Autora:
--> Introdução para o capítulo especial de dia dos namorados :)
--> Babem no Zayn aí em cima :p
Niall POVs
Era um dia de aula comum, talvez um pouco diferente dos outros por conta do sol que teimava em aparecer por entre as nuvens. Coisa rara em Londres. Meu cansaço era tanto que eu mal conseguia manter os olhos abertos por mais de cinco minutos. Jurava que havia dormido sem nem perceber.
- Não deviam ter ficado ensaiando até tão
tarde. - Gabriela comentou ao meu lado sem tirar os olhos do livro. Parecia tão
concentrada, que eu havia pensado que ela estava perdida dentro da história.
- Não tínhamos outro dia pra treinar.
Era ontem ou nunca. - suspirei quase me rendendo ao sono. O som do riso doce de
Gaby me deixou ainda mais cansado. Foi um som tão leve, quase imperceptível.
- Vamos -disse ela. -, ao contrário
de você, vou ser uma boa amiga. Pode deitar no meu colo. - eu estava tão destruído
que não argumentei nada, só deitei e fechei os olhos.
Desde o dia do jogo eu estava com a cabeça cheia, acumulada de coisas, perguntas e assuntos que eu não sabia resolver ou tratar. Me sentia nervoso por mil motivos diferentes, e isso vinha tirando meu sono todas as noites. Não era consciência pesada, acho eu que era apenas receio. Um pressentimento que eu ainda não tinha identificado se era bom ou ruim. Esperava realmente que fosse a primeira opção.
Desde o dia do jogo eu estava com a cabeça cheia, acumulada de coisas, perguntas e assuntos que eu não sabia resolver ou tratar. Me sentia nervoso por mil motivos diferentes, e isso vinha tirando meu sono todas as noites. Não era consciência pesada, acho eu que era apenas receio. Um pressentimento que eu ainda não tinha identificado se era bom ou ruim. Esperava realmente que fosse a primeira opção.
Era hora do intervalo, mas hoje, ao
contrário do que fazíamos todos os dias, não estávamos no refeitório com os
outros, Gabriela e eu estávamos em frente à escola. Não na parte do
estacionamento, e sim daquela onde tinha grama, algumas árvores e vários bancos
espalhados. O som que o vento fazia, a conversa baixa das pessoas ao redor e o
barulho da mudança das páginas do livro que ela lia me fizeram pegar no sono
por tempo indeterminado.
Acordei sobressaltado com o barulho
de sirenes. Não só eu como todos os outros estavam totalmente confusos,
curiosos e preocupados. Me coloquei sentado assim que a viatura da polícia
estacionou a poucos metros dali. Assim como eu, Gabriela fechou o livro, juntou
as pernas junto ao corpo e ficou de olhos atentos na polícia. Não mais que
cinco minutos depois, na porta do colégio, o diretor falava seriamente com os
dois homens uniformizados. Parecia achar um total absurdo do que lhe falavam.
Balançava a cabeça para os lados freneticamente, mas aos poucos, foi cedendo às
ordens policiais.
Logo os três entraram, seguidos dos
olhares atentos de todos.
Não demorou para que a voz do diretor
soasse pelos auto falantes, pedindo para que aqueles que estavam fora de escola
entrassem, e os que estivessem dentro não saíssem até segunda ordem. Gaby e eu
nos entreolhamos e sem outra escolha, seguimos até o corredor de entrada. Não
se precisou olhar muito para perceber que a situação era séria.
As horas se passaram, mas a tensão de
o porquê aqueles policiais estavam ali, só aumentava. O burburinho se tornou
ainda maior quando outros dois policiais entraram as pressas rumo a algum outro
corredor.
- De verdade, não sei se vou aguentar
ficar aqui por muito mais tempo sem ter um colapso de curiosidade... - Bibi
comentou enquanto batia os dedos sobre a capa do livro. Concordei balançando a
cabeça.
Quando eu já estava a ponto de
ignorar tudo aquilo e passar meu tempo comendo besteiras em geral que eu
pudesse encontrar no meu armário, meio que do nada, e eu ainda não descobri de onde, Liam
apareceu vindo em nossa direção. A expressão dele não era uma das melhores,
então coisas boas não se passaram pela minha cabeça, e aposto que na de Gaby
também não.
- Achei que vocês tivessem ido
embora! - ele disse assim que se aproximou.
- Bom, não sei se você escutou bem,
mas estamos presos aqui até segunda ordem. - Gabriela falou enquanto Liam
revirou os olhos, impaciente.
