazer ela aqui em casa hoje. Fiquei sabendo que ela tá solteira, será que você arruma um esquema pra gente se ela estiver afim?
Que cara de pau! Na casa dele é o caramba. Pra lá a Marie não vai de jeito nenhum. Nem que os porcos voem! (Eu sei, péssima expressão, mas é o que temos pra hoje). 
- Na verdade, por que não vamos no shopping? - Minha amiga juntou as sobrancelhas mostrando que não gostava da ideia. - E depois a gente come alguma coisa por lá. - Sugeri.
- Mas a gente pode fazer isso aqui e...
- Então tá marcado. A gente se vê no shopping depois do colégio. - o ignorei completamente do outro lado da linha. - Até já, dude.
- Você que sabe, cara, mas... 
Desliguei o telefone antes que ele argumentasse alguma coisa. Ou falasse qualquer coisa.

Ligação off

- E aí? - Marie me perguntou ansiosa pelo "sim", mesmo já sabendo a resposta.
- Shopping, hoje, depois da aula. - Falei num fôlego só. 
Ela me olhava sorrindo, mas não falava nada. Então fiquei esperando que ela respondesse algo como: "Oh! Louis, como posso te agradecer, meu herói?" Ou algo um pouco diferente, tipo: "Nossa! O que seria eu sem você, minha salvação!". Mas a única coisa que saiu da boca dela, depois de mais tempo que o necessário foi:
- Por que no shopping? - Ela parecia um pouco incrédula, como se não tivesse gostado nem um pouco. - Tanto lugar pra escolher! Minha casa, sua casa, casa dele. Por que no shopping? 
Durante trinta segundos pensei numa boa resposta pra ela. 
- Lá é mais legal e movimentado. - Foi o que saiu. Nada bom, mas serviu pra enrolar. - E não tinha como ir na casa dele. - Aumentei a mentira e conclui. 
Ela piscou e balançou a cabeça. 
- Você não existe, Louis. - Sorri abertamente. Talvez ela não tenha dito aquilo como um elogio, mas pelo menos ela pensou alguma coisa sobre mim. Melhor que nada. 
Andamos pelo corredor conversando cada minuto sobre alguma coisa diferente. Era engraçado como eu não tinha percebido antes que com Mary o assunto não parecia acabar nunca. Sempre tinha algo (geralmente idiota) que nos mantinha falando o tempo todo. Eram raros os momentos em que o silêncio constrangedor tomava conta das nossas conversas. 
- Vou aproveitar que vamos no shopping e comprar o Cd dos meus maridos. - Ela dizia, sorrindo.
- Qual Cd dessa vez?
- Ainda não decidi. Vou de acordo com aquele que eu achar primeiro. - Mary gesticulou animadamente, o que me fez pensar que a ideia de ir pra outro lugar não tinha sido exatamente muito ruim pra ela.
- Eu tinha pensado que você já tinha todos os CDs do McFly. - comentei.
- Não, eu tenho todos os CDs do Justino Bieber. Do McFly só tenho dois. - Apesar de eu ter feito uma pergunta inocente, ela pareceu empolgada o suficiente para desencadear a história de vida de todos eles em menos de cinco minutos. Pior de tudo era que eu queria prestar atenção no que ela falava. Queria prestar atenção nela. Tinha alguma coisa errada comigo, eu tinha quase certeza.

O tempo passou, apenas mais alguns minutos e Marie só parou de falar sobre "seus maridos" quando Niall nos interrompeu:
- E aí, pessoal? Tudo bem? - Apenas balancei a cabeça indicando que sim, economizando palavras.
- Tudo, e você? - Marie foi mais educada que eu.
Olhando pra ele, pensei que poderia estar jogando branco, mas tinha quase certeza absoluta que ele não tava aqui querendo falar comigo e com a Mary. Só estava esperando ele próprio dizer isso. Não ia dar ideia pra ele. 
- Vocês viram a Gaby por aí? - E eu estava certo.
- Ela não veio hoje, dude. - falei pra ele que pareceu tão confuso quanto Mary tentando entender por que o shopping e não a casa de algum.
- E por quê? Ela tá doente ou algo assim? - Niall franziu o cenho, parecia preocupado.
- Não exatamente isso, mas sim. - Comecei a falar recebendo atenção dos dois. - Ela disse que tava com muita dor de cabeça e mal estar. Ligou aqui pra escola avisando que não viria e marcou uma prova substitutiva, e voltou pra debaixo das cobertas. 
- E você acha que ela falou sério? - Enquanto Nialler arqueava uma sobrancelha, eu juntava as minhas parecendo obviamente confuso.
- Claro, por que não estaria? - Quando ele assentiu com a cabeça, tive certeza que ele tava tirando com a minha cara.
- Certo, se você diz... - Eu poderia contestar. Até tinha aberto a boca, mas resolvi que era melhor ficar quieto. Não ia adiantar nada.
Ficamos ali por mais alguns minutos até o sinal bater. Cada um seguiu pra sua determinada sala, e acidentalmente me peguei observando Marie mais tempo do que eu realmente deveria. Ela não percebeu, mas por algum motivo eu queria que ela tivesse visto e retribuído o olhar. Não foi isso que aconteceu.

Helena POVs

Eu havia chegado atrasada, mas tinha meus motivos. Bons motivos, aliás. Era difícil correr de salto por aqueles corredores, então meio que eu já havia me preparado pra isso. Só não havia me preparado pra correr tanto! Parecia que a qualquer momento eu iria tossir meus pulmões pra fora. Nojento, mas era o que parecia.
Meu cabelo, que geralmente era sempre bonito e arrumado, hoje estava uma verdadeira vassoura. Coisa que eu não admirava da minha pessoa, mas juro que o sorriso no meu rosto valia tudo isso.
Quase derrapando no meio do corredor vazio, parei de frente para a sala de aula, tentando controlar o movimento descontrolado de minha respiração. Isso não aconteceu, mas de qualquer forma o professor já havia me visto e juntado as sobrancelhas. Ele também sabia que aquela não era a minha sala da primeira aula.
Dei três leves batidas na porta e enfiei minha cabeça dentro da sala. Fui encarada por diversos olhares totalmente confusos.
- Er... Posso falar com o Zayn? - O professor piscou antes de assentir, incrédulo.
Sem tirar o sorriso do rosto virei minha cabeça em direção a Zayn, que estava sentado no fundo da sala. Provavelmente o meu sorriso deveria estar tão grande, que poderiam achar que sou uma maníaca psicopata.
Lentamente ele se levantou, sem tirar a expressão de "o que fizeram com você?" do rosto. Pediu licença para o professor e saiu da sala, me puxando pelo pulso em seguida.
- Certo, o que aconteceu com você? - O timbre de sua voz era baixo, talvez um pouco contido.
Levantei o envelope e senti meus olhos se arregalarem mais, meu sorriso se alargar mais, e um grito de felicidade se formou na minha garganta.
Ele também arregalou os olhos, mas de mim, e não do conteúdo da carta. A indiquei com os olhos até que ele a abrisse e lesse. Correu os olhos rapidamente pela folha branca até finalmente levantar o rosto e me encarar.
- Você tem um teste? - Podia ver que estava tão surpreso quanto eu tempos atrás ainda hoje de manhã.
- SIM! - Minha resposta saiu quase como um grito agudo, um pouco esganiçado e fino demais para a minha pessoa.
Zayn então abriu um sorriso tão grande quanto o meu e começou a rir feito um idiota. Fiz o mesmo logo em seguida quando ele passou seus dois braços por minha cintura e me apertou contra si. Aceitei o abraço de bom grado o apertando na mesma intensidade.
- Quero que você vá comigo! - Falei assim que ele me soltou e eu pude olhá-lo olhos nos olhos.
- Só me fala quando, e eu vou. - Sorriu antes de dar um beijo estralado na minha bochecha, seguido de outro na minha boca.
- Vai ser hoje a tarde, um pouco depois da escola. Espero que não se importe em ficar comigo todo esse tempo. - Comecei, chacoalhando seus ombros. - Alguém tem que ajudar na escolha da minha roupa.
Era óbvio que eu estava apenas brincando com ele, e não esperava que Zayn concordasse comigo, mas ele fez mesmo assim.
- Eu sempre soube que você gosta do meus estilo. - Disse com ar de superior, me fazendo rir em seguida.
- Não seja tão convencido, santo ego! - Gesticulei em sua frente.
Eu estava tão presa na conversa com Zayn que mal havia notado a presença do professor parado na porta, um pouco zangado. Pigarreou alto fazendo com que Zayn virasse nos calcanhares e eu desse um passo para trás.
- Acho que teve tempo suficiente para falar seja lá qual for o recado para o sr. Malik, certo srta. Payne?
Por mais que a palavra "não" estivesse totalmente formada e na ponta da minha língua, meu subconsciente gritava para me alertar que eu me controlasse pelo menos hoje. Não podia ficar na detenção. Tinha coisas mais importantes!
Dei o meu melhor sorriso sem mostrar os dentes e concordei com ele. No fundo eu estava com muita raiva, mas o que mais poderia fazer?
Eu nada, mas aparentemente ele sim.
Dando uma leve bronca pediu para que cada um voltasse para sua sala. Eu nem me lembrava pra qual aula eu devia ir. Zayn pegou em minha mão e deu um leve aperto, enquanto dava um sorriso de canto com mil significados diferentes, me fazendo derreter por dentro.
- Vejo você daqui um tempo. - falou antes de entrar na sala e me deixar ali com um sorriso de orelha a orelha.
- Vou estar esperando. - respondi apenas mexendo os lábios, sem som. Mas me olhando pelo vidro da porta, sabia que ele tinha entendido.
Parecendo aquelas fadas que eu gostava quando criança, saltitei por todo o corredor até meu armário. Ainda sorrindo, claro. Provavelmente não iria desaparecer tão cedo. Nem se a próxima aula fosse matemática.

