Narrado em terceira pessoa.
A
festa estava no seu mais alto nível. Ninguém ligava para mais nada além de
dançar e se divertir. Deixavam a música tomar conta do seu corpo e alma. O
importante era agora, o depois, era totalmente esquecido.
As
pessoas distribuíam olhares confusos cada vez que Zayn e Helena passavam juntos
de mãos dadas pelo salão. Os dois fingiam não perceber, era melhor assim.
Kemelly
e Liam foram esquecidos por alguns longos momentos da memória dessas pessoas,
para criarem um momento inesquecível, juntos. Ser feliz era a regra número um.
Para alguns era fácil, para outros, complicado.
Gabriela
andava em círculos como uma louca. Parava no bar de tempos em tempos, e depois
voltava procurar seu amigo.
Louis
estava pensativo em um canto afastado, pensando nas escolhas que teria de
fazer. Se seriam elas fáceis ou difíceis. Leticia e Harry viviam como se só
eles estivessem ali, pois afinal, talvez fosse assim que deveriam agir para
que conseguissem os sorrisos que possuíam no rosto.
A
música cessou de repente fazendo com que os corpos parassem de se mover
murmurando coisas desconexas sem entender esse longo momento que se prolongou
por apenas poucos segundos até a garota fantasiada de pirata subir em um palco,
que poucos haviam visto. Havia um microfone em sua mão e ela tinha um sorriso
constrangido no rosto, como se o que fosse fazer a seguir fosse impossível de
se realizar.
-
Desculpem estragar a dança de vocês, prometo ser breve! - Foram as primeiras
palavras ditas. Olhos atentos a encaravam esperando seja lá o que fosse que
Marie julgasse importante compartilhar com todos. - Gostaria de fazer um
agradecimento especial a todos que compareceram hoje aqui na minha festa. Fico
feliz por terem aceitado o convite e estejam se divertindo.
Alguns
poucos gritaram e bateram palmas, arrancando risos daqueles que nada haviam
dito ou feito.
-
Eu sei que todo ano eu falo a mesma coisa e blá-blá-blá, mas esse ano, porém,
devido a certos acontecimentos, vou fazer diferente. - As pessoas murmuraram
entre si. - Na verdade, esse ano, a festa não está acontecendo nada da maneira
que eu tinha planejado. Na verdade, já aconteceram tantos imprevistos que perdi
a conta. - Mary riu nervosa. - Mas isso não me incomoda. Na verdade, acho que
tudo que aconteceu teve seu lado bom. Talvez não de imediato, mas eu percebi
que na verdade se tratava de sorrisos e não de lágrimas. Foi melhor assim,
admito. Compartilhar essas coisas loucas com meus amigos, não tem preço que se
pague. As coisas que fazemos hoje, certas ou erradas, são o tipo de coisa que
qualquer adolescente da nossa idade faria. É quando sabemos aquilo que
queremos, quando somos nós mesmos achando nossa identidade. Sabe, eu não vejo
problema nisso, esse pode ser o caminho mais divertido. - Ela fez uma pausa e
olhou para a sua própria fantasia.
- Todos
vocês aí curtindo com essas fantasias curtas, essas calças apertadas. É bem
engraçado. Essas são nossas memórias. Algo que eu quero que vocês se
lembrem e não se arrependam, não olhem pra trás. Eu não sei pra onde isso tudo
vai me levar, mas eu vou achar meu caminho. Podem dizer que eu estou errada,
mas quem liga? Já é meia noite! O que tinha de ser feito já foi, e o que ainda
não foi, só um recadinho: O tempo tá acabando! - Marie sorriu com as próprias
palavras. - Eu e todos os meus amigos, hoje, criando todos os tipos de
lembranças... De verdade, não me importo com o que gastei aqui, se vamos nos
divertir, vai valer a pena. É pra isso que serve a noite. Eu sei que isso não
faz sentido nenhum, mas talvez não seja pra fazer. O importante é você se
sentir bem. Não diga não para a sua felicidade.
Por
um momento ela sentiu como se estivesse fazendo uma palestra. Se sentiu boba logo em seguida. Riu por um
momento e logo voltou a falar:
-
Recebi uma notícia há pouco tempo, que apesar de boa, me fez pensar em coisas
ruins. Às vezes pra deixarmos que as pessoas que amamos seguirem seus sonhos,
temos que deixá-las. Eu espero que tudo isso seja compensado. Mas quem sabe? –
Marie fez uma pausa se embolando nas próprias palavras. -As vezes temos que ficar longe das pessoas que mais gostamos. Seja lá
quando, uma hora vai acontecer, e essa hora eu sinto que está perto, por mais
que eu não queira admitir. Eu não tenho medo de dizer que tenho receio do que
vem por aí, mas compensa saber que o sorriso no rosto dessas pessoas com quem
eu vivi tantos momentos inesquecíveis vai me fazer pensar que é a coisa certa.