- Sabe por que esses caras estão
aqui? - perguntei.
- Saber eu não sei, mas ouvi uns
boatos. - Liam abaixou o tom de voz gradativamente. - Estão revistando o
vestiário masculino, uns garotos que estavam lá falaram que era sobre posse de
droga.
- Como assim? Dentro da escola, assim
sem mais nem menos? - Apesar de que ninguém estava escutando além de nós três, Gaby
parecia a ponto de gritar, totalmente confusa e revoltada. - Como ninguém
conseguiu desconfiar disso?
- É bem simples, na verdade. - Liam
começou. - Tem uns caras do último ano, poucos, mas que usam e vendem.
Legal o jeito que eu fiquei sabendo
que a escola estava cheia de gente usando produtos ilegais. O único consolo foi
saber que não era apenas eu quem achava que ali era outro tipo de realidade. A cara de
contragosto de Gabriela seria engraçada se fosse em outro momento.
- E por que hoje? Por que vieram pra
cá assim do nada? - ela pergunto jogando o cabelo para trás, o enrolando e
fazendo um coque meio solto em poucos segundos.
- Provavelmente foi denúncia anônima.
- comentei e Liam assentiu, concordando com meu raciocínio dedutivo.
- E por que você acha isso? – Eu sabia
que ela estava tentando ligar alguns pontos, por isso estava sem entender nada
e tão confusa.
- Tipo, o cara não vai ser trouxa de
entregar os próprios "comparsas", pois seria pego em seguida, e
também não seria idiota de deixar nome pra que depois fossem atrás dele. É
quase que óbvio. - respondi dando de ombros em seguida.
– Nossa, Niall. Senti a indireta por
me chamar de burra. - Não senti que ela estivesse realmente ofendida, mas como
não sorriu em seguida, fiquei preso no meio termo sobre o que pensar.
- De qualquer forma, isso vai manchar
a reputação do colégio. - Meu amigo falou.
Todos concordamos. Poderia dar uma
bela de uma encrenca com os pais dos alunos, a polícia provavelmente iria ficar
em cima daqui pra frente. O próprio diretor ficaria obcecado sobre o assunto,
podendo até correr o risco de perder o emprego e o cargo. Me senti tão prendido
em “entender” o que estava acontecendo, que nem havia notado quando um dos policiais,
alto e moreno, apareceu carregando um saco pequeno, mas com algumas várias
coisas dentro.
Como numa cena de filme, os alunos abriram
passagem no corredor, se encostando nos armários conforme o homem se aproximava
da saída.
- Alguém provavelmente tá muito
ferrado... -Gabriela comentou como se não conseguisse acreditar no que via. Não
tive tempo de falar nada quando o autofalante soou com a voz do diretor dizendo
aos alunos que o resto do dia de aula havia sido suspenso, que todos deveriam
ir para suas devidas casas.
Pouco a pouco os alunos foram
desobstruindo o corredor, deixando a porta bem amontoada de pessoas. Decidimos
esperar e sair com todos os ossos no lugar, sem sermos atropelados e etc.
Não demorou segundos para que víssemos Leticia
e Harry na frente, sendo seguidos pelo resto do nosso pessoal.
- Só vocês pra conseguirem tomar chá
de sumiço... - kemelly tinha mantido o bom humor.
- Fala isso por causa do Liam, nem
liga pra gente! - Gaby seguiu o exemplo dela arrancando algumas risadas dela
mesma.
- Tá, agora vamos pra casa dormir,
esperar e ver no que tudo isso vai dar. - Louis disse seguindo em frente.
Sem uma alternativa melhor, começamos
a nós dirigir até onde todas as outras pessoas andavam.
Foi quando estávamos perto da porta,
sem mais que quinze pessoas restando no corredor que escutamos as exclamações
dos outros que restavam. De cenho franzido comecei a procurar pelo que estavam
olhando e comentando. Logo a frente dos policiais, com as mãos nas costas e
cabeça baixa, vinha Erick e mais dois garotos que eu apenas conhecia por vista.
Ele estava sendo preso? Eu não sei como meus sonhos se tornaram realidade assim
tão rápido, mas apesar disso, eu não estava exatamente feliz, sentia algo
esquisito, mas não sabia explicar.
Gabriela que estava a minha direita, pegou meu
braço e o apertou. Olhando seu rosto, vi seu queixo caído, seus olhos
arregalados e uma expressão incrédula. Não vou mentir e dizer que a hipótese de
o pegarem passou pela minha cabeça, só achei que fosse mais esperto do que
isso.