Harry POVs

Já era o terceiro intervalo da aula que tínhamos, mas eu não conseguia encontrar Leticia. Desde que Olívia entrou naquele café, é como se ela estivesse se isolando de todo mundo. Dos amigos, das amigas, de mim. Ontem mesmo tentei entender o que estava acontecendo recorrendo ao Lucca, mas a única coisa que consegui arrancar dele é que aparentemente eu sou um "idiota grudento". Tentei não levar essa parte para o lado pessoal, e me concentrar nas aulas, ou pelo menos nos ensaios que ficamos fazendo nesses últimos dias. Era só pensar que eu me sentia nervoso. Não sabia o que esperar sobre a próxima fase, e faltava pouco mais de uma semana. 
Andei pelo corredor esbarrando na maioria das pessoas, sem me preocupar com pedidos de desculpa. 
Quando a vi, a primeira coisa que percebi foi seu cabelo solto, tomando conta de metade do rosto. Distraída, nem percebeu o momento em que me aproximei dela.
Antes mesmo de falar com minha namorada, percebi que seu armário estava mais vazio que de costume. Não que ela não o deixasse arrumado, não era só isso. Parecia que metade das coisas haviam sumido.
- Oi, meu amor! - A surpreendi com um beijo na bochecha e um sorriso doce.
Letícia pareceu assustada, não esperava minha presença ali, mas mesmo assim, retribuiu o sorriso.
- Oi! Como você tá? - Eu poderia ser enganado pelo sorriso no seu rosto, mas não pelos seus olhos e a tristeza em sua voz.
Balancei a cabeça sem prolongar aquela parte da conversa e apontei para onde ela estava mexendo. 
- Fez uma limpeza ai? - Tentei achar seu senso de humor, mas aparentemente ela tinha esquecido ele em algum lugar que não era aquele armário, disso eu tinha certeza.
- Mais ou menos isso. - Sorriu sem mostrar real felicidade em fazer isso. Senti que o clima ficou tenso entre nós dois, porque simplesmente eu percebia que ela não queria falar comigo, e isso me deixava quase louco.
Quando o sinal bateu, mais rápido do que ela costumava, Letícia tentou passar por mim e ir para a sala. Segurei seu braço assim que cruzou meu lado esquerdo. Não podia deixar que ela criasse toda essa barreira invisível sem que eu ao menos soubesse o motivo.
- Por que você tá assim? - Procurei olhar nos seus olhos e ver a sinceridade neles, mas foi impossível fazer isso quando Lelê olhou pra tudo, menos pro meu rosto, para os meus olhos.
Senti uma dor crescer dentro do meu peito. O que eu havia feito?
- Harry, eu preciso ir para a aula. - Tentou dar mais um passo e acompanhar as outras pessoas. Mais uma vez eu a impedi.
- Letícia, o que fiz? Por que tá se afastando? - Eu esperei pelo que parecia uma eternidade, mas não foi nada mais que 60 segundos. 
- Você não fez nada, Hazza. E eu também não estou me afastando. Só estou cansada por ter passado a noite estudando. - Não engoli a mentira dela. Na verdade, me senti ainda pior por ela estar fazendo isso, escondendo coisas de mim. 
- Por que está mentindo? - Murmurei para apenas ela escutar.
- Não estou mentindo, Hazza... - Tentou argumentar, mas eu a cortei antes que ela fizesse isso:
- Não vou te obrigar a dizer nada, Lelê, mas eu realmente pensei que você confiasse o suficiente em mim pra contar seus problemas. - Pude ver que ela estava dividida no que faria. Talvez eu entendesse perfeitamente que fosse algo doloroso. Só esperava que ela compartilhasse isso comigo e nós pudéssemos enfrentar isso juntos como sempre aconteceu. - Eu to aqui pra ajudar, e vou ficar do seu lado independente do que seja. - Seu suspiro de derrota fez com que eu soltasse seu braço, dando um passo pra trás em seguida. - Espero que saiba disso.
E quando ela virou nos calcanhares e continuou em direção a sala de aula, fiquei ali parado, pensando em qual seria o próximo passo que daríamos para trás.

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Nota da Autora: Dessa vez eu postei bbeeeem rápido graças ao meu novo celular que eu amei muito que é very útil já que agora osso escrever tipo vinte e quatro horas diárias se eu quiser.
Espero que tenham gostado. Eu gostei principalmente da foto do Zayn (hehe). 
Como viram esse cap. é a introdução para o capítulo 51 (wow) que será um especial (só um tico atrasado) do dia dos namorados (12/06-amanhã). Não fiquem bravos! PLEASE!
Espero que tenham gostado, e isso é tudo!

ps: desculpem pela falta de criatividade nas roupas. não tava muito criativa pra isso.

Até a próxima galera! 
Kisses,

Gabriela


Ps2: Feliz dia dos Namorados! E boa Copa do Mundo!!

quarta-feira, 4 de junho de 2014

2ª Temporada 49º Capítulo - Especial Copa do Mundo



Antes de tudo: ESPECIAL COPA DO MUNDO!
Tema: Futebol (óbvio)
Já que eu estava um tanto inspirada, o resultado foi esse. Tá meio sem graça, eu sei, mas é o que foi permitido para uma leiga como eu escrever sobre futebol. Mas mesmo assim espero que não esteja ruim de tudo, provável que o próximo capítulo esteja melhor. (orando pra isso)
Boa leitura para todos.