E pra eles, quem sabem quem são, quero dizer que eu não vou esquecer, e isso
pra mim já vai ser o suficiente.
As
pessoas aplaudiram, no fim, Marie realmente pensou que poderia discursar mais
vezes. Se achou uma idiota depois desse pensamento.
Olhando envolta do salão viu
seus amigos. Cada um em um canto, mas todos tinham o olhar fixo no dela. No fim
eles perceberam. Perceberam que o que tinham hoje, ia durar pra sempre.
A
música do Parabéns começou. Um par de
luzes acendeu mostrando o bolo enorme perto da garota. Deram a ela uma espátula
e Marie cortou o primeiro pedaço daquela obra de arte. E assim se estenderam os
próximos minutos.
***
Gabriela
estava encostada em uma parede de um canto qualquer com um copo de
refrigerante. Sim refrigerante, havia dispensado a bebida depois de alguns
copos. Não queria acabar igual a algumas pessoas da festa, aliás.
Não
conseguia concentrar seus pensamentos, eles sempre acabavam se direcionando
para apenas um lugar. Na verdade, uma pessoa. Suspirou e depois deu um gole na
bebida. Pôs-se a andar e procurar alguém para conversar ou apenas para fazê-la
companhia. Não foi uma tarefa muito difícil. Encontrou Leticia e Harry sentados
em uma mesa próxima.
-
Espero que não se importem se eu me sentar aqui. - Puxou a cadeira vazia
enquanto recebia um olhar divertido do casal.
-
Você sentaria aí de qualquer jeito. - Leticia falou levando mais um pedaço do
bolo até sua boca.
-
É isso que dá me dar muita liberdade. - A garota fantasiada de Chapeuzinho
Vermelho respondeu rindo.
-
De novo segurando vela, Gaby? - Uma voz disse e todos da mesa viraram-se para
encontrar Zayn e Helena de mão dadas.
Os
olhares confusos tomaram conta do rosto dos três. Bom, eles estavam dentro da
mesma casa, como deixaram esse pequeno detalhe passar despercebido?
Certo, o lugar estava lotado, mas uma notícia desse tipo teria se espalhado bem
rápido, no mínimo.
-
Perdemos algo? - Harry disse o que não só ele estava pensando. Zayn e Helena
sorriram envergonhados.
-
Tivemos um momento de reconciliação. - Lena respondeu olhando para Zayn que
sorriu para ela.
- Ou bem mais que isso... - Gabriela murmurou olhando os dois.
-
Certo... Vou querer todos os detalhes mais tarde. - Leticia sorriu para a
amiga.
-
Isso aqui virou algum tipo de ponto de encontro? - Louis apareceu acompanhado
de Zaynne, o que foi uma surpresa bem grande para todos, já que a garota havia
desaparecido desde horas atrás quando chegaram ao local.
-
Parece que sim. O que acham de aproveitarmos a situação? - Zayn olhou para o
grupo de amigos a sua volta.
-
O que tem em mente, Drácula? - Harry perguntou.
-
Bom, que tal uma partida de sinuca? - Os garotos ali reunidos se entreolharam e
se levantaram. Gostaram da ideia de fazerem algo juntos.
- Da última vez que eu tentei jogar sinuca, achei Kemelly quase tirando a roupa com um grupo de desconhecidos. - Leticia olhou para todos e depois fez uma careta.
- Sim, mas dessa vez ela nem está aqui... - Harry olhou para sua namorada com um sorriso confiante no rosto. Ela deu de ombros, ponderando a ideia.
-
Bom, vou arrumar outra coisa para fazer, então. - Zaynne olhou para Louis e se
retirou. Ele retribuiu o sorriso, porém não da mesma forma que costumava fazer.
Gabriela estreitou o olhar e franziu as sobrancelhas. O que estava acontecendo
entre os dois? Não poderia ter acontecido algo tão sério assim em tão pouco
tempo, poderia?
Pensando
bem, poderia sim. Não precisava perguntar para outras pessoas, apenas olhar
para o que acontecera com si mesma pouco tempo antes. Percebeu que encarava o irmão
a mais tempo do que realmente deveria e planejava. Logo ele já estava
estralando os dedos na frente de seu rosto.
-
Hã? - Murmurou pigarreando em seguida.
-
Você vem? - Antes de responder viu que todos estavam em pé esperando por sua
resposta.
-
Claro, por que não? - Gabriela respirou fundo e se levantou para começar a
segui-los.
