Gaby POVs
Noite de sábado, nada mais perfeito do que passar o tempo
com as amigas. Estava eu, Lelê e Mary, sentadas no chão comento pipoca, tomando
refrigerante e comendo doce de leite enquanto assistíamos alguns vídeos de
quando éramos mais novas. É engraçado que não mudamos tanto assim na parte da
mentalidade, só na parte física, mas quando falo isso, digo apenas sobre a
aparência, a altura de cada uma continua a mesma.
- Caramba! Você tinha guardado essa nossa apresentação? –
Marie perguntou a Lelê que ria enquanto comia pipoca.
- Mas é claro! Tenho milhares de vídeos nesse CD! São nossas
lembranças e recordações! – Ela disse fazendo uma careta. - Põe no vídeo trinta
e dois...
Peguei o controle das mãos de Mary e adiantei o DVD. Os
vídeos eram coisa de dois ou três minutos, mas pra falar a verdade, fiquei
impressionada com a quantidade de vídeos que couberam ali. Quando percebi de qual vídeo Leticia estava
falando comecei a rir desesperadamente. Ela ainda tinha esse?
- Lembram da viagem de formatura? - Leticia perguntava rindo.
- Eu me lembro desse dia! Estávamos voltando da praia e
resolvemos gravar coisas idiotas como “o jornal da formatura”, - Mary
interrompeu o que falava para pegar uma colherada de doce de leite. – Aí
começamos a fala coisas sem noção!
- E o resultado foi isso! – Disse eu bebendo o refrigerante.
- Nossa idiotice me surpreende... – Leticia disse balançando
a cabeça negativamente.
- Falando em idiotice, dude! Como eu fui idiota em nunca
experimentar essa coisa! – Mary dizia enquanto comia mais uma colherada do
doce. – Qual o nome disso mesmo?
- Doce de leite. – Disse. – É um doce brasileiro.
- Muito bom! Sou fã desse doce! – Leticia falou enquanto
pausava o vídeo.
- Ué, por que pausou? – Perguntei cruzando as pernas.
- Tá ficando tarde, maninha, preciso ir embora...
- Mas amanhã é domingo e você não ia dormir aqui? –
Perguntei um pouco confusa.
- Ia sim, mas preciso resolver algumas coisas amanhã cedo...
De tarde nós nos encontramos na sorveteria, pode ser? – Ela disse pegando sua
bolsa.
- Claro, me manda uma mensagem assim que você puder. –
Respondi me levantando.
- Já que você está indo, Lelê, eu vou com você, me da uma
carona?
- Claro Mary!
- Então eu vou descer com vocês, já que resolveram me abandonar...
- Ah, cala a boca... – Mary falou rindo.
Descemos as escadas fazendo palhaçadas, falando coisas
idiotas que eu prefiro não repetir.
Elas saíram, entraram no carro e foram embora. Respirei
fundo enquanto fechava a porta, teria que inventar alguma coisa para fazer, o
sono ainda não tinha aparecido... Talvez agora eu conseguisse terminar de ler
meu livro do Percy Jackson.
Ou talvez não... A campainha de casa tocou, o que soou
estranho, já que era tarde e eu não havia convidado ninguém. Só poderia ser
Leticia ou Marie que esqueceram alguma coisa.
- Kemelly? – A última pessoa que eu esperava estar na minha
casa agora era ela.
- O-oi Gaby... Posso entrar?
- Claro Kemy... O que aconteceu? Que cara de choro é essa? –
Ela estava com a aparência horrível e quando ela entrou em casa começou a
chorar.
- Eu sou uma idiota...
- Kemy, calma... Vamos subir, aí você me conta o que
aconteceu, ok? – Ela soluçava sem parar, e isso estava me deixando mais
preocupada com ela.
- Idiota, idiota, idiota... – Ela repetia sem parar.
- Kemy, eu vou pegar água com açúcar pra você, tá? Sobe pro
meu quarto, deita lá na cama, liga a TV, pega algum livro, faz alguma coisa,
mas se acalma...
Ela não protestou, não fez nada, apenas fez o que eu disse,
subiu para o meu quarto.
Mil e uma hipóteses se passaram pela minha cabeça. Alguma
coisa muito séria deve ter acontecido para ela estar tão... tão... tão
desesperada.
Preparei a água com açúcar e fui par o quarto. A encontrei
deitada na cama com a cara no travesseiro ainda chorando.
- Kemy? – Eu me sentei ao lado dela e comecei a mexer em seu
cabelo.
- Sou muito burra... – Ela murmurava.
Estendi o braço com o copo e ela bebeu toda a água. Por um
momento ela apenas ficou me olhando sem dizer nada.
- Quer me contar o que aconteceu?
- Eu acho que terminei com o Liam...
- você fez o que?
Então Kemelly começou a contar o que tinha acontecido
naquele dia. Fiquei um pouco confusa no início, era difícil de acreditar que a
mãe dela havia “seguido” os dois até o restaurante.
- Aí eu descobri que eu sou a culpada de tudo... – Ela
começou a soluçar de novo com a cara no travesseiro.
- Kemelly, você não é a culpada de nada... – Eu tentava
consolar ela, mas parecia não estar funcionando.
- Sou sim...
- Não, Kemy, não é...
Nada que eu dissesse para ela nesse momento a faria ficar
melhor, mas eu precisava fazer com que ela parasse de chorar, isso já estava me
deixando nervosa...