Helena POVs

Provavelmente já era dia. Tentei abrir os olhos, mas a claridade me impediu, já que a cortina do meu quarto estava aberta, permitindo que os raios de sol alcançassem meu rosto. Resmunguei qualquer coisa sem sentido e ergui a cabeça. Hm... Ainda eram nove horas da manhã. Certo, eu precisava dormir mais para recuperar as horas gastas na noite passada.
Levantei e fechei a cortina. Tinha grandes esperanças de que assim que caísse na cama, só acordasse novamente às duas da tarde, mas Liam resolveu atrapalhar meus planos daquela manhã abrindo a porta igual a um louco falando sem parar.
Tive que piscar várias vezes até minha cabeça começar a assimilar o que ele falava.
- ... meia hora pra se arrumar e estar lá. - Ele terminou puxando a maçaneta da porta, mas eu o impedi atirando uma almofada em sua direção.
- Espera, desgraça! - falei com a voz grogue.
- Mas caramba! De repente todos querem me acertar com uma almofada. - Meu primo reclamou e eu bufei revirando os olhos.
- Talvez seja por que você mereça. - Comentei.
- Dane-se! Você tem meia hora. - Novamente atirei uma almofada. - Mas que droga, Lena!
- Meia hora pra que, Liam?
- Pro jogo de futebol, o que mais seria? - Ele saiu e bateu a porta do quarto me deixando transtornada. que droga de jogo era aquele?
Levantei me arrastando, tentando prolongar o tempo que podia na cama, tapete e chuveiro. Mas no fim das contas, não tive muita escolha a não ser colocar meu roupão de oncinha felpudo, macio e gostoso. Talvez eu fosse com ele ao jogo.
- Helena, seu uniforme tá aqui. - Liam fez uma invasão relâmpago jogando minha blusa e minha saia na cama desarrumada.
- Pra que eu vou querer esse troço? - Gritei ainda no mesmo lugar.
- Se eu vou jogar, obviamente você vai ter que se apresentar. Esqueceu seu cérebro ontem na festa? - Menino retardado.
Vesti aquilo contra a minha vontade. Ver a cara de Ingrid era tudo o que eu não queria. Estava muito bem sonhando com Paris, compras e sapatos.
Eu geralmente deixava um lembrete no meu celular toda vez que tivesse apresentação. Ou meu celular estava quebrado, ou eu precisava comer mais peixe.
Indo para o banheiro, me deparei com um reflexo horrível da minha pessoa. Agradeci mentalmente a pessoa que inventou o corretivo, a base, o pó e todo tipo de maquiagem. Isso seria minha salvação hoje, amanhã e pra sempre.Não que eu fosse feia. Claro que não, eu sou bonita, mas sempre tem aquela leve olheira, aquela porcaria de espinha, ou aquele lugar legal que você tem que estar mais arrumada. Agora, por exemplo, era a primeira e terceira opção.
Passei rímel, lápis, batom avermelhado (não tipo palhaço) e amarrei o cabelo em um rabo de cavalo firme bem alto. Eu estava... Normal. Ainda bem, não queria estar no estilo exagerado de Ingrid e suas baratas.
Calcei o tênis, peguei o celular e desci as escadas. Olhei para os lados. Nada do meu primo apressado estar por perto. Dei de ombros e peguei uma banana na fruteira.
Enquanto a descascava meu celular vibrou. Ahá! Eu sabia que tinha deixado um lembrete para hoje...
- Vamos, preguiçosa! Estamos atrasados. - Nunca vi Liam correr tanto e tão rápido. Talvez estivesse se aquecendo. Pelo menos era o que parecia...
Sem muita escolha, segui Liam até o carro.
- Vamos lá. Temos um jogo para ganhar.

Marie POVs

Eu costumava me achar um ser humano preguiçoso, mas mesmo dando uma festa noite passada que só acabou as quatro da manhã, ter chegado em casa quase uma hora depois, não ter dormido mais que três horas, levantar com a cara de um Resident Evil, e ainda estar nesse vento desgraçado, sentada sozinha em uma arquibancada com um monte de desconhecidos que não conseguem calar a boca, me senti uma vitoriosa por arrumar animação para mexer um músculo.
Sem sinal daquelas preguiçosas e o jogo estava prestes a começar.
Enquanto ficava ali resfriando a minha temperatura corporal em um dia nublado, típico, prestei atenção no treino que o time adversário estava fazendo. Nunca vi garotos com ombros tão largos como esses, nem tão musculosos assim. Só na academia e olhe lá! Estava começando a ficar com pena das possíveis coisas que eles poderiam fazer com o time da nossa escola... Pior seria se fosse futebol  americano. Não consigo imaginar a sorte de terem por ser futebol normal.
Me encolhi ainda mais no meu lugar, puxando as mangas para cobrir as mãos e a touca para cobrir mais minhas orelhas. Inverno... Apenas bom para ficar embaixo das cobertas e tomar chocolate quente.
- E aí, festeira? - Fui atingida na lateral direita por um ser humano alegre demais para àquela hora da manhã.
- Dormiu bem essa noite? - Outro ser me atingiu pela esquerda.
- Pensei que estivessem em coma há uma hora dessas. - Comentei rindo.
- Não! A única coisa que ainda não me deixou em paz foi a dor de cabeça, mas relaxa, já tomei café bem forte, remédio para dor de cabeça, e trouxe um Energy Juice que Louis fez. - Kemelly comentou abrindo a bolsa e me mostrando.
- Ah, você tá de brincadeira que passou antes na casa da Gabriela me fazendo esperar aqui sozinha! - Me fiz de reclamona, mas era verdade. Não gostei de ter ficado lá sozinha por tanto tempo, tipo, vinte minutos.
- Na verdade - Começou Gaby. -, a história é ainda melhor. Essa criatura aqui invadiu minha casa ontem de madrugada e se recusou a sair.
Intercalei meus olhares entre Gabriela e Kemelly, que apenas concordava com a cabeça e com os lábios reprimindo um sorriso.
- Entendi o porquê dessas roupas, kemy. - A careta que recebi com esse comentário me fez gargalhar.
- Não se atreva a falar mal do meu cropped! - Gabriela disse e as duas riram em seguida.
- Que tipo de pessoa é você pra ir de madrugada na casa dos outros, kemelly?
- É bom visitar as colegas. - ela falou.
- Não de madrugada. - Completou Gaby e eu revirei os olhos.
- Vieram com o Zayn ou com o Louis? - Perguntei olhando par ao campo.
- Viemos com o Louis. Ele acordou bem cedo hoje. - Gabriela comentou mexendo no celular. - Aliás, acho que ele nem dormiu. Estava com uma cara péssima, mas não quis me contar o porquê. To meio preocupada com isso.
Antes que eu pudesse me sentir curiosa o suficiente para fazer mais perguntas, Leticia apareceu e se juntou a nós. Eu a olhei dos pés a cabeça, da mesma forma que as outras garotas também fizeram e torci o nariz.
- Bom dia, girls. - Ela sorriu e suspirou.
- Por que você veio tão arrumada pra assistir um jogo amador? - Confusa, Lelê abaixou o olhar até as roupas que usava e deu de ombros logo em seguida.
- Eu acordei bem e feliz. Por isso quis me arrumar. Se vocês garotas não tivessem bebido ontem a noite e hoje de madrugada, garanto que estariam se vestindo como se estivessem em Roma.
- Hum... Se eu soubesse que estava tão cheia de argumentos nem tinha falado nada. - Falei baixo para que só eu escutasse, mas esse objetivo falhou assim que ela sorriu pra mim e as outras duas amigas começaram a rir.
Como se lessem meu pensamento de interromper aquele momento, uma voz soou no campo dizendo as escolas que iriam jogar e no nome de cada jogador. Nos remexemos no banco e focamos o olhar no campo. As líderes de torcida começaram a entrar e fazer suas apresentações com aquelas minissaias e blusinhas curtas enquanto algumas pessoas gritavam.
Será que pessoas como elas não sentem frio? Por que olha... Eu já estava congelando cheia de roupa, elas então que estavam necessitadas, já deveriam ter atingido o zero absoluto.
Depois de toda a parte adversária tomar seu lugar no campo, chegou a hora daquilo que realmente interessava. Uniformes vermelhos e brancos tomaram conta do gramado, fazendo contraste com os outros pretos e amarelos.
Ao contrário das líderes de torcida da outra escola, as nossas garotas pareciam ter bom senso. Quer dizer, pelo menos na parte da blusa que era manga longa com decote redondo. Mil vezes esse do que aquela falta de dinheiro pra comprar um uniforme de outono/inverno da outra escola.
Por poucos minutos que Helena se apresentava, gritamos e berramos como idiotas. Ah, e claro que tentamos fazer isso um pouco mais alto quando nossos amigos começaram a entrar. E assim o jogo começou, fazendo com que ficássemos tão concentradas na bola que nem piscássemos. Quer dizer, elas olhavam para a bola. Meu ponto principal ali era o Louis.