Mas ele vive me surpreendendo.
Quando olhei para Louis, vi seu
sorriso sarcástico se formar. Apostava que ele estava feliz em ver esse babaca
indo preso, por alguns meses, quem sabe até um ano. Mas me contentaria em vê-lo
fazer algum trabalho comunitário por várias semanas.
Quando Erick finalmente levantou o
olhar, se deparou com a gente o encarando descaradamente. Ao contrário do que
eu realmente pensei, Gaby se afastou de mim, dando dois curtos passos para
frente. Erick fez o mesmo, e ela não se afastou, na verdade, com a face ainda incrédula começou a falar:
- Foi sempre assim? - Sua voz saiu
baixa, calma. Não entendi o porquê, achava que ela teria começado a gritar, ou
ter simplesmente saído correndo. Erick parecia tenso. Abria e fechava a boca
diversas vezes, mas as palavras lhe faltavam. - Erick, eu falei com você. - seu
timbre era tão controlado que eu ficava com medo de um dos dois explodir de
repente.
- Às vezes. - ele confessou. - Mas
não sempre. Piorou no momento em que você me deixou...
Juntei as sobrancelhas e alternei
meus olhares entre os dois, assim como aqueles que restavam no corredor faziam.
O policial era o único que parecia não ligar.
- Você fala como se a culpa fosse
minha. - Gaby murmurou quase sem mexer os lábios.
Erick fechou os olhos para poder
respondê-la:
- Era o meu jeito de esquecer. - Se
justificou. - Ficar sem você doeu mais do que achei que doeria.
- As coisas poderiam ter sido
diferente se suas atitudes tivessem sido diferentes. - Gabriela falou o
encarando, apressando-se em responder. - Não sei por que achou que ficando
chapado resolveria seus problemas, mas tudo o que você precisava fazer era
mudar sua forma de agir e pensar.
- Você não vai voltar a ficar comigo
mesmo que eu faça isso. - O tom que ele usou chegou bem perto do desprezo.
- Tem razão, não vou. - Assentiu ela mantendo a expressão séria. - Mas se tiver que fazer isso, vai fazer por você mesmo. E se realmente gostou de mim algum dia, vai pelo menos considerar essa sugestão por você. - Era óbvio que ele estava confuso. Tão confuso quanto o resto das pessoas. A encarava como se o que visse fosse algum tipo de holograma. - Você merece um futuro melhor, Erick. Todos merecem.
Ele queria argumentar, provavelmente reclamar que o que ela falava não fazia sentido, ou qualuqer coisa do tipo, mas antes que qualquer som saísse de sua boca, Gabriela já estava fora da escola, bem longe dele.
Percebendo que ela não iria voltar, o policial continuou a arrastar Erick e os outros dois caras pra fora. Todos com olhares baixos e perdidos. Antes que eles cruzassem a porta, eu já estava do lado de fora à procura de Gabriela. Não olhar procurar muito para vê-la, ela estava parada ao lado da porta do passageiro do carro do seu irmão.
- Gaby? - A chamei alto e insisti até que ela olhasse pra mim, dando um sorriso com os lábios fechados, sem alcançar os olhos.
- Os outros já estão vindo? - Perguntou não parecendo nem um pouco interessada. Neguei e dei de ombros, não tinha esperado pra ver o que eles iam fazer, ou o quanto iam demorar. Gaby sorriu de lado e voltou a encostar o quadril na lateral do carro.
Me aproximei mais dois passos até conseguir ver seu rosto sem expressão alguma. Lógico, que algo como isso não ia acontecer e deixá-la bem. Foi um choque pra ela e pra todo mundo.
- Sabe que pode conversar comigo, não sabe? Confiar é o que os amigos fazem. - Foi o que falei quando estava já próximo o suficiente.
Se virou e ficou de frente pra mim. Eu não esperava que ela fizesse nada, só ficasse ali parada me olhando. Mas ela ficou nas pontas dos pés e passou seus braços ao redor do meu pescoço, me abraçando. Não demorei para retribuir o gesto.
- Só quero ir pra casa. - Sussurrou sem alterar a calma na voz.
Entendi que ela precisava de espaço, e eu não recusaria de dar o tempo necessário. Por várias experiências, pensei que talvez ela fosse começar a chorar ou algo parecido, mas percebi que lágrimas não sairiam dos olhos dela. Pelo menos não agora, ou na minha frente.