Poucos
passos depois, foi impedida de continuar. A pergunta que Harry fez, fizera com
que Gaby paralisasse no lugar e se sentisse constrangida sem um bom motivo
aparente.
Para eles, pelo menos.
-
Hey, alguém viu Niall? Ele gosta de jogar sinuca.
-
Gaby, você sabe onde ele está? - Louis perguntou.
Parecia
estúpido, mas ela ativou o modo defensiva.
-
Por que acham que eu sei? - Se ouviu perguntar e passar o olhar por todos.
-
Bom, ele estava com você da última vez que o vimos. - Leticia deu de ombros.
-
Sim, mas como podem ver, ele não está. - Falou logo em seguida cerrando os olhos.
-
Calma, amiga, foi só uma pergunta! - Helena a olhou confusa.
-
E eu já respondi. Niall faz outras coisas da vida, não nasceu grudado em mim nem nada do tipo.
-
Gaby, aconteceu alguma coisa? - Harry deu um passo em sua direção, Gabriela deu
um para trás.
-
Não, tá tudo bem, ok? Só estou com um pouco de dor de cabeça.
-
Talvez devesse tomar um ar, sei lá. - Zayn franziu a testa olhando a
garota que agora passava os braços pelo seu corpo enquanto afirmava com a
cabeça.
-
É, talvez eu devesse.
Virou
as costas e a passos largos passou entre as pessoas indo para um lugar
onde pudesse entender o que estava acontecendo consigo mesma.
Kemelly
POVs
Eu
estava de bruços em uma superfície macia e confortável quando comecei a voltar
com a consciência. Minha cabeça doía, e todos os músculos do meu corpo também.
Até aqueles que eu não sabia da existência. Fiz uma nota mental onde eu me lembraria pra sempre desse dia e nunca mais iria beber. Pelo menos não desse jeito. Me mover parecia ser como se levantasse dez quilos, então pressionei as pálpebras dos meus olhos com força e me remexi.
Não,
não era impressão minha, mas realmente tinham pesos nas minhas costas. Quer
dizer, o braço de Liam a transpassava e eu podia perceber também nossas pernas
formarem um nó se entrelaçando por baixo dos lençóis.
Tentei
mais uma vez me mover com uma tentativa falha. Liam apertou seu braço contra
mim mais forte e me puxou para mais perto. Certo, com a minha força de vontade em valor zero, eu me considerava presa.
-
Você é mau – Falei com a voz embriagada de sono, preguiça e cansaço que me
consumiam naquele momento.
-
Não, só quero manter o que é meu perto o suficiente – Ele respondeu com a voz
grogue e rouca, mais próximo do meu ouvido do que eu poderia imaginar.
Sorri
ainda de olhos fechados e levantei minha mão até onde deveria ser sua cabeça.
Antes de meus dedos encontrarem seus cabelos finos e macios, sua mão atingiu a
minha e entrelaçou nossos dedos.
-
O que perdemos? – Perguntei a ele.
-
De importante, apensas o bolo e o discurso. – Liam respondeu começando a traçar
a extensão da minha coluna com as pontas dos dedos de sua mão livre, me
arrepiando por completo.
-
Ótimo – murmurei abrindo os olhos. Mas minha visão não estava clara, estava um
tanto quanto desfocada. Franzi as sobrancelhas, confusa. O que aconteceu com minhas lentes?
-
Suas lentes estão dentro daquele copo de água. – Liam falou como se percebesse
o que estava errado. Ah, sim. Vou perambular por aí como um peru bêbado, agora.
Maravilha.
-
Espero que não se importe em ter que virar meu guia por algum tempo. – comecei
a dizer com a voz ainda rouca e baixa. - Colocar as lentes que estão na água
seria a mesma coisa que ficar com o olhar de uma drogada.
Liam
riu por um instante e eu sorri com isso.
-
Não se preocupe com isso, Kemy. Temos coisas mais importantes para se pensar
como: O que fazer com a roupa de cama que está toda molhada.
Meu
cérebro demorou algum tempo até processar a frase. Como assim molhado? Foi aí
que compreendi. Não tinha percebido até agora, mas meu cabelo ainda tinha
algumas mechas úmidas e outras molhadas, sinal de que não fazia tanto tempo
assim que havíamos saído do chuveiro.
Murmurei
qualquer coisa e tomei impulso para levantar. Liam me empurrou de volta.
-
Não precisa ser agora – Foi a frase brilhante que ele me disse.
Não
sei por que motivos, mas comecei a rir. E percebi mesmo com a visão borrada, o
olhar de confusão que meu namorado tinha no rosto, o que me fez rir mais um
bocado.