Louis POVs

Cansaço. Essa era a melhor palavra para descrever o momento. Eu já havia corrido tanto que meus pulmões ardiam, mas a adrenalina não fazia com que isso me impedisse de continuar. Os caras da escola adversária eram bons, mas eram tão desorganizados que faziam as coisas ficarem mais fáceis. O meu azar em toda essa situação era a marcação. O garoto que eu tinha que marcar era tão bombado que eu achava que se eu encostasse nele, acabaria sendo jogado na arquibancada.
O capitão do nosso time, que infelizmente não era eu, não estava mandando em nada. Corria de um lado para o outro igual a uma barata tonta. Sem contar que parecia que ia tossir as traqueias para fora toda vez que fazia uma pausa. Perto do banco dos reservas eu escutava o treinador gritar e xingar cada um de nós cinco vezes seguidas. Podia ver também de relance as líderes de torcida fazendo sua coreografia e cantando para nos "animar".  Mas a única coisa que eu não conseguia ver era a bola.
Trinta minutos de jogo e ela ainda nem chegou aos meus pés. Estava começando a achar que eu tava pior que o capitão mané. Talvez fosse pelo sono que eu estava sentindo. Sinceramente eu poderia ter ficado em casa dormindo por horas, invernando, se não fosse esse jogo idiota.
- Tá tudo bem, dude? - Harry passou ao meu lado batendo no meu ombro.
- Ha-hã, cara. Tudo certo. - respondi, mas pela careta que ele deu, sabia que não tinha feito nada muito interessante, assim como eu.
Os minutos iam passando e o desespero começava a tomar conta. Não só por causa da pontuação dois a zero que de repente assumiu o placar, como também por causa do tempo que cada vez ficava mais encoberto. Por aqui tudo já era acinzentado, hoje então parecia que o céu era feito de carvão.
Enquanto corria em direção ao campo adversário, vi liam levar um belo de um tombo no meio do caminho. Um garoto ruivo havia feito um carrinho em cima da bola que estava no pé direito de Liam, mas como já era de se esperar, acertou seu tornozelo. eu quase podia imaginar sua dor apenas vendo as caretas que meu amigo fazia. O arbitro apitou e mandou que se afastassem. Liam estava bem, mas de qualquer forma, isso nos rendeu algo de bom. Ele marcaria a falta, se fosse bom o suficiente, poderíamos fazer algum gol.
Alguns dos jogadores começaram a correr e se organizar para onde o treinador gritava que achava melhor. A estratégia talvez desse certo.
Quando o apito soou novamente, foi como se as coisas passassem em câmera lenta. Liam chutou a bola. Outro jogador do nosso time fez a recepção e correu para a grande área. Era óbvio que ele não conseguiria, estava sendo muito bem marcado. Vi a oportunidade e a peguei. Corri com toda a minha velocidade até seu lado direito e assobiei. Quando ele me viu, não perdeu tempo ao tocar a bola para mim, que usei toda a minha energia para correr do marombado de dois metros que vinha atrás de mim. Já na pequena área, encarei o goleiro que tinha um olhar fixo na bola e então chutei.
No segundo seguinte a bola estava no canto esquerdo da rede e eu conseguia ouvir os gritos vindos da quadra.
-AAAAÊÊÊÊÊÊ LOUIS!!!! GOLAÇO! - Niall gritou ao meu lado espancando meu ombro com sua mão. Zayn passou a mão pelo meu cabelo e deu umas palmadas nas minhas costas. A comemoração não durou mais que dez segundos, mas eu sabia que tinha feito a minha parte, pelo menos na metade daquele jogo.

***
- QUE PALHAÇADA TODA FOI AQUELA, BANDO DE INCOMPETENTES? - O técnico berrava com o time dentro do vestiário. Não ficaria surpreso se todo o campo estivesse escutando ele berrar dali debaixo. - SERÁ POSSÍVEL QUE NÃO CONSEGUEM FAZER NADA DIREITO? VOCÊS TREINAM PRA QUÊ? FICAREM CORRENDO DE UM LADO PRO OUTRO IGUAL A UM BANDO DE MARIQUINHAS? 
Ele fez uma pausa dramática nos olhando enquanto seu rosto atingia um tom de vermelho que eu nunca tinha visto na vida, seus olhos quase pulavam fora do seu rosto, tinha uma veia na testa que estava tão saltada que eu achava que ela poderia explodir a qualquer momento.
- VOCÊS SÃO UNS BABACAS! O OUTRO TIME NÃO É MELHOR QUE VOCÊS PRA FICAREM NESSA LENGA LENGA QUE NÃO LEVA A LUGAR NENHUM! A ÚNICA COISA QUE FIZERAM DE DECENTE HOJE FOI O GOL QUE JÁ VEIO TARDE! É MELHOR DAREM TUDO DE VOCÊS NESSES PRÓXIMOS QUARENTA E CINCO MINUTOS DE JOGO, POR QUE NINGUÉM VEIO AQUI PRA FICAR DE BRINCADEIRA. 
- Mas treinador... - alguém atrás dos outros se atreveu a falar. Muito corajoso, aliás.
- NADA DE "MAS". Espero que estejamos todos entendidos. Façam a estratégia de número 13, e é bom que ela funcione. 
Nos entreolhamos sem dizer nada. Brincar com os nervos do cara não ia ser muito bom. Ele estava pronto pra ir para a fight sem motivo aparente.
Tínhamos dez minutos para trocar os uniformes e tomar uma ducha rápida. E foi isso que eu fiz.