- Tem razão, não vou. - Assentiu ela mantendo a expressão séria. - Mas se tiver que fazer isso, vai fazer por você mesmo. E se realmente gostou de mim algum dia, vai pelo menos considerar essa sugestão por você. - Era óbvio que ele estava confuso. Tão confuso quanto o resto das pessoas. A encarava como se o que visse fosse algum tipo de holograma. - Você merece um futuro melhor, Erick. Todos merecem.
Ele queria argumentar, provavelmente reclamar que o que ela falava não fazia sentido, ou qualuqer coisa do tipo, mas antes que qualquer som saísse de sua boca, Gabriela já estava fora da escola, bem longe dele.
Percebendo que ela não iria voltar, o policial continuou a arrastar Erick e os outros dois caras pra fora. Todos com olhares baixos e perdidos. Antes que eles cruzassem a porta, eu já estava do lado de fora à procura de Gabriela. Não olhar procurar muito para vê-la, ela estava parada ao lado da porta do passageiro do carro do seu irmão.
- Gaby? - A chamei alto e insisti até que ela olhasse pra mim, dando um sorriso com os lábios fechados, sem alcançar os olhos.
- Os outros já estão vindo? - Perguntou não parecendo nem um pouco interessada. Neguei e dei de ombros, não tinha esperado pra ver o que eles iam fazer, ou o quanto iam demorar. Gaby sorriu de lado e voltou a encostar o quadril na lateral do carro.
Me aproximei mais dois passos até conseguir ver seu rosto sem expressão alguma. Lógico, que algo como isso não ia acontecer e deixá-la bem. Foi um choque pra ela e pra todo mundo.
- Sabe que pode conversar comigo, não sabe? Confiar é o que os amigos fazem. - Foi o que falei quando estava já próximo o suficiente.
Se virou e ficou de frente pra mim. Eu não esperava que ela fizesse nada, só ficasse ali parada me olhando. Mas ela ficou nas pontas dos pés e passou seus braços ao redor do meu pescoço, me abraçando. Não demorei para retribuir o gesto.
- Só quero ir pra casa. - Sussurrou sem alterar a calma na voz.
Entendi que ela precisava de espaço, e eu não recusaria de dar o tempo necessário. Por várias experiências, pensei que talvez ela fosse começar a chorar ou algo parecido, mas percebi que lágrimas não sairiam dos olhos dela. Pelo menos não agora, ou na minha frente.
Louis POVs
A escola estava bem, o diretor com seu emprego, nada de pais enfurecidos, mas os alunos pareciam "abalados". Mesmo o colégio tendo ficado interditado por um dia inteiro, mais o que restava daquele, onde finalmente o ex-namorado da Gabriela (não me orgulho de chamá-lo assim), foi preso, e agora tudo deveria estar as mil maravilhas.
Só que não.
Esse havia se tornado o assunto do momento, e infelizmente não tinha um lugar para onde eu ou qualquer pessoa fosse sem que a palavra "drogas" estivesse associada a "prisão". E pra deixa a situação só um pouco melhor, por mais que minha irmã não fosse nada, nem um pouco popular, as fofocas se espalhavam rápido. Os nossos nomes hora ou outra eram falados no meio daquelas conversas enjoativas e sem fundo. Tentava pensar naquilo como algo insignificante. Mas era difícil não se intrometer no meio daquele bate-papo.
Respirei fundo e tentei manter a calma. Hoje eu não ia arrumar briga com ninguém.
Andei por todo o corredor até meu armário. Consegui desviar dos olhares das pessoas que fofocavam, mas infelizmente não consegui fazer isso sem antes cruzar com Zaynne, que ia para o lado oposto. Prendi meu olhar nela, e ela em mim. Era estranho estarmos agindo daquela forma, mesmo com a promessa de agiríamos normalmente um com o outro. Olhei para o chão percebendo que estava fazendo tudo do jeito errado ao contrário do que eu realmente deveria. Parei na frente do meu armário pronto para colocar o código de números.
- E aí, Lou? - dei um leve pulo com o susto que Mary havia me dado. Não sei de onde ela surgiu, mas estava ali do meu lado.
- Da próxima vez juro que jogo esse livro na sua cara! - Falei tomando sua oportunidade de falar. Marie riu, pouco interessada.
Com ela ainda ali, parada no mesmo lugar, peguei o livro da minha primeira aula, joguei meu casaco ali dentro, e o fechei sem delicadeza.