Ai se minha mãe ficasse sabendo das coisas que eu aprontei essa noite...
Foi
no meio de toda essa situação estranha que um celular vibrou em algum lugar
ali. O meu eu tinha certeza que não era, caso contrário teria começado a tocar
uma música de Miley Cyrus, então a única outra opção óbvia, era o celular de
Liam.
Aproveitei
esse breve instante que ele se levantava desajeitadamente para procurar o
telefone e fechei os olhos mais uma vez.
-
Eu não me animaria muito, senhorita sono profundo. Temos que ir. – Liam já não
estava mais com a voz totalmente rouca.
-
Por que eu deveria? – Puxei o travesseiro para baixo e o abracei.
-
Niall quer ir embora.
Abri
os olhos novamente e bufei. Não, não era por causa do Niall e sua necessidade
urgente de deixar a festa, mas sim por causa de todo o cansaço. Não conseguia
me lembrar da última vez em que me senti tão preguiçosa como agora. Tomei
impulso e dessa vez me levantei. Quer dizer, não totalmente, já que fiz uma
pausa me sentando sobre as minhas pernas enquanto olhava para a parede e jogava
meu cabelo embaraçado para trás. Eles estariam pior que um ninho de pássaros daqui há alguns minutos.
-
Ok, então vamos. – Disse com a maior moleza e lentidão que um ser humano normal
conseguiria.
-
Certo, mas concordemos em uma coisa – Liam começou a falar e eu o olhei por
cima do ombro. -, mas antes seria melhor você se vestir.
Arqueei
uma sobrancelha e por um momento me senti mais envergonhada que nunca. Que tipo
de pessoa eu era para não perceber que estava nua? Não, não era culpa da
bebida. A única coisa que sobrava depois de encher a cara era a dor de cabeça
que não queria me abandonar. Eu era a pessoa mais idiota e distraída de toda
aquela festa.
O
mais rápido que pude pensar puxei o lençol e passei pelo meu corpo enquanto
escutava a risada de Liam de fundo. Deixei meu cabelo embrenhado cair sobre o
rosto, mas dessa vez não tirei.
-
Pode passar minha roupa, por favor? – Não me atrevi a olhá-lo.
-
Não precisa ficar com vergonha. Nada que eu já não tenha visto. – Liam murmurou
rindo.
Peguei
o travesseiro mais próximo e atirei em sua direção. Quando o objeto o atingiu,
ele murmurou um “ai” e ficou em silêncio.
-
Desculpe. – Suspirei e assenti.
-
Agora você pode passar minha roupa? – Perguntei já um pouco impaciente.
-
Claro, se você não se importar em vesti-la molhada...
Arregalei
os olhos, alarmada.
-
Quer dizer que eu não tenho o que vestir? – Virei-me para ele.
-
Eu ainda não olhei esse armário aqui, então respondo sua pergunta em alguns
segundos...
Nesse
meio tempo, puxei o lençol da ponta do colchão, o dobrei e comecei a arrumá-lo
no meu corpo de uma forma bem estranha, mas que me impedia de andar pelo quarto
da forma que vim ao mundo.
Levantei
e descalça andei até o banheiro, não antes de esbarrar várias e várias vezes
por móveis e coisas invisíveis do quarto, até chegar onde estava a peruca, a cauda
e a parte superior da minha fantasia pendurados.
Pelo
menos meu sapato parecia não tão molhado. O calcei, depois de certa dificuldade
e fui tateando a parede de volta ao quarto. Sentia falta das minhas lentes.
-
Achou algo? – Perguntei assim que passei a porta do banheiro.
-
Claro, se você quiser usar toalhas. Mas vejo que já está usando o lençol. – Vi
Liam atirando, provavelmente as toalhas de volta ao armário.
- Eu realmente espero que não se importe em usar roupas molhadas. – Falei voltando para o
banheiro. Faria o que Liam tinha sugerido antes. Não tinha muita escolha entre lençol e aquilo.
-
Você realmente vai fazer isso? – Liam me perguntou antes de eu conseguir fechar
a porta.
- Foi ideia sua. - Ele me olhava como se eu estivesse em outro planeta.
- Sério, Kemy? Vai mesmo fazer isso?
- Nunca imaginei que fosse, mas sim. Vou. E você também vai. – E com isso, tentei
distinguir quais peças de roupas eram as dele e joguei para Liam, fechando a
porta e me vestindo com as roupas úmidas.
Gabriela
POVs
Não
tinha pensado que tomar uma brisa no rosto seria assim tão bom e reconfortante.
Eu
havia atravessado totalmente aquela multidão e agora estava do lado de fora da
festa tomando um ar. O céu estava coberto por várias nuvens, mas de tempos em
tempos era possível ver a lua minguante iluminando a noite.