Zayn POVs

Futebol não era lá a melhor coisa que eu fazia, mas a gente se vira. O treinador estava muito puto com o baixo desempenho que nosso time estava tendo. Mas levando em conta que metade dos caras que estavam jogando ontem estavam na festa da Marie, é de se esperar que estejam com uma bela de uma ressaca e muita dor muscular, sem levar em contra o frio desgraçado que estava fazendo e chuva que estava vindo, pra fechar com chave de ouro.
Eu estava me esforçando pra correr bem e pelo menos tentar chegar na bola, tocar pra alguém, dar um chute fora, qualquer coisa pra não ficar escutando gritos de merda do treinador estressado que parece como uma bomba relógio.
Mais rápido do que eu pude contar, saí do vestiário indo para o campo junto com alguns jogadores espalhados. Provavelmente estavam tentando focar a mente no jogo, ou então só falando mal de algum cara.
- Hey, psiu. - Em algum lugar, dentro do campo, ouvi me chamarem.
- Hein? - Virei o corpo nos calcanhares em cento e oitenta graus.
- Aqui, Zayn. - Dessa vez me virei para o lado certo, encontrando Helena com os pompons na mão e as pernas tremendo de frio.
Me aproximei dela e trocamos um beijo rápido enquanto o apito não era ouvido e as líderes de torcida não se preparavam pra mais uma apresentação.
- Você não parece animada. - Comentei assim que nos distanciamos. Não muito, mas o suficiente.
- Acredite, eu estaria se estivesse tomando um chocolate quente embaixo de vários edredons. - Ela falou fazendo bico. Gargalhei logo em seguida.
- Acho que podemos resolver esse problema mais tarde. - Ainda rindo disse olhando-a nos olhos. Helena abriu um sorriso e mordeu os lábios em seguida. Balançou a cabeça afirmando.
- Mas você quem vai fazer o chocolate quente!
- Isso é do menos, contanto que eu esteja com você, já está ótimo. - Quando dei por mim as palavras já tinham saído e Helena ficava com as bochechas levemente coradas. Era engraçado porque ela nunca ficava envergonhada, mas não vou mentir que não gostei de saber que eu poderia fazê-la ficar dessa forma.
Levantei o olhar para longe dela apenas para ver se não estava perdendo nada de importante dentro do campo. Como uma briga, ou algo do tipo.
Enquanto Helena ainda permanecia quieta, passei os olhos ao redor, me deparando com uma figura feminina parada estática a alguns metros de nós dois. Ela tinha os braços cruzados, um pé que parecia inquieto, a boca formando um "O" perfeito e os olhos semicerrados. Eu podia sentir o ódio sendo irradiado àquela distância, sem contar o olhar assassino que me desconcertou por um momento. Franzi o cenho.
- O que está olhando? - Quis saber Lena. Ela não se mexeu nem olhou pra trás. Apenas me encarou tentando entender os motivos para minha confusão.
- Parece que estamos sendo observados. - Meu tom de voz foi baixo. Só audível o suficiente para que eu ele escutássemos.
Sem entender, minha namorada virou com curiosidade para onde meu olhar estava dirigido pouco tempo atrás.
- Ah, mas só pode ser brincadeira. E aquela vadia ainda fica com essa cara de idiota pra cima da gente? - Ela soltou os pompons e fechou os punhos. Tinha certeza de que tinha estreitado os olhos e que agora estava encarando Ingrid com o mesmo olhar ameaçador que a outra estava fazendo. - Qual o problema dessa garota?
- Eu me faço essa mesma pergunta todos os dias. - murmurei, porém fui totalmente ignorado por minha namorada que bateu o pé no chão com força, cruzou os braços, respirou fundo e fechou os olhos.
Eu nunca entendi o real motivo das duas se odiarem dessa forma. Todo esse ódio era antigo, só piorou quando o inteligentíssimo ex-namorado da Helena, vulgo Gabriel, resolveu ficar com essa aí que o nome não deve ser mencionado.
- Hey, honey - Peguei nos dois braços de Lena fazendo com que abrisse os olhos e me encarasse. -, é só ignorar. - Ela respirou fundo mais uma vez e depois relaxou os ombros e os braços.
- Hã-hã. Só ignorar o bicho papão, aí ele vai embora. - A encarei com o olhar confuso. - Oops, quis dizer ela. - Helena própria riu de seu comentário. Eu tentei permanecer sério, mas o riso dela era contagiante. Vê-la sorrir me fazia sorrir também. Não consegui ignorar o fato de que tudo que ela fazia tinha uma diferente reação sobre mim.
O apito soou, fazendo com que ficássemos quietos e apenas prestássemos atenção um no outro.
- Acho que você tem um jogo pra terminar, querido. - Ela indicou o resto do time atrás de mim.
Passei meus dois braços por sua cintura e a abracei apertado, levantando-a do chão por alguns segundos. Senti sua risada próxima ao meu ouvido e ri com isso.
- E você uma torcida inteira pra animar. Só não se empolga muito, tem uns caras aí que não param de te encarar. - Falei me distanciando um pouco.
- Não se preocupe com isso, o único cara que eu quero impressionar está bem na minha frente. - Helena mordeu o lábio inferior e eu automaticamente fiz o mesmo.
- Se for assim, já conseguiu bem mais do que só atenção. - Com uma piscada cúmplice, dei as costas para me juntar na roda junto com os outros garotos. Ouvi a gargalhada dela de longe.
Poucos passos depois lá estava eu no meio dos outros, mas infelizmente, ou talvez muito felizmente, minha mente continuava em outro lugar. Ainda ali no campo, mas em outra parte.
- [...] aí passe para o Michael, ele vai tentar arrastar a bola o máximo que conseguir até passar para o Zayn que vai estar na frente do gol. - Levantei as sobrancelhas e encarei o capitão do time com muita dúvida explícita no meu rosto. O que eu teria de fazer mesmo?
Percebendo isso, ele revirou os olhos e bufou.
- Jogada 13, Malik, lembra? Ela envolve você! Vê se presta atenção no jogo ao invés de ficar encarando as líderes de torcida. - O time deu algumas risadas baixas. Sorri de lado. Eles não sabia de nada, bando de inocentes.

***

Eu precisava urgentemente de ar, água, uma superfície macia. Minhas pernas doíam, meus pés latejavam, minha panturrilha só faltava explodir, sem falar do meu pulmão que ardia e queimava. Já havia perdido a conta de quantas jogadas eu não tinha conseguido completar. Não, não estava olhando Helena. Estava mais do que concentrado na bola e nos adversários, mas de repente, quando resolveram fazer uma substituição de um magrelo qualquer, o único aliás, um cara que nem era assim tão alto, mas que tinha o braço do tamanho da minha cabeça começou a me marcar. Quer dizer, me perseguir.Até no momento em que eu me ajoelhei para amarrar a chuteira ele deu um jeito de ficar parado há alguns metros de distância me encarando.
Como se pra melhorar a porcaria do dia, a garoa começou a cair com gostas finas. Eu ouvia pessoas reclamando de todos os lados, mas eu não podia fazer nada além de algumas caretas. Precisava "fazer a minha parte".
Corri de volta para a lateral quando alguns outros se dirigiram para cobrar uma falta. Apoiei as mãos nos joelhos e respirei fundo tentando controlar os batimentos cardíacos.
- Hey, Zayn! Parece que arrumou um novo admirador! - Helena gritou,  não precisei olhar para saber que era ela, mas queria saber de quem ela estava falando. Percebi que ela falava daquele stalker do time adversário.
- Haha, muito engraçado da sua parte, querida. - Ela explodiu em gargalhadas quando meu sarcasmo atingiu o nível mais alto. Revirei os olhos e corri para outro lugar. O cara atrás de mim.
Foi assim, de repente, que a bola estava no meu pé e eu estava correndo rumo a pequena área. Fiquei impressionado com a minha capacidade de desviar do outros, mas essa admiração durou pouco. Quando eu estava pronto para chutar, o cara do braço tamanho 55 me alcançou com uma bicicleta, chutando com toda a força que tinha,  talvez mais um pouco, meu tornozelo direito.
Não vi o momento quando encontrei o chão, mas garanto que foi rápido e bastante doloroso.
Por um momento o mundo ficou mais devagar. Escutei o apito e em seguida várias pessoas ao meu redor. Reclamações sobre a punição. O cara tinha levado cartão amarelo. Outros gritavam algo sobre o penalti. Eu quem deveria fazer esse penalti. A chuva estava mais cortante que nos minutos anteriores e por alguma razão, eu não conseguia mais raciocinar assim tão bem como antes.
Senti alguém falando próximo a mim, mas não assimilei as palavras. Logo depois haviam me esticado e eu sabia que estavam vendo meu tornozelo. Mexeram e remexeram ali. Fiz todas as caretas que eu sabia, além de inventar mais algumas. A dor era forte, mas já era menor que a de antes, eu ia ficar bem. Minutos se passaram até que eu conseguisse me sentir melhor.
Quando abri os olhos, vi o arbitro pedindo espaço e me ajudando a ficar de pé. Mancando tentei seguir até meus amigos, mas fui impedido por uma risada sarcástica vindo logo atrás de mim.
- Ha! Olha só se, a bichinha ainda não consegue andar.
- Você tá bem, cara? - Liam apareceu do meu lado.
- Dá pra aguentar - Afirmei tentando ignorar as piadas do mesmo cara que me derrubou.
- Ele levou cartão amarelo. Tá te provocando pra ver se você é expulso. - Assenti. Imaginava que fosse isso. Ele não estaria me seguindo a cada passo a toa, duvidava muito disso.
- Ele que se foda. Já conseguiu me ferrar o suficiente nessa merda de jogo. - Eu estava com o sangue fervendo de raiva daquele moleque retardado.
Liam arqueou uma sobrancelha e deu um meio sorriso, como se não acreditasse em minha pessoa. Revirei os olhos.
- Hey, Malik! Você quem vai cobrar o penalti. Boa sorte! - Alguém que eu não tive tempo de ver gritou e me deu um tapa nas costas.
O time então começou a se preparar logo atrás de mim. E lá fui eu. Mancando, mas fui.
Posicionei a bola, dei alguns passos para trás, avaliei a distância e escolhi o melhor ângulo para jogar, respirei fundo e esperei a autorização do arbitro. 
Quando escutei o som agudo do apito tocando, me forcei a correr e ignorei a dor no tornozelo cada vez que a chuteira afundava na grama molhada. Quando bati o pé direito na bola, jurei ter visto estrelas. Eu não ia dar conta de ficar em campo o resto do jogo. Estava a ponto de desabar quando escutei as comemorações. Pelo menos eu havia empatado aquela merda.