- Isso aqui é o que? – Ela perguntou com voz chorosa
apontando para o pote que estava no meu criado mudo.
- Doce de leite...
- Serve... – Ela pegou com a colher que estava dentro do
pote e começou acomer. Era de dar medo.
- Claro, pode ficar com o resto.
Se passaram alguns minutos e ela não fazia nada a não ser
encher a colher com o doce e enfiar na boca, aí ela começava a chorar de novo e
depois fazia tudo de novo. Ficou nesse siclo repetitivo até o doce acabar e ela
encarar a colher.
- Liam tinha medo de colheres... – E essa simples frase fez
ela cair em lágrimas de novo.
- Vamos fazer assim, eu vou descer, pegar um pote bem grande
de sorvete, duas colheres e depois vou voltar e você vai estar com uma roupa
confortável deitada na minha cama vendo qualquer coisa idiota para nós nos
divertimos e esquecermos o que aconteceu, ok?
- Aham... – Ela começou a fungar e limpar as lágrimas com as
costas das mãos.
Eu compreendia isso, quer dizer, de certa forma sim, pois
meu fim de relacionamento não foi lá o menos dramático. Quer saber, vamos
esquecer sobre isso tamb´me, esse dia não me traz boas lembranças. Lembro que
Niall ficou comigo naquela noite depois de todas as idiotices que eu fiz, foi ele quem me ajudou. Sei que agora Kemelly precisa de mim então é isso que vou
fazer, ficar ao lado dela, como sempre fiz.
Desci as escadas sem pressa e fui em direção a cozinha.
Peguei um pote bem grande de sorvete de chocolate, duas colheres e alguns
guardanapos. Acho que isso daria para distraí-la.
Voltei para o quarto com as mãos ocupadas, por sorte a por
sorte a porta ainda estava aberta e Kemelly continuava na mesma posição.
Parecia uma pedra.
- Vamos lá, Kemy, se troque. – Disse enquanto puxava a mesa
que ficava no canto do meu quarto para mais perto da cama.
- Eu não tenho outra roupa, a não ser então que você queira
que eu fique pelada. – E agora ela resolveu me dar patadas.
- Ah, isso não é problema! Te empresto uma roupa minha, só
não prometo que vai achar alguma coisa rosa aí dentro... – Essa última parte
era mentira. Eu tinha várias coisas de cor rosa no meu armário, eu gosto de
rosa, mas não como a Kemelly.
- Tanto faz... – Ela se levantou e abriu meu armário. Sim,
ela começou a mexer nas minhas coisas como se estivesse na casa dela. Anos de
convivência fazem a educação e a vergonha na cara desaparecerem.
Por fim ela encontrou uma roupa qualquer se enfiou no meu
banheiro e só saiu depois de uns dez minutos. No mesmo instante em que ela
sentou-se de novo na cama a campainha tocou.
- GABRIELA, ATENDE A PORTA! – Escutei Louis gritar de seu
quarto
- ATENDE VOCÊ E APROVEITA PRA VER SE PERDE UM POUCO DESSA
SUA BUNDA GIGANTE! – Gritei de volta fazendo Kemy dar um leve sorriso.
Sem avisar Louis abriu a porta e se colocou dentro do
quarto.
- Eu sei que você morre de inveja da minha bunda, tá?! – ele
disse afeminando a voz e fechando a porta. Isso fez com que Kemelly desse risada
e eu a acompanhei. É meio frustrante quando um garoto tem a bunda maior que a
sua...
- Ta bem, vamos esquecer meu irmão e fazer alguma coisa
interessante, certo? – Disse e ela assentiu. Começamos a ver um filme qualquer
de comédia e a aparência de kemy começou a melhorar.
É incrível o que sorvete, filmes e amigas fazem quando uma
garota está triste. Já haviam se passado algumas horas desde que kemelly estava
aqui, já deveria ser madrugada, mas nós ainda estávamos vendo filmes aleatórios
na TV.
O pote de sorvete e o resto do doce de leite já tinham
acabado, estávamos as duas deitadas cobertas
até o pescoço sem dizer nada até Kemy se sentar e olhar para mim.
- Você acha que as coisas vão ficar bem?
- Mas é claro que sim Kemy, você e Liam se amam e afinal,
não vai ser uma simples briga que vai mudar isso. – Ela olhou pra baixo.
- Eu acho que acabei de afastar as pessoas que mais amo pra
longe de mim...
- Olha kemy, vou ser sincera. Eu nunca vi um amor tão
verdadeiro quando o seu e o de Liam... – Ela esboçou um pequeno sorriso. –
Vocês já se amavam antes mesmo de começarem um relacionamento. O jeito que
vocês se olham só comprova isso. Eu tenho certeza absoluta que vocês vão se
entender...
Ela não me respondeu, apenas se retirou da cama.
- Desce comigo até a cozinha? Estou com sede.
Eu concordei, peguei todas as coisas que pertenciam a
cozinha e precisavam ser lavadas ou guardadas.
Kemy abriu a porta do quarto de modo que eu pudesse passar,
já que estava com braços cheios, porém, vimos uma pessoa que fez com que
Kemelly ficasse paralisada e Louis que também estava ali, apenas os olhava
curioso sem entender nada.
- Liam, o que vocês está fazendo aqui?

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