Eu
sou uma pessoa confusa, que vive numa vida de confusões, mas não me lembro de
ter ficado da forma que estou agora.
Suspirei
derrotada sem saber mais o que fazer e pensar. Eu havia tomado alguns drinks,
mas nada que me deixasse no estado em que Kemelly estava. Nem perto daquilo, na
verdade.
Desci
as escadas e comecei a reparar que não era apenas minha a ideia de tomar ar.
Quer dizer, a ideia não foi exatamente minha, mas enfim. Dane-se.
Reparei
também em uma figura encostada no muro de cabeça baixa. Não precisei olhar duas
vezes para reconhecer quem era. Uma questão mental se formou na minha cabeça. Ir ou não ir, eis a questão.
Me
aproximei sorrateiramente, tentando não fazer com que o barulho dos meus saltos
ecoasse pela rua, o que era meio ridículo, já que ele muito provavelmente iria perceber a presença humana ali. Parei ao seu lado.
-
Te procurei por toda parte – Falei enquanto encostava as costas na parede fria.
Niall
levantou o olhar e me fitou por um instante, suspirando em seguida voltando a
abaixar o olhar.
Fixei
meus olhos no outro lado da rua.
-
Por que você fugiu? – Perguntei a ele.
Enquanto
esperava por sua resposta, fiquei olhando alguns carros passarem como um flash por
nossa frente. Aqui não era Nova York, mas às vezes parecia ser uma cidade que
nunca dormia.
-
Eu não fugi.
-
Nialler – Virei-me para encara-lo -, você virou as costas e saiu andando sem
dar algum tipo de “tchau”, me deixou falando sozinha. Como chama isso?
-
Ok, talvez eu tenha fugido. – Ele revirou os olhos e colocou as mãos nos
bolsos. – Desculpe. – Murmurou em seguida.
Assenti
sem dizer mais nada. Esperei que ele começasse a explicar, como qualquer um faria, ou então mudasse de assunto, algo totalmente normal, mas ele não fez nada. Ficamos ali por mais algum tempo em silêncio, mas eu tinha
perguntas e queria algumas respostas.
-
Por quê?
Niall
abriu e fechou a boca vária vezes antes de finalmente falar alguma coisa:
-
Entrei em desespero. – Ele tinha um olhar de tristeza nos olhos. Sua voz estava
baixa, beirando a rouquidão. – Não devia ter te beijado.
-
Mas eu concordei com isso, não foi? Se não quisesse teria te parado. – Eu
estava sendo sincera, afinal.
Seu
olhar tinha uma pontada de dúvida, como se tudo o que tinha acabado de falar
fosse absurdo. Revirei os olhos e bufei.
-
Tá, concordemos, foi embaraçoso e tal, mas você não precisava ter me deixado
falando sozinha como uma idiota. Não tinha porque entrar em pânico ou
desespero. Foi só um beijo.
Seu
olhar de confusão fitava meus olhos arregalados.
-
Certo, eu acabei de beijar minha melhor amiga e todos concordam que eu sou um
idiota, mas por motivos diferentes. – Sua expressão era tão séria que não
consegui reprimir meu riso. Talvez fosse a bebida, mas achei a situação um
bocado engraçada.
-
Por que está rindo? – Agora Niall parecia indignado.
-
Desculpa, mas ver você aí todo preocupado e sério me pareceu engraçado. –
Troquei o peso do corpo de pé.
-
Eu não consigo te entender.
-
Ninguém consegue, caro amigo. – Ele revirou os olhos. – Tá, se eu não tivesse
gostado do beijo, a situação seria totalmente diferente, então pare de ficar aí
emburrado.
Niall
arqueou uma sobrancelha e me olhou de relance, como se duvidasse do que eu
estava falando.
-
Você gostou?
-
Se você tivesse permanecido lá durante mais dez segundos, teria escutado que
sim. – Revirei os olhos enquanto ria de sua expressão.
-
Gabriela, você bebeu? – Dei de ombros.
-
Alguns drinks, nada demais.
-
Ah, entendi. Você está bêbada.
-
Não, Nialler, você não entendeu. – Me virei para ele pegando em seus ombros. –
Eu tomei alguns drinks, ou seja, o nível de álcool no meu sangue é apenas o
suficiente para falar a verdade e me soltar um pouco mais, e não do nível
exagerado e elevado que vai me fazer querer subir em cima de uma mesa, fazer um
strip-tease ou algo do tipo.
Niall
piscou.
-
Então você não mentiu desde que essa conversa começou?
-
Não. – Respondi.