Niall POVs

Ótimo, Zayn teve de ser substituído. Logo depois que marcou o gol, não conseguiu mais aguentar e teve de sair de campo. Uma pausa bem rápida foi feita no jogo, assim a substituição poderia ser feita, e os paramédicos poderiam tirar Zayn do meio do campo.
Enquanto discutia qualquer coisa com Harry, a chuva resolveu dar uma trégua. Por um breve momento fiquei feliz, mas toda essa felicidade acabou assim que a placa de números da substituição foi feita. Fechei os olhos e contei até dez.
- E aí, gazela loira? - Erick estava na minha frente com aquela cara de convencido idiota. - Espero que não se importe de eu ficar no lugar do seu amigo gay, beleza? Vou tentar não roubar todos os olhares pra cima de mim.
- Não se empolga muito não, cara. Ninguém ficou animado em ver você por aqui. - Respondi sem o menor interesse de ficar olhando pra ele.
- Ah, eu não diria isso. Aposto que tem uma certa garota que vai adorar me ver jogando aqui. - Logo no fim da frase, vi ele se virando para a arquibancada apontando para a tal garota que eu não precisei olhar duas vezes pra ver que era a Gabriela. Sem entender nada, ela ficou o encarando com a dúvida tomando conta do seu rosto.
- Você realmente não cansa, né? - Me dirigi a ele como se ele fosse uma criança. Na verdade era exatamente isso que ele era.
- Não fique com inveja, Horan. Ciúmes não faz bem a saúde. - Erick falava debochado, como se a qualquer minuto eu fosse perder o controle e partir pra cima dele. Era exatamente isso que ele queria. Arrumar confusão comigo.
- Dá o fora daqui, Erick. - Disse simplesmente começando a me virar e ir para qualquer lugar bem longe dali.
- Claro, claro. - Disse ele tão desinteressado quanto eu. Continuei andando o deixando pra trás. Harry estava ao meu encalço. - E aliás, vi você e a Gabriela ontem à noite. Vê se aproveita enquanto você pode, por que no final, sempre vou ser eu, colega.
Parei e virei levemente a cabeça, podendo vê-lo por cima do ombro. O sorriso sarcástico era o mesmo de sempre. Sua postura mostrava que esperava que eu revidasse com palavras, ou então ações. Hazza me olhava confuso, como se tivesse perdido metade da história. Sim, realmente foi isso que aconteceu. Ele não sabia de absolutamente nada.
- Do que ele tá falando, Nialler? - Mordi meu lábio inferior e respirei fundo. Andei em direção a ele ficando cara a cara.
- E você, vê se volta pra sua merda de posição, cala a boca e joga. Você veio aqui pra isso, não pra ficar falando do que não sabe. - Ele era mais alto. Não tanto, mas era. Só que isso pouco me importava, eu só sabia que a minha mão estava coçando pra encher a cara dele de socos.
- Então é ela o seu ponto fraco, bichinha? Obrigado por ter deixado isso tão claro pra mim. - Empurrou meus ombros se afastando sem desviar o olhar. - Você não perde por esperar, idiota. - Outro empurrão, dessa vez mais forte, fez com que desse dois passos para trás.
Não me importei quando fui em sua direção louco pra meter meu punho no seu olho. Ele queria confusão? Tinha acabado de conseguir. Tomei impulso com o braço direito, sem muita sorte, Harry continuava ali, preparado pra segurar um ou outro.
- Oh, Oh! Deixa quieto, Niall! - Ele falou em tom alarmado, colocando o seu braço na frente, me puxando pra trás. Isso chamou a atenção de algumas pessoas ao redor, que pareceram interessadas no que estava acontecendo. Inclusive o treinador, que resolveu sair do banco dos reservas e vir diretamente para onde estávamos.
- Que palhaçada é essa aqui, Horan? - O treinador passou o olhar de mim para Erick. O sorriso presunçoso que aquele ridículo tinha, dizia que quem estava encrencado era eu. Se não fosse por Harry, eu teria quebrado a cara dele e levado uma bela advertência, ou até ter sido expulso do jogo. Quem sabe até do time.
Ainda com os olhos pregados em mim, apontou para a outra extremidade do lugar.
- Volte pra sua posição, Erick! Você tá atrasando cada vez mais essa competição. - Erick concordou e saiu calmamente, o outro veio em minha direção.
- Que isso não se repita, Niall. Se não a consequência vai ser grande! - Era óbvio que o treinador estava fazendo de tudo para não gritar. O olhar cheio de raiva deixava isso bem claro.
Assenti com a cabeça e corri para onde deveria estar já há um tempo. Mais uma vez Harry estava ao meu encalço.
- O que foi aquilo, Niall? - Perguntou assim que parou a minha frente. Respirei fundo.
- Fui eu de saco cheio daquele cara.
- Tá, essa parte eu entendi. Mas você não é de sair batendo nas pessoas, dude! - O tom da voz de Harry era de reprovação. Fiquei imaginando que se fosse ele no meu lugar, provavelmente teria feito o mesmo.
- É, ele quase quebrou meu bom histórico de vida por nunca ter entrado em uma confusão, mas pra tudo se tem um limite, Hazza. E o meu já tá esgotado. - Disse gesticulando mais que o necessário. Mas quem se importa? Não era um dos meus melhores momentos.
- Se você tivesse batido nele, coisa boa não ia ter dado. Ele provavelmente ia achar um jeito de te deixar mil vezes pior!
- Como se ele fosse tão forte assim. - Debochei. - Não tenho medo dele.
- Dele talvez você não tenha, mas dos amigos traficantes dele talvez você devesse ter.
Minha expressão suavizou assim que Harry parou de falar e me olhou com as sobrancelhas juntas. Tive certeza de que tinha entendido o que Harry falado totalmente errado.
- Do que você tá falando, cara? - Me apressei em dizer, percebendo a movimentação ao redor de que o jogo ia continuar.
- Vai dizer que você nunca percebeu, Niall? Pensa um pouco! Toda a mudança de comportamento que ele tem, esse jeito dele. Não são só o remédios que ele toma. É a junção dele e das drogas, cara. Por isso ele se acha tão machão! - Meu amigo falava tão baixo que eu mal o escutava. - Ninguém mexe com ele porque ninguém quer saber como vai terminar.
O apito soou. Harry olhou para os lados, preocupado. Procurava algum curioso que teria escutado esse pequeno detalhe que não deveria ser comentado nem aqui, nem na China. Procurei ele pelo campo e o encarei. Erick não prestava atenção, parecia muito interessado em derrubar o cara adversário. Procurei então na arquibancada, Gabriela. Por coincidência ela estava olhando para mim. Perguntou por gestos o que havia de errado. Balancei a cabeça para os lados, em negação. Fiquei me perguntando se por acaso ela sabia dessa parada das drogas. Se Erick já fazia isso quando namorava ela, ou se era algo mais recente. Pensei no que ela faria se soubesse. Mas eu não perguntaria. Esse seria um segredo que ficaria entre eu e Harry.