- Preciso de um favor seu. - Ela falou assim que me virei de frente pra ela. Um pouco desconfiado, a analisei por um momento.
- Que tipo de favor? - Lógico que eu não ia falar que sim sem nem ter conhecimento sobre o que ela quer. Sou idiota, mas nem tanto.
- Um daqueles que eu tenho certeza que você pode fazer. - Sua empolgação me deixou confuso. Apenas balancei a cabeça para os lados e dei de ombros. Ela ia dar um jeito de conseguir o que queria cedo ou tarde. Só estava deixando a situação mais fácil.
- Certo, e o que seria?
- Me leva naquele seu amigo hoje de novo? Tenho prova semana que vem, e eu juro que não consegui entender absolutamente nada da matéria de química. Não entra no meu cérebro! - Marie colocou a mão na cabeça e franziu o cenho.
- Beleza, falo com ele sim. - Respondi a ela. Se esse era o favor, tinha me preocupado a toa.
- Muito obrigada, Louis! - Mary me abraçou lateralmente, mas não durou mais que três segundos. Comecei então a dar passos pequenos rumando para a sala quando ela voltou a me parar.
Logo depois me fitou com o olhar de um filhote de gato, sei lá porque.
- Tem como fazer isso ainda hoje? Eu meio que to cheia de coisa pra fazer, e não posso deixar tudo pra última da hora. Vou acabar me ferrando se fizer isso.
Certo. Como dizer não pra ela? Simplesmente não possuo essa habilidade. Não mais, quero dizer. Eu podia ter um mundo de coisa pra fazer, mas dizer pra ela "hoje não dá" meio que não saia da minha boca. Quase do mesmo jeito que acontecia com minha irmã. Vendo que eu faria aquilo, no mesmo instante ela começou a dar pulinhos no corredor, enquanto eu pegava meu celular no bolço da calça jeans. Não demorou pra que eu achasse o número do meu amigo.
Ligação on
- E aí, cara? Por que tá me ligando? Nossa primeira aula é junta. - Ele tinha diversão na voz. E o barulho na sala já era grande. Realmente eu estava sendo mesmo idiota, podia só dar uns passos e já estaria lá, mas era mais fácil fazer assim. Na minha concepção pelo menos era.
- Eu sei, eu sei. Mas preciso de um favor. - Continuei indo direto ao ponto.
- Então fala aí, só não inventa nada muito ridículo, se não vou querer vingança de você depois. - Revirei os olhos e ri.
- Lembra da minha amiga que eu levei outro dia na sua casa pra uma ajuda básica nos estudos? - Ela ainda estava na minha frente, tinha os olhos totalmente fixos, sem piscar. Era um pouco intimidante, admito. Desviei o olhar pra conseguir continuar a conversa.
- Aquela gostosa que deu a festa no fim de semana? - Não gostei de como ele falou dela. Não gostei nem um pouco. Todo o bom humor que eu tava tendo com o cara, desapareceu. Murmurei concordando que era ela mesma, não era uma mentira, afinal. - Ah, to ligado de quem você tá falando. Pode trazer ela aqui em casa hoje. Fiquei sabendo que ela tá solteira, será que você arruma um esquema pra gente se ela estiver afim?
Que cara de pau! Na casa dele é o caramba. Pra lá a Marie não vai de jeito nenhum. Nem que os porcos voem! (Eu sei, péssima expressão, mas é o que temos pra hoje).
- Na verdade, por que não vamos no shopping? - Minha amiga juntou as sobrancelhas mostrando que não gostava da ideia. - E depois a gente come alguma coisa por lá. - Sugeri.
- Mas a gente pode fazer isso aqui e...
- Então tá marcado. A gente se vê no shopping depois do colégio. - o ignorei completamente do outro lado da linha. - Até já, dude.
- Você que sabe, cara, mas...
Desliguei o telefone antes que ele argumentasse alguma coisa. Ou falasse qualquer coisa.
Ligação off
- E aí? - Marie me perguntou ansiosa pelo "sim", mesmo já sabendo a resposta.
- Shopping, hoje, depois da aula. - Falei num fôlego só.
Ela me olhava sorrindo, mas não falava nada. Então fiquei esperando que ela respondesse algo como: "Oh! Louis, como posso te agradecer, meu herói?" Ou algo um pouco diferente, tipo: "Nossa! O que seria eu sem você, minha salvação!". Mas a única coisa que saiu da boca dela, depois de mais tempo que o necessário foi:
- Por que no shopping? - Ela parecia um pouco incrédula, como se não tivesse gostado nem um pouco. - Tanto lugar pra escolher! Minha casa, sua casa, casa dele. Por que no shopping?