-
Então você gostou? – Assenti. – Se eu tentasse te beijar de novo, você
recusaria? – Neguei. Ele franziu o cenho. – Como fica nossa amizade?
Pensei
por um momento.
-
Ah, essa é fácil. Continua a mesma coisa, só que de vez em quando vamos dar uns
beijos e etc. Tipo amizade colorida.
O
olhar que ele tinha me fazia pensar que ele me via como uma alienígena. Baixei meu olhar até minhas roupas procurando algo de errado. Não achei.
-
Tem certeza que você não tá bêbada, e que tá falando sério.
Sorri
da forma mais doce que pude, então me inclinei em sua direção e colei nossos
lábios por um breve momento. Eu sabia que ele não tinha fechado os olhos, então
me distanciei.
-
Se isso responde a sua pergunta, sim, estou falando sério. Não vejo mal nenhum
em nós dois ficarmos. É só não sair espalhando por aí. Não quero boatos. Já tem
fofocas demais de mim, mesmo depois de tanto tempo daquela festa com o Erick me
traindo. – Revirei os olhos em me lembrar daquilo.
-
Aham, entendi. - Ele ainda me olhava como se tentasse entender tudo o que eu tinha falado. - Nada de espalhar.
-
Ok, então agora que já nos resolvemos, será que podemos voltar pra festa? Sério, me sinto como se tivesse tirado um super peso das minhas costas. - Falei o puxando pelo braço, mas antes de nos movermos, ele voltou a se encostar na parede.
-
Vai na frente, vou ficar aqui mais um pouco.
Afirmei
com a cabeça e com um sorriso no rosto, que só depois teria notado, entrei de
volta naquela festa.
Harry
POVs
Ok,
entender as mulheres ficava cada vez mais complicado. Ignorar parecia à decisão
mais fácil, mas mesmo assim, eu queria ajudar, ou seja, tomar a decisão mais
complicada. Eu conhecia a minha amiga suficientemente bem para entender que
algo estava errado.
Gabriela
e eu podíamos não ter mais o contato de antes, toda aquela ligação e etc., mas
continuávamos amigos. Melhores amigos. E assim como ela, eu ainda me
preocupava.
-
Harry, é sua vez! - Louis me fez voltar e se concentrar no jogo.
-
Ah, sim, claro... - Fiz minha jogada, acertou a bola encaçapando-a. Meus amigos
bateram palma, fingindo estarem impressionados. Me preparei mais uma vez para a
segunda jogada. Quando a errei, um coro muito falso de pena foi feito. Tive que
rir desse breve momento.
-
Quem sabe da próxima, não é Harold? - Leticia me olhou e piscou docemente. -
Minha vez.
Antes
mesmo dela se preparar, uma figura feminina de colocou ao seu lado.
-
Opa, parece que esqueceram de me chamar para a diversão...
Leticia enrudeceu e depois de respirar fundo falou:
-
É quase o que você disse, Olívia, só que o contrário. Se você está aqui, deixa
de ser divertido. - Respondeu sem tirar os olhos da mesa.
-
Ai. Me sinto ofendida. - A garota fantasiada de Rainha de Copas riu com
sarcasmo. Respirei fundo esperando a discussão.
-
Ótimo, espero que tenha entendido que ninguém te quer aqui. - Minha namorada se
virou e ficou de frente para ela. Eu podia ver seus dedos ficando brancos enquanto ela apertava com força o taco de sinuca.
-
Ah, fofinha. Não preciso do amor, carinho, ou qualquer outro sentimento para me
fazerem ficar perto. Eu faço o que quero, na hora que quero. - Olívia abriu um
sorriso de canto. Revirei os olhos.
-
Vamos arrumar outra coisa pra fazer, ok? - Helena se colocou ao lado de Leticia
e a puxou pelo braço, não antes de esbarrar em Olívia que revirou os olhos.
A coisa boa é que Olívia saiu andando. A ruim é que elas realmente quiseram arrumar outra coisa para se fazer.
Infelizmente
paramos de jogar na quarta rodada. E aparentemente não fui o único a ficar com
cara de bunda. Zayn tinha uma cara emburrada e Louis parecia estar com tédio.
No
meio do caminho, voltamos a encontrar nossos outros amigos. Marie tinha uma
conversa intensa com Gabriela. As duas pareciam concentradas demais, quando nos
viram ficaram sérias por um momento e depois sorriram, talvez nervosamente.
-
Está melhor Gaby? – Ouvi Louis perguntar.
-
Eu nunca estive ruim, Lou.
Ele
riu como se estivesse se esforçando para engolir a frase da irmã e eu ri
negando com a cabeça. Ficar perto daqueles dois era a mesma coisa que assistir
a uma novela mexicana fora da televisão.