***

- VAMOS NIALL, PASSA ESSA BOLA PRA CÁ! - Louis gritou a alguns metros de distância de mim. O campo estava escorregadio, e isso tornava as coisas um pouco mais complicadas. Chutei para ele com o pé esquerdo. Foi um péssimo chute, mas o importante foi que ele alcançou a bola.
O jogo estava horrível e cada vez mais desesperador. Faltavam oito minutos para o fim e parecia que todos estavam sem a mínima vontade de continuar. Só o treinador. esse tinha uma energia desgraçada pra continuar gritando. Uma coisa impressionante! A voz dele estaria um lixo no dia seguinte, tenho certeza.
- Hey, Nialler! - Liam me chamou ao seu lado. - Você tá bem? Sua cara tá parecendo um tomate.
Dei de ombros. Não duvidava que eu parecesse que fosse explodir, porque era isso que meu pulmão parecia querer fazer.
- Não posso fazer nada sobre isso, Liam. É meu rosto irlandês! - Liam riu um pouco e logo voltou a correr sabe-se lá para onde. Eu precisava ficar dois segundos quieto e respirar como um ser humano normal.
- VOLTE A CORRER, HORAN! NÃO TE COLOQUEI NO JOGO PRA FICAR PARADO IGUAL A UM ESTÁTUA, MOLENGA! - Revirei os olhos e bufei. Esse treinador tava de brincadeira com a minha cara.
Sem a mínima vontade de continuar, corri. Por um momento ache que meu colega fosse fazer o gol que nos desse a vitória, mas o bandeirinha marcou impedimento. Logicamente o cara ficou revoltado. Todos ficaram. Até o pessoal que estava assistindo pareceram não gostar nem um pouco.
O relógio continuava nos deixando cada vez com menos tempo. Deixando uns mais cansados, outros mais ansiosos para saírem, e outros mais nervosos por não desempatarem. Eu era uma mistura de todos.
Em um rápido momento, me vi sem marcação nenhuma, com o caminho livre, e resolvi dar uma de louco. Levantei a mão, fazendo sinal de que estava livre. Não demorou muito para que meu companheiro de time chutasse a bola para mim. Saí em disparada rumo ao gol. Faltavam dois minutos pro fim. Eu não ia ser tão lerdo pra que acabasse o tempo. Eu ouvi alguns me xingando, outros me incentivando, mas aquilo só estava me deixando mais nervoso. Tentei fazer meu melhor para que minha audição se desligasse por alguns segundos. Então tudo aconteceu muito rápido.
Eu estava de frente para o gol, com um jogador adversário à minha esquerda, e o goleiro, nem um pouco animado, à minha frente, com o olhar de raiva e determinação, esperando que não fosse deixar a bola entrar, mas ela entrou. Os torcedores gritaram, as líderes de torcida jogaram os pompons pra cima, meus amigos me cumprimentaram, e foi aí que eu gritei. Gritei por ter feito algo decente. Por ter acabado finalmente aquele jogo. Até o treinador, que estava sendo um imenso de um motherfucker com o time, abriu um sorriso.
O tempo restante só daria o suficiente para uma jogada. Coisa que pra eles não seria o suficiente. Nesse jogo a Vitória foi nossa.
De repente, em pouco mais de um minuto, algumas pessoas que não eram jogadores, estavam ali, ao nosso lado, no meio do campo. Não era nada demais ganhar uma partida como essa, mas era engraçado e ao mesmo tempo gratificante ver as pessoas que estudavam com a gente se divertindo por fazerem parte do time campeão.
- Ah! Socorro! - Louis gritou assim que Gabriela pulou em suas costas, o fazendo cambalear e quase cair. Ela gargalhava igual a uma criança de cinco anos, e nem ao menos ligou para o possível tombo que teria tomado.
- Você fez um gol, Boo Bear! Espero que tenha sido dedicado a mim. - Ela falou dessa vez o abraçando direito. - Quero poder fazer inveja para Zaynne! - Ela ainda mantinha o sorriso espalhado pelo rosto, mas no momento em que ele não foi retribuído por seu irmão, eu senti uma tensão ser criada entre os dois. A conversa que eu antes escutava, agora não passava de murmúrios. E mesmo com a menção que fiz de me aproximar, não consegui dar mais do que dois passos antes de ser parado por Helena:
- Parabéns, best friend! - Retribui o abraço. - Adorei seu gol de últimos instantes.
- Devia ter gostado do gol que seu namorado fez, no fim acabou com o pé todo ferrado. - Comentei me lembrando das caretas de dor que Zayn fazia a cada passo que dava.
- Falando eu meu namorado gato, sexy, lindo e maravilhoso, cadê ele? - Lena olhou ao redor até parar com os olhos em mim.
- Hum... dessa parte de "sexy, lindo, maravilhoso" e tudo mais eu não sei, mas ele provavelmente está nos vestiário junto com os paramédicos, digo, enfermeiros da escola. - Disse a ela. - Não nos deram muitos detalhes para onde ele estavam indo.
- Certo, então você fique aí gritando e fazendo o que você quiser, que vou atrás do Zayn. - Helena falou saindo correndo em seguida. Me virei apenas o suficiente para gritar um breve "boa sorte" antes dela desaparecer dentro dos portões do colégio.
- Hey! - Gritaram na minha orelha, pulando nas minhas costas logo em seguida, me fazendo evar um baita de um susto e só conseguir voltar a raciocinar cinco segundos depois. - Parabéns pela virada, duende. Sempre soube que conseguiria! - Gabriela bagunçava meu cabelo enquanto eu tinha que arcar com seu peso.
- Mentirosa, você nem achava que eu fosse encostar na bola! - girei a fazendo gritar.
- Verdade, mas esses são detalhes que não precisamos comentar! - Sua voz falhava por conta da risada que ela dava junto.
- É, já imaginava. Agora vê se sai de cima de mim! Seu peso está acabando com meus músculos! - Tentei tirá-la, mas como se fosse um chiclete, Gaby grudou ainda mais em mim.
- Que músculos, Nialler? Você não tem nenhum! - Acabei levando um tapa no braço. Ótimo, além de estar todo ferrado e dolorido, ainda queriam me bater. - E deixa de ser fracote, até mesmo a Kemelly aguenta os meus 46 kg. - Disse assim que voltou a andar por si mesma.
- Então pede pra ela te carregar, oras! - Tentei ajeitar meu cabelo, mas desisti assim que me deparei com algo parecido com o bombril.
- Nossa! Cadê aquele amigo prestativo que me carregou no dia que eu torci o tornozelo? - Abri a boca para responder, mas como se previsse que o que eu falaria seria besteira, Gaby continuou a falar. - E aliás, ela está muito ocupada nesse momento.
Aproveitei para checar se ela estava mesmo ocupada, e me deparei com Liam a beijando no meio do campo. Certo, beleza que eles eram namorado desde há um tempo atrás, mas acontece que é impossível achar isso normal. Eu ficava sem graça olhando aquela cena. Gabriela pigarreou parecendo tão constrangida quanto eu.
- Eu falei que ela estava impossibilitada nesse momento. - Levantou as mãos em forma de rendição e ri de sua performance.
- Tá, mas com ela se voluntariando ou não, não vou te carregar. - Disse de uma vez virando as costas e saindo andando rumo ao vestiário para poder me trocar. Aquela roupa estava grudando no meu corpo a cada passo que eu dava. Só não sabia identificar se era suor ou chuva.
- Você é um chato! - Disse ela assim que alcançou meu lado.
-  Agradeço pelo elogio. - Empurrei a Gabriela, e em seguida ela começou a gargalhar. - Você é muito estranha.
- "Agradeço pelo elogio". - Imitou minha voz e dessa vez fui eu quem gargalhei.
Demos mais alguns passos sem dizer nada, apenas rindo. Quando chegamos na entrada dos banheiros/vestiários do colégio, os garotos e garotas se separaram. Eles já estavam muito provavelmente tomando banho, enquanto elas estariam conversando em algum canto qualquer.
- Não vou demorar, prometo! - Olhei para Gaby e falei. Ela me olhou de cima abaixo e fez uma careta.
- Sério, demore o tanto que você quiser! - Não sabia se ria ou ficava ofendido, então resolvi escolher a parte onde eu a virava de ponta cabeça até ela pedir desculpas. Ela queria que eu a carregasse? Pois eu estava quase fazendo isso.
- ME SOLTA!! - Quando ela gritou, tive certeza de que seu rosto estava começando a ficar rosa.
- Peça desculpas e eu te ponho no chão! - Não consegui evitar as risadas. Isso acabou com a minha pose séria.
- SÓ FALEI A VERDADE, NIALLER! ME PÕE NO CHÃO!
- Peça desculpas.
- MAS...
- Peça desculpas e você fica no chão. - Falei sério começando a sacudi-la por cima do meu ombro.
- DESCULPE, LOIRA OXIGENADA! AGORA ME PÕE NO CHÃO!
Dessa vez, sem protesto, a coloque no chão. O cabelo dela, antes arrumado, agora estava um verdadeiro caos, mas a sua expressão entregava que ela estava se divertindo.
- Vá tomar banho e vê se para com essas gracinhas! - Ri da forma que Gaby falou comigo. Ninguém conseguia obedecer aquela coisa pequena. Menor que uma criança.
- Sei que vai sentir minha falta. - Pisquei para ela, que revirou os olhos. Mas seu rosto não ficou sério por tanto tempo. Logo já estava rindo. Nós éramos assim. Dois idiotas que riam de cada palhaçada que o outro fazia. Tendo ela sentido ou não.
- Vai logo, Niall! - Quando se aproximou para se despedir de mim, pouco tempo depois, fiz algo que nem eu mesmo esperava. Ao contrário de dar-lhe um beijo na bochecha, virei o rosto fazendo com que nossas bocas se encontrassem. Não durou muito mais que poucos segundos. Mas Gaby tinha o rosto cheio de confusão.
- O que foi isso? - Perguntou sem tirar a incógnita de sua cabeça;
- Um beijo. - Falei o óbvio. - De comemoração pela vitória. - Arrumei a melhor desculpa que pude. - Espero que não se importe.
Achei a princípio que ela fosse brigar comigo, mas o sorriso que ela esboçou de novo, me fez mudar de ideia em milésimos.
- Talvez da próxima vez devesse fazer isso antes. Quem sabe eu não sou seu amuleto de boa sorte? - Começou a andar para trás, dando pequenos passos até se virar completamente e me deixar lá, parado igual um idiota. Mal sabia ela que mesmo sem beijo, sempre foi a minha superstição preferida.