Durante trinta segundos pensei numa boa resposta pra ela.
- Lá é mais legal e movimentado. - Foi o que saiu. Nada bom, mas serviu pra enrolar. - E não tinha como ir na casa dele. - Aumentei a mentira e conclui.
Ela piscou e balançou a cabeça.
- Você não existe, Louis. - Sorri abertamente. Talvez ela não tenha dito aquilo como um elogio, mas pelo menos ela pensou alguma coisa sobre mim. Melhor que nada.
Andamos pelo corredor conversando cada minuto sobre alguma coisa diferente. Era engraçado como eu não tinha percebido antes que com Mary o assunto não parecia acabar nunca. Sempre tinha algo (geralmente idiota) que nos mantinha falando o tempo todo. Eram raros os momentos em que o silêncio constrangedor tomava conta das nossas conversas.
- Vou aproveitar que vamos no shopping e comprar o Cd dos meus maridos. - Ela dizia, sorrindo.
- Qual Cd dessa vez?
- Ainda não decidi. Vou de acordo com aquele que eu achar primeiro. - Mary gesticulou animadamente, o que me fez pensar que a ideia de ir pra outro lugar não tinha sido exatamente muito ruim pra ela.
- Eu tinha pensado que você já tinha todos os CDs do McFly. - comentei.
- Não, eu tenho todos os CDs do Justino Bieber. Do McFly só tenho dois. - Apesar de eu ter feito uma pergunta inocente, ela pareceu empolgada o suficiente para desencadear a história de vida de todos eles em menos de cinco minutos. Pior de tudo era que eu queria prestar atenção no que ela falava. Queria prestar atenção nela. Tinha alguma coisa errada comigo, eu tinha quase certeza.
O tempo passou, apenas mais alguns minutos e Marie só parou de falar sobre "seus maridos" quando Niall nos interrompeu:
- E aí, pessoal? Tudo bem? - Apenas balancei a cabeça indicando que sim, economizando palavras.
- Tudo, e você? - Marie foi mais educada que eu.
Olhando pra ele, pensei que poderia estar jogando branco, mas tinha quase certeza absoluta que ele não tava aqui querendo falar comigo e com a Mary. Só estava esperando ele próprio dizer isso. Não ia dar ideia pra ele.
- Vocês viram a Gaby por aí? - E eu estava certo.
- Ela não veio hoje, dude. - falei pra ele que pareceu tão confuso quanto Mary tentando entender por que o shopping e não a casa de algum.
- E por quê? Ela tá doente ou algo assim? - Niall franziu o cenho, parecia preocupado.
- Não exatamente isso, mas sim. - Comecei a falar recebendo atenção dos dois. - Ela disse que tava com muita dor de cabeça e mal estar. Ligou aqui pra escola avisando que não viria e marcou uma prova substitutiva, e voltou pra debaixo das cobertas.
- E você acha que ela falou sério? - Enquanto Nialler arqueava uma sobrancelha, eu juntava as minhas parecendo obviamente confuso.
- Claro, por que não estaria? - Quando ele assentiu com a cabeça, tive certeza que ele tava tirando com a minha cara.
- Certo, se você diz... - Eu poderia contestar. Até tinha aberto a boca, mas resolvi que era melhor ficar quieto. Não ia adiantar nada.
Ficamos ali por mais alguns minutos até o sinal bater. Cada um seguiu pra sua determinada sala, e acidentalmente me peguei observando Marie mais tempo do que eu realmente deveria. Ela não percebeu, mas por algum motivo eu queria que ela tivesse visto e retribuído o olhar. Não foi isso que aconteceu.
Helena POVs
Eu havia chegado atrasada, mas tinha meus motivos. Bons motivos, aliás. Era difícil correr de salto por aqueles corredores, então meio que eu já havia me preparado pra isso. Só não havia me preparado pra correr tanto! Parecia que a qualquer momento eu iria tossir meus pulmões pra fora. Nojento, mas era o que parecia.
Meu cabelo, que geralmente era sempre bonito e arrumado, hoje estava uma verdadeira vassoura. Coisa que eu não admirava da minha pessoa, mas juro que o sorriso no meu rosto valia tudo isso.
Quase derrapando no meio do corredor vazio, parei de frente para a sala de aula, tentando controlar o movimento descontrolado de minha respiração. Isso não aconteceu, mas de qualquer forma o professor já havia me visto e juntado as sobrancelhas. Ele também sabia que aquela não era a minha sala da primeira aula.