-
Ótimo, alguma ideia de coisas legais para se fazer? - Helena perguntou.
-
Qualquer coisa longe da Olívia, diga-se de passagem. - Leticia murmurou ao meu
lado e eu passei meu braço por sua cintura.
- Andar por aí, comer, dançar, beber...
A lista é interminável e tudo por minha conta. – Nossa amiga Pirata disse
enquanto analisava suas unhas pretas bem pintadas.
Enquanto meu cérebro escolhia a melhor
opção para se fazer, e os outros pareciam pensar a mesma coisa, vimos um casal
perambulando em nossa direção. A principio, meu primeiro pensamento foi “porque
esse dois babacas estão nos encarando?”, mas no momento seguinte percebi que o
babaca era eu. O casal perambulando era Liam, que parecia segurar Kemelly, que
tinha os braços estendidos e tropeçava em cada ser vivo que cruzasse em sua
frente.
- Vejam só se não são nossos melhores
amigos desaparecidos! – Helena cruzou os braços e parou em frente aos dois.
- Não estávamos desaparecidos, vocês
sabiam onde nos encontrar. – Liam replicou.
- É, mas ninguém quis interromper... –
Louis respondeu em seguida. Rimos com o comentário, e por um momento eu pude
jurar que mesmo com a grande variação e cores na iluminação, era possível ver
as bochechas rosas de Kemy e a vergonha de Liam.
- Tá, chega disso, seus pervertidos
engraçadinhos. – Gabriela andou em direção a ex-garota bêbada, que tinha os
olhos arregalados e um copo nas mãos, que aliás, eu não tinha percebido. – Hey,
por que as roupas de vocês dois estão molhadas?
Enquanto Gaby ficava confusa, Zayn andou
até os dois e tirou o copo das mãos dela.
- Pensei que já tivesse tido
experiências demais com bebidas para uma noite, prima.
- Na verdade, dude, isso aí no copo não
é bebida, são as lentes de contato dela. Por isso ela está toda estranha. –
Zayn entortou a boca fazendo uma careta. – E as roupas molhadas, foi mais um
acidente.
- Conte-nos mais sobre isso. – Falei.
- Ideia de Marie. – Liam deu de ombros e
eu me lembrei que antes era difícil entender as mulheres. Agora eu achava que
entender meus amigos era dois níveis mais difícil.
- Não, não. Eu falei para colocar ela embaixo do chuveiro, não ter uma
aventura erótica no banheiro da minha festa.
- Ok, chega! Preciso de outro drink. –
Gabriela nos afastou enquanto uns riam, outros ficavam sérios e Liam e Kemelly
entregavam de bandeja o que tinha acontecido com os dois naquele quarto.
- Sabe o que eu anda não fiz hoje? –
Helena começou. – Esperem, não respondam. Foi uma pergunta retórica. - Ela nos ignorou por completo e continuou. - Eu ainda não usei as tintas neons. Vou fazer uma visitinha até elas.
Antes de responder, levei um susto por
escutar alguém gritando bem próximo de mim.
- De mim ninguém sente falta.
- Niall! Estávamos te procurando.
Recebemos sua mensagem. – Liam se apressou a falar indo em direção ao duende,
consequentemente puxando Kemy que tropeçou e deu alguns pulinhos até se equilibrar e parar ao
lado do namorado.
- Desculpem, mudei de ideia, mas
obrigado, acho. – Ele respondeu coçando a nuca.
- Mas então, estamos esperando o que
para usarmos minha brilhante ideia como diversão? – Helena arqueou uma
sobrancelha e logo estávamos a seguindo rumo a onde provavelmente estavam as
tintas.
- Hey, onde estão indo sem mim? – Era a
voz de Gaby e eu não precisava me virar para saber disso.
- Tintas Neon. – Eu respondi ainda sem
olhá-la, mas logo Gaby já estava passando ao meu lado com dois copos diferentes
em cada mão indo de encontro com Louis.
- Não acredito que você vai beber. – Ele
murmurou.
- Qual é, só tomei alguns drinks essa
noite.
- Será que a Kemelly não te ensinou nada depois de tudo? - Ouvi Louis perguntar.
- Me recuso a responder essa pergunta. Não estou totalmente sóbria para isso.
- Qual é a bebida? – Perguntei e ela me
olhou por cima dos ombros.
- Não sei, o barman fez uma mistura bem
legalzinha lá e me entregou. Olha, são coloridos! – Ela esticou os braços
virando o corpo e dando alguns passos de costas enquanto me mostrava durante
dois segundos os copos.
No minuto seguinte ela estava virando o
líquido da mão direita goela abaixo.