Harry POVs

Ah, moleque! Aqui é só profissional! Mentira, só brincando aqui. Quem dera fosse... Eu provavelmente era um dos piores jogadores daquele colégio. Mas quem liga? Não havia sido expulso do time ainda, então pouco importa essa parte de habilidade ou não.
Tínhamos resolvido ir a uma cafeteria logo depois do jogo, e era isso que estávamos fazendo. Depois que os garotos e eu havíamos tomado banho, nos trocado e etc, acabamos dentro de uma Starbucks comendo muffins e tomando frappuccinos. Zayn era o único que não estava exatamente bem. Com o tornozelo enfaixado, tinha que andar mancando pelos cantos. E pelo que falaram a ele, ficaria assima té que o inchaço diminuísse.
- Por favor, Harry, nunca pense em seguir a carreira de jogador. Você morreria de fome! - Marie falou arregalando os olhos e arrancando risos das outras pessoas ao nosso redor.
- Nunca disse que essa seria minha profissão!
- Mas eu sei que pensou, Harold... - Minha tentativa de me defender foi por água abaixo. Leticia empurrou meu ombro de leve.
- Bom, mas no final da história, ganhamos, e é isso o que importa. - Liam falou sério, e concordamos. É engraçado como as vezes ele consegue ser tão maturo, e as vezes ser totalmente o contrário do que é de verdade.
Depois de concordarmos freneticamente, e brindarmos nossa vitória, não tão bem planejada assim, a conversa se prolongou por mais vários longos minutos. O assunto, muitas vezes eu não prestava atenção. Acabava me perdendo em pensamentos durante um ou dois minutos. O motivo era simples. A segunda fase do The X-Factor havia sido marcada. Por algum motivo, só eu sabia daquilo, caso contrário, os meus amigos já teriam vindo falar disso comigo. Mas aparentemente eu estava errado.
Pigarreei alto o suficiente para que chamasse a atenção de todos. Quando o silêncio tomou conta, comecei a falar:
- Hoje mais cedo me mandaram um comunicado no correio sobre a segunda fase do programa. - Permaneci quieto apenas os olhando até que começasse a falar juntos de uma só vez.
- Será que não dá pra calar a boca? - Helena disse mais alto, recebendo um tapa de Gabriela e seguida. - Bobona!
- Mas então, sobre o programa... - Kemelly as interrompeu me dando a abertura necessária para isso.
- Então, agora nós vamos para a Bootcamp. Se tudo der certo, e eu espero que dê, vamos para a Judge's House.
Assim que fechei a boca, duas conversas paralelas se iniciaram. Enquanto nós, garotos, falávamos sobre coisas importantes, como "qual o critério que vão usar?", "será que vai ter dança?", "vamos ser avaliados juntos ou separados?", e coisas do gênero, as garotas falavam sobre a bolsa combinar com tal sapato, e comprar uma tal blusa que fique bem com tal chapéu. Nunca vou entender pra quê tanta preocupações com coisas desse tipo.
Me senti tão interessado em falar sobre o que faríamos ou deixaríamos de fazer, que nem percebi a entrada de uma figura conhecida dentro da loja. Assim que ela virou os calcanhares, aquela mesma sensação ruim que eu sentia todas as vezes que eu a olhava, voltou. Por muitos motivos diferentes, eu quase conseguia ver o aviso sobre a cabeça dela escrito "PERIGO, PERIGO! NÃO SE APROXIME" era quase a mesma coisa que todo o meu subconsciente gritar "vai dar merda" repetidas vezes por segundo.
- Leticia, preciso falar com você. - A forma ´seria que Olivia disse, e a falta de brincadeiras idiotas, ou apelidos ridículos que ela costumava usar, me chamou a atenção.
- To ocupada agora. Procure outro pra encher a paciência. - Leticia disse, rude. Mas não que fosse algo errado, já que se levarmos em consideração a forma que Olivia trata ela.
- Leticia, eu não to brincando. Tenho que falar com você agora. - Ainda com dúvida sobre o real interesse da irmã dela, Lelê se levantou e andou até o outro lado da cafeteria.
Ao contrário dos outros que tiraram sua atenção da conversa das duas, e voltaram a comer ou fazer qualquer outra coisa, senti uma vontade muito intensa de entender o que estava acontecendo. A expressão que minha namorada tinha no rosto, vacilava. Em um momento estava séria, em outro parecia que não conseguia pensar. Poucos minutos depois quando voltou a se sentar na cadeira ao lado da minha. Perguntei o que havia acontecido, mas sua resposta em voz baixa e com um olhar significativo me fizeram entender que ela não contaria ali. E mesmo com o sorriso que tentou esboçar, vi que seu rosto estava totalmente sem cor, pálido. Ela podia não querer me falar nada sobre, mas eu entendi que dessa vez, era algo muito sério.

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Nota da Autora: PARABÉNS PRA MIM!!!! Yeeahhh, capítulo novo, especial de copa, tema futebol (der) no dia do meu niver uhuuuu!!!!
Desculpem a demora pra postar. Acabei me enrolando em mil assuntos diferentes, e isso me atrapalhou um pouco (muito). Mas a gente se vira, e Here I'm!! 16 anos! Se estivesse nos USA já poderia dirigir! Ainda bem que aqui não pode, se não ia acabar atropelando alguém.
Mas enfim. Espero que tenham gostado do cap, mesmo que não tenha sido um dos meus preferidos. (nem de longe, na verdade), mas eu acho que o próximo vai fiar legal.
Vai ser especial de dia dos namorados, então estou preparando para que mil coisas aconteçam em um só capítulo! Cruzem os dedos para dar certo : ) Já tenho algumas partes prontas, e spoilers que minhas amigas gostaram. Hope you like it too!

Ps: Pra quem viu o Louis e o Zayn fumando maconha, só tenho um pensamento sobre:


ah, e não, não vou deixar de ser fã : ) 

Até breve, people!
Kisses,

Gabriela