Dei três leves batidas na porta e enfiei minha cabeça dentro da sala. Fui encarada por diversos olhares totalmente confusos.
- Er... Posso falar com o Zayn? - O professor piscou antes de assentir, incrédulo.
Sem tirar o sorriso do rosto virei minha cabeça em direção a Zayn, que estava sentado no fundo da sala. Provavelmente o meu sorriso deveria estar tão grande, que poderiam achar que sou uma maníaca psicopata.
Lentamente ele se levantou, sem tirar a expressão de "o que fizeram com você?" do rosto. Pediu licença para o professor e saiu da sala, me puxando pelo pulso em seguida.
- Certo, o que aconteceu com você? - O timbre de sua voz era baixo, talvez um pouco contido.
Levantei o envelope e senti meus olhos se arregalarem mais, meu sorriso se alargar mais, e um grito de felicidade se formou na minha garganta.
Ele também arregalou os olhos, mas de mim, e não do conteúdo da carta. A indiquei com os olhos até que ele a abrisse e lesse. Correu os olhos rapidamente pela folha branca até finalmente levantar o rosto e me encarar.
- Você tem um teste? - Podia ver que estava tão surpreso quanto eu tempos atrás ainda hoje de manhã.
- SIM! - Minha resposta saiu quase como um grito agudo, um pouco esganiçado e fino demais para a minha pessoa.
Zayn então abriu um sorriso tão grande quanto o meu e começou a rir feito um idiota. Fiz o mesmo logo em seguida quando ele passou seus dois braços por minha cintura e me apertou contra si. Aceitei o abraço de bom grado o apertando na mesma intensidade.
- Quero que você vá comigo! - Falei assim que ele me soltou e eu pude olhá-lo olhos nos olhos.
- Só me fala quando, e eu vou. - Sorriu antes de dar um beijo estralado na minha bochecha, seguido de outro na minha boca.
- Vai ser hoje a tarde, um pouco depois da escola. Espero que não se importe em ficar comigo todo esse tempo. - Comecei, chacoalhando seus ombros. - Alguém tem que ajudar na escolha da minha roupa.
Era óbvio que eu estava apenas brincando com ele, e não esperava que Zayn concordasse comigo, mas ele fez mesmo assim.
- Eu sempre soube que você gosta do meus estilo. - Disse com ar de superior, me fazendo rir em seguida.
- Não seja tão convencido, santo ego! - Gesticulei em sua frente.
Eu estava tão presa na conversa com Zayn que mal havia notado a presença do professor parado na porta, um pouco zangado. Pigarreou alto fazendo com que Zayn virasse nos calcanhares e eu desse um passo para trás.
- Acho que teve tempo suficiente para falar seja lá qual for o recado para o sr. Malik, certo srta. Payne?
Por mais que a palavra "não" estivesse totalmente formada e na ponta da minha língua, meu subconsciente gritava para me alertar que eu me controlasse pelo menos hoje. Não podia ficar na detenção. Tinha coisas mais importantes!
Dei o meu melhor sorriso sem mostrar os dentes e concordei com ele. No fundo eu estava com muita raiva, mas o que mais poderia fazer?
Eu nada, mas aparentemente ele sim.
Dando uma leve bronca pediu para que cada um voltasse para sua sala. Eu nem me lembrava pra qual aula eu devia ir. Zayn pegou em minha mão e deu um leve aperto, enquanto dava um sorriso de canto com mil significados diferentes, me fazendo derreter por dentro.
- Vejo você daqui um tempo. - falou antes de entrar na sala e me deixar ali com um sorriso de orelha a orelha.
- Vou estar esperando. - respondi apenas mexendo os lábios, sem som. Mas me olhando pelo vidro da porta, sabia que ele tinha entendido.
Parecendo aquelas fadas que eu gostava quando criança, saltitei por todo o corredor até meu armário. Ainda sorrindo, claro. Provavelmente não iria desaparecer tão cedo. Nem se a próxima aula fosse matemática.
Harry POVs
Já era o terceiro intervalo da aula que tínhamos, mas eu não conseguia encontrar Leticia. Desde que Olívia entrou naquele café, é como se ela estivesse se isolando de todo mundo. Dos amigos, das amigas, de mim. Ontem mesmo tentei entender o que estava acontecendo recorrendo ao Lucca, mas a única coisa que consegui arrancar dele é que aparentemente eu sou um "idiota grudento". Tentei não levar essa parte para o lado pessoal, e me concentrar nas aulas, ou pelo menos nos ensaios que ficamos fazendo nesses últimos dias. Era só pensar que eu me sentia nervoso. Não sabia o que esperar sobre a próxima fase, e faltava pouco mais de uma semana.