- Até que é gostoso. – Falou ela em
seguida.
Não só eu como todos os outros a
ignoramos por completo assim que vimos os grandes potes chamativos.
- Legal, eu vou pintar uma parte do
cabelo! – Lena foi a primeira a se atirar na tinta neon laranja. Logo Louis já
segurava o pote azul rabiscando coisas aleatórias em Gaby, depois em Mary.
Foi aí que a bagunça começou. Nossas
fantasias e rostos já eram. Mesmo com Marie dizendo que o solvente para aquilo
era a água, estava ficando cada vez mais bizarro acreditar que alguém
conseguiria tirar tantas manchas coloridas assim de uma peça de roupa.
Kemelly estava no canto, encostada em
uma parede quando Liam deixou riscos amarelos por sua barriga. Ela atingiu o
vazio com um tapa e logo deduzi que ela estava totalmente cega sem as lentes.
Leticia estava do meu lado de braços
cruzados olhando rindo para aquilo tudo.
- Não vai fazer o mesmo? – Perguntei a
ela enquanto esticava o braço e pegava a tinta rosa.
- Hum, acho melhor não. – ela retorceu
os lábios em uma careta enquanto olhava para minha mão.
- Ah, vamos, Lelê, não se faça de chata.
- É sério, Harry, não to a fim. – Quando
eu estava preparando mais uma frase esplêndida para convencê-la, um alguém
puxou o pote de minhas mãos.
- Ah, não seja por isso! Eu mesma faço
por você. – Logo em seguida, o pote de tinta rosa pink neon estava cobrindo o
topo da cabeça de minha namorada que tinha a boca aberta de susto, assim como a
minha, e a de todos os outros ali em volta.
- Olha, não é que ficou melhor assim? A
única coisa que já vi que conseguiu dar um jeito nesse seu cabelo, maninha. –
Olívia a encarava com um sorriso triunfante. A expressão nos olhos de minha
namorada passava de susto para ódio.
- Você não fez isso... – Lelê murmurou
entre dentes.
- Olha amiga, veja pelo lado bom. Pelo
menos é rosa! – Aparentemente rosa era tudo que Kemelly via.
Por um momento eu quase jurei que havia
escutado um barulho parecido com um rosnado.
Quando a garota maluca que atirou tinta
na minha namorada, vulgo Olívia, se preparava para virar as costas, Uma Minnie
com o cabelo encaracolado totalmente rosa jogou um pote verde em cima da outra.
O certo seria arrastar Leticia dali e
leva-la embora, mas achei melhor não atrapalhar esse momento de família que
estava sendo presenciado.
Logo em seguida, um garoto vestido de Frankenstein, quer dizer, o Lucca, irmão das duas, abriu passagem entre a
multidão até chegar ali de olhos arregalados e expressão incrédula no exato
momento em que se pode ver o olhar mortal que Olívia possuía no rosto.
- Mas que diabos está acontecendo? – O
rosto dele foi atingido por tinta roxa.
E isso foi “basta” para que se iniciasse
uma guerra de tinta neon. E claro, eu não saí intacto. Logo tiras verdes e azuis faziam parte dos meus sapatos, laranja da minha camisa e rosa da minha cara. Passei de O Super Espião para O Super Espião das Fadas Arco Íris.
Sendo assim, os próximos
momentos passaram a se variar entre jogar tinta, ou sacanear ou outros com a tinta.
Não estavam mais com raiva, mas sim com
sorrisos divertidos no rosto. Aquilo havia se tornado uma brincadeira, uma
guerra de tinta que todos estavam inclusos e participando como crianças.
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Nota da Autora: É, gente! eu ainda estou vivia e ainda não desisti de escrever. Aliás, tive um mês (sim, um mês) bem intenso de provas e trabalhos. Meus professores acabam sendo super criativos nesse tipo de coisa. Bom, no final deu tudo certo, não sou assim tão burra como achei que fosse ser. Só em sociologia. sociologia é o cúmulo.
Anyway, espero que tenham curtido esse cap, eu até que gostei. E orem pra que eu consiga escrever o próximo em menos de cinco semanas, igual esse...
Mas enfim! FALTAM 19 DIAS!!! (sim, estou contando) E eu achoo que vou enlouquecer quando falar só uma semana para o show! Igual eu estou agora porque a Demi está no Brasil, mas eu não vou no show... So sad
Bom, galera! eu realmente espero voltar em breve dessa vez! eu ainda não desisti de escrever!
Ah, e leiam! Leiam Belo Desastre e Cidades de Papel! Eu adorei esses livros, acho que vocês também vão gostar : )
Beijos,
Gabriela


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