Andei pelo corredor esbarrando na maioria das pessoas, sem me preocupar com pedidos de desculpa.
Quando a vi, a primeira coisa que percebi foi seu cabelo solto, tomando conta de metade do rosto. Distraída, nem percebeu o momento em que me aproximei dela.
Antes mesmo de falar com minha namorada, percebi que seu armário estava mais vazio que de costume. Não que ela não o deixasse arrumado, não era só isso. Parecia que metade das coisas haviam sumido.
- Oi, meu amor! - A surpreendi com um beijo na bochecha e um sorriso doce.
Letícia pareceu assustada, não esperava minha presença ali, mas mesmo assim, retribuiu o sorriso.
- Oi! Como você tá? - Eu poderia ser enganado pelo sorriso no seu rosto, mas não pelos seus olhos e a tristeza em sua voz.
Balancei a cabeça sem prolongar aquela parte da conversa e apontei para onde ela estava mexendo.
- Fez uma limpeza ai? - Tentei achar seu senso de humor, mas aparentemente ela tinha esquecido ele em algum lugar que não era aquele armário, disso eu tinha certeza.
- Mais ou menos isso. - Sorriu sem mostrar real felicidade em fazer isso. Senti que o clima ficou tenso entre nós dois, porque simplesmente eu percebia que ela não queria falar comigo, e isso me deixava quase louco.
Quando o sinal bateu, mais rápido do que ela costumava, Letícia tentou passar por mim e ir para a sala. Segurei seu braço assim que cruzou meu lado esquerdo. Não podia deixar que ela criasse toda essa barreira invisível sem que eu ao menos soubesse o motivo.
- Por que você tá assim? - Procurei olhar nos seus olhos e ver a sinceridade neles, mas foi impossível fazer isso quando Lelê olhou pra tudo, menos pro meu rosto, para os meus olhos.
Senti uma dor crescer dentro do meu peito. O que eu havia feito?
- Harry, eu preciso ir para a aula. - Tentou dar mais um passo e acompanhar as outras pessoas. Mais uma vez eu a impedi.
- Letícia, o que fiz? Por que tá se afastando? - Eu esperei pelo que parecia uma eternidade, mas não foi nada mais que 60 segundos.
- Você não fez nada, Hazza. E eu também não estou me afastando. Só estou cansada por ter passado a noite estudando. - Não engoli a mentira dela. Na verdade, me senti ainda pior por ela estar fazendo isso, escondendo coisas de mim.
- Por que está mentindo? - Murmurei para apenas ela escutar.
- Não estou mentindo, Hazza... - Tentou argumentar, mas eu a cortei antes que ela fizesse isso:
- Não vou te obrigar a dizer nada, Lelê, mas eu realmente pensei que você confiasse o suficiente em mim pra contar seus problemas. - Pude ver que ela estava dividida no que faria. Talvez eu entendesse perfeitamente que fosse algo doloroso. Só esperava que ela compartilhasse isso comigo e nós pudéssemos enfrentar isso juntos como sempre aconteceu. - Eu to aqui pra ajudar, e vou ficar do seu lado independente do que seja. - Seu suspiro de derrota fez com que eu soltasse seu braço, dando um passo pra trás em seguida. - Espero que saiba disso.
E quando ela virou nos calcanhares e continuou em direção a sala de aula, fiquei ali parado, pensando em qual seria o próximo passo que daríamos para trás.
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Nota da Autora: Dessa vez eu postei bbeeeem rápido graças ao meu novo celular que eu amei muito que é very útil já que agora osso escrever tipo vinte e quatro horas diárias se eu quiser.
Espero que tenham gostado. Eu gostei principalmente da foto do Zayn (hehe).
Como viram esse cap. é a introdução para o capítulo 51 (wow) que será um especial (só um tico atrasado) do dia dos namorados (12/06-amanhã). Não fiquem bravos! PLEASE!
Espero que tenham gostado, e isso é tudo!
ps: desculpem pela falta de criatividade nas roupas. não tava muito criativa pra isso.
Até a próxima galera!
Kisses,
Gabriela
Ps2: Feliz dia dos Namorados! E boa Copa do Mundo!